Polícia Militar prende artistas e confisca equipamentos de som em Curitiba

Polícia Militar prende artistas e confisca equipamentos de som em Curitiba

Truculência

Nova intervenção da PM resultou em agressão e prisão de quatro pessoas, entre elas três artistas

Carolina Goetten |
Artistas, ativistas políticos e amigos dos jovens presos fizeram mobilizações em frente ao 1.º DP, no Centro, onde os quatro estavam presos
Florebela Letícia

A noite do último sábado (25) foi palco de uma intervenção abusiva da Polícia Militar no bairro São Francisco, em Curitiba. Quatro pessoas – entre três artistas e um frequentador do bar Villa Bambu, onde a operação aconteceu – foram detidas e permaneceram presas até o início da tarde desta quarta-feira (29), na carceragem do 1º DP, no Centro. Eles foram liberados após a mobilização de artistas, ativistas políticos e advogados populares da cidade.

A prisão foi apontada como arbitrária pela advogada Tânia Mandarino, que acompanha o caso. Segundo testemunhas, naquela noite, duas viaturas da PM interromperam uma apresentação musical que acontecia na rua Trajano Reis, em frente ao Villa Bambu. Os músicos foram notificados de que houve reclamação pelo barulho e suspenderam o show imediatamente; mesmo assim, sem conversar com ninguém, a polícia confiscou parte dos equipamentos de som. Foi quando o baixista Wallace dos Santos, um dos músicos que se apresentava, tentou argumentar e foi agredido com uma chave no pescoço. Em seguida, foi algemado e conduzido à viatura.

Segundo o artista plástico Igor Moura, toda a população presente no local se indignou contra a atitude desmedida da polícia frente a um grupo de pessoas desarmadas. Três amigos se exaltaram contra a truculência e foram brutalmente espancados. “Esses três homens, incluindo um senhor de meia idade, foram levados à força para o interior da viatura”, relatou Moura. “Logo, chegaram outras viaturas, incluindo o BOPE, e o cenário se transformou em um campo de batalha. A população indefesa precisou correr de policiais com cassetetes, armas e bombas nas mãos”.

Despreparo e superlotação

A advogada Tânia Mandarino disse que a situação foi caótica e denuncia o despreparo, a omissão e o abuso da polícia em todo o processo. “Um dos homens presos estava com a cabeça enfaixada porque apanhou muito. No domingo, o chão e as paredes da delegacia estavam manchadas de sangue. Os policiais se recusaram a limpar porque ‘a faxineira’ só chegaria no dia seguinte e a sala ficou o dia todo naquela situação”, recorda-se.

Ela ainda assinala que o caso dos músicos não prevê a prisão como pena. “Mesmo se eles fossem condenados, a pena é de regime aberto. E eles passaram quatro noites detidos numa cela encardida e sem banheiro. Esse foi um dos fundamentos do nosso pedido de liberdade provisória”, assinalou. “A polícia sequer tinha toner na impressora para imprimir os requerimentos”. A delegacia onde os homens foram mantidos, na Cidade Industrial de Curitiba, tem capacidade para abrigar 40 pessoas, mas está superlotada, atualmente, com 150 detentos.

Esta não é a primeira vez que o poder público boicota manifestações culturais com truculência e arbitrariedade. Em abril deste ano, uma situação semelhante aconteceu em frente ao Villa Bambu. Outras operações, conduzidas pelo projeto “Balada protegida” do prefeito Rafael Greca (PMN), fecharam as portas de bares, dispersaram civis nas ruas e encerraram festas em casas noturnas. Igor Moura definiu o caso como “lamentável” e declarou sentir-se num estado de “tristeza profunda”.

30 de novembro de 20178:18 PM

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