“Com os avanços da Lava Jato quem paga o pato são os mais pobres”, diz Lula

“Com os avanços da Lava Jato quem paga o pato são os mais pobres”, diz Lula

Caravana

Ex-presidente discursou a centenas de pessoas na Praça Central de Maricá, analisando impactos econômicos da operação

Mariana Pitasse |
Petista participou de ato em Maricá no último dia 6: ” Tudo que quero na vida é enfrentar um candidato com logotipo da Globo na testa”
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

No terceiro dia da passagem da Caravana Lula pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, o ex-presidente destacou que com os avanços da operação Lava Jato “quem paga o pato são os mais pobres”. Durante seu discurso a centenas de pessoas na Praça Central de Maricá, no interior do Rio, Lula falou sobre os impactos das investigações que atingem diretamente os trabalhadores brasileiros. 

“O povo não merece o que está passando e a Lava Jato não pode fazer o que está fazendo no Rio. É preciso fazer uma distinção, se um empresário roubou, prenda o empresário, mas não precisa quebrar a empresa, porque se isso acontecer quem paga o pato é o trabalhador que é inocente e precisa receber salário. Eles não podem dizer, por meia dúzia de pessoas, que eles dizem que roubaram, causar o prejuízo que estão causando à Petrobras”, afirmou. 

A presidenta golpeada Dilma Rousseff, que também esteve presente no ato, acrescentou que o golpe está se desenvolvendo em diversas etapas.  “A nova etapa é tentar impedir que a gente faça a roda golpista voltar atrás, com a eleição de Lula. Estão querendo tirar o Lula do processo eleitoral. Para mim, inventaram as pedaladas, para ele um processo esquisito que não tem a menor base real. Como transformar uma pessoa em réu e condenar sem haver qualquer ato que justifique isso? Isso tem nome é perseguição política”, explicou. 

Um dos pontos conclamados pelos órgãos que combatem a corrupção são supostos desvios creditados aos governos petistas. Entre eles, as pedaladas fiscais que teriam sido cometidas por Dilma e já foram contestadas por perícia realizada pelo Senado, em que três técnicos concluíram que não houve participação da presidente. Além disso, Lula é acusado de promover supostos desvios durante seu governo, mas tanto o ex-presidente, quanto sua defesa garantem que não há qualquer prova das acusações imputadas a ele. 

Por outro lado, nos governos de Lula e Dilma Rousseff houve o maior avanço no acesso à informação, transparência e combate à corrupção dos últimos anos. Os dois governos deram autonomia ao Ministério Público. Além disso,  Lula criou a Controladoria Geral da União (CGU), forte agência de combate à corrupção, que foi desmantelada pelo governo Temer. 

Em seu governo, Lula ainda criou o Portal da Transparência, reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das cinco melhores práticas de prevenção à corrupção do mundo. Dilma e Lula ainda fortaleceram a Polícia Federal (PF). De acordo com levantamento da PF, 2003 a 2015 foram executadas quase 3 mil operações especiais.

“Eu quero desafiar o Ministério Público e a PF a provar que tenho um real roubado. Eles não conseguem provar. Eu aprendi com mãe anafabeta o que é honra e também a andar de cabeça erguida por esse país. Eles têm que aprender a me respeitar. Se querem me impedir a ser candidato, que tentem, só quem pode me impedir é o povo brasileiro”.

“Eu quero que eles saibam que se eles não sabem cuidar desse país, eu sei. Eu não tenho diploma de economia, de filosofia, mas tenho um diploma que eles não tem, que é da minha relação com o povo brasileiro. Eu sei o que é a fome, eu sei o que é acordar de manhã com rato tentando subir na cama, eles não sabem, porque isso não cuidam do povo e não conhecem vocês. Não adianta tentar falar mal de mim na Globo, tudo o que quero na vida é enfrentar nas eleições um candidato com logotipo da Globo na testa”, afirmou.

8 de dezembro de 201719:32

Via Brasil de Fato

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