Movimento de Pequenos Agricultores se soma à greve geral com diversas ações

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Greve

Contra novo texto da reforma da Previdência, trabalhadores do campo promoverão trancaços e jejum público

Norma Odara |
Camponesas do MPA em todo país convocam trancamento de rodovias e jejum público durante a primeira semana de dezembro deste ano
Reprodução

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), promoverá uma série de atos e mobilizações a partir do dia 5 de dezembro, no Dia Nacional de Lutas e da Greve Geral, contra os retrocessos do governo golpista de Michel Temer (PMDB).

Uma das principais reivindicações da Greve Geral é parar a reforma da Previdência, que teve seu terceiro texto divulgado no dia 22 deste mês, sob o nome de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, e recuou em relação às versões anteriores, que previam ainda mais retrocessos aos trabalhadores rurais.

De relatoria do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), o texto precisa de 308 votos na Câmara dos Deputados, no próximo dia 15 de dezembro, para poder chegar ao Senado.

Em apoio aos trabalhadores da cidade e pela unidade da classe trabalhadora, o MPA promoverá trancaços de rodovias e jejum público, como forma de resistência e protesto.

A Radioagência Brasil de Fato conversou com Josineide Costa, da coordenação nacional do MPA, que considera que o “recuo” é uma manobra do governo golpista, que tentar “setorizar” a reforma, começando primeiro pela cidade e promovendo posteriormente retrocessos nos direitos dos trabalhadores do meio rural.

Confira a entrevista:

Brasil de Fato: Como o fim da aposentadoria rural, que previa, em sua primeira versão, a aposentadoria dos camponeses aos 65 anos de idade, com contribuição de 25 anos, afetaria as trabalhadoras e os trabalhadores do campo?

Josineide Costa: Com a aposentadoria a gente sabe que o camponês e a camponesa inicia seu trabalho ainda criança, então, como todo ser humano, necessita de um período de descanso na vida e na região nordeste, a maioria dos estados, no campo, a gente tem um número visível que vai no máximo até 68 anos. Então, estava posto na reforma da previdência que as pessoas não iriam viver sua aposentadoria

Brasil de Fato: O cálculo da contribuição do trabalhador rural é feito de maneira distinta do trabalhador da cidade. Do trabalhador rural a conta é feita sobre o valor da comercialização de sua produção e do trabalhador urbano sobre o seu salário. O que você opina sobre essa diferença, que seria desrespeitada com a antiga versão da reforma da previdência?

Josineide Costa: A esperança de um dia se aposentar, seria uma dívida do agricultor com o governo e não uma poupança, que coloca, pra um dia ter sua aposentadoria. A coisa que é mais mentirosa, é que o camponês e a camponesa não contribui com a previdência; ele contribui sim, desde a mandioca, do milho, do feijão que é plantado na roça e que depois é comercializado. Então tem sim sua contribuição com a previdência.

Brasil de Fato: Sob o nome de Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287 a reforma da Previdência será votada no plenário da Câmara até o dia 15 de dezembro, mas para ir ao Senado necessita do voto de 308 parlamentares para chegar ao senado. Quais os interesses dos parlamentares e ruralistas na aprovação desta PEC? E por quê é importante, mesmo com a manutenção dos critérios para os trabalhadores do campo, se unirem à oposição?

Josineide Costa: Essa retirada dos rurais da proposta é uma armadilha, com o objetivo de conseguir os votos dos deputados que têm base eleitoral nas regiões rurais do Brasil. Então isso também significa uma armadilha de dividir a resistência e a unidade da classe trabalhadora para aprovar a reforma em duas partes. Primeira a urbana e depois a rural. Essa é mais uma manobra do governo golpista. E nós vamos manter as fileiras junto com os companheiros e companheiras urbanos, em suas entidades, fazendo luta e defendendo os direitos de toda classe trabalhadora

Brasil de Fato: Como se dará o enfrentamento político dos trabalhadores do campo e da cidade contra a reforma?

Josineide Costa: Teremos uma jornada de lutas em defesa da classe trabalhadora e contra a reforma da Previdência. Na primeira semana de dezembro a gente vai fazer em todos os locais que pudermos fazer, e tivermos condição, em todos os 19 estados em que temos constituído o MPA, mobilizações e ações de pressão; vamos fazer trancaços em rodovias e fazer jejum público.

Essa jornada de lutas do MPA faz parte da greve. A gente sabe que os camponeses não têm como fazer greve assim como fazem os urbanos, de parar fábrica, de sair pra rua, então uma de nossas formas de luta, junto com os trabalhadores da cidade, é trancando as rodovias; e a outra forma também que a gente vai fazer é o jejum público.

29 de novembro de 201716:41

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