Privatização da Eletrobras vai comprometer segurança da Amazônia, dizem especialistas

Privatização da Eletrobras vai comprometer segurança da Amazônia, dizem especialistas

Segurança

Entre as preocupações de segmentos populares, estão a segurança nacional e as reservas indígenas em regiões de fronteira

Cristiane Sampaio |
Exército brasileiro estima que patrimônio natural total da Amazônia gire em torno U$ 23 trilhões; riqueza está em risco
Tamara Sare/Fotos Públicas

A privatização da Eletrobras, uma das prioridades da pauta econômica do governo, reflete diretamente na segurança estratégica da Amazônia brasileira. É o que dizem especialistas e segmentos populares que acompanham o tema. Eles alertam para o risco de comprometimento do domínio sobre o território, caso a estatal seja repassada para o controle do capital privado.

O engenheiro eletricista Edney Martins, presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas, destaca que o abastecimento de energia nos 44 pontos de instalações militares da fronteira amazônica, por exemplo, é feito pela estatal.

“Em determinadas regiões, você só tem o destacamento e a empresa do grupo Eletrobras gerando e distribuindo energia para o Exército. Como é isso? Nós vamos entregar pros chineses a manutenção das Forças Armadas brasileiras nas fronteiras da Amazônia?”

A Eletrobras atua em 700 municípios da Amazônia, chegando a mais de mil localidades.

O avanço do interesse privado tende a comprometer também os recursos da região. Para se ter uma ideia, o Exército brasileiro estima que o patrimônio natural total da Amazônia gire em torno 23 trilhões de dólares, incluindo recursos hídricos, minerais, biológicos, entre outros. Edney Martins destaca os riscos de uma ação privatista na região:

“Quando você fala em privatização e abertura para empresas de capital internacional, significa que você vai dar um passe livre pra uma multinacional e talvez até uma estatal de outro país se instalar. Isso traz um risco muito grande de evasão de capital biológico, de evasão de riquezas minerais”. 

Evasão e segurança

Outro problema apontado pelos críticos da privatização da Eletrobras é o risco de evasão dos povos que vivem nas fronteiras. Isso porque com a entrega da empresa ao capital privado, haveria um período maior de precarização do serviço e até mesmo falta de atendimento a alguns povos de localidades mais distantes. Cenário que poderia levar a uma intensa migração dessas comunidades para os grandes centros, fragilizando as fronteiras brasileiras.

Esse tema também se relaciona com a temática indígena, por exemplo. Estima-se que a privatização possa afetar ainda mais o processo de demarcação de terras de comunidades que vivem na região de fronteiras. Segundo Gilberto Vieira, do Cimi, o Conselho Indigenista Missionário, esses grupos têm uma contribuição importante na defesa do território:

“Eles fazem de fato essa vigilância porque estão cuidando do patrimônio que é deles, então, cabe ao Estado brasileiro ficar atento a isso e reagir no sentido de garantir a segurança”, afirma.

Congresso

A proposta de privatização da Eletrobras será encaminhada pelo Planalto ao Congresso Nacional através de um projeto de lei. Atualmente, o texto está em fase de redação pela Casa Civil.

29 de novembro de 201719:53{time}

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