Falta de recursos no SUS impacta tratamento de portadores do vírus HIV, diz médica

Falta de recursos no SUS impacta tratamento de portadores do vírus HIV, diz médica

#DezembroVermelho

Dezembro Vermelho realiza ações de prevenção ao HIV/ Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis

Norma Odara |
Cantora Wanessa Camargo postou foto em suas redes sociais com a hastag da campanha #DezembroVermelho
Facebook/ Reprodução

Em todo o país, estados e municípios realizam campanhas de prevenção ao HIV/ Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis. As ações fazem parte do chamado Dezembro Vermelho, aprovado no mês passado pelo Senado Federal. 

Esse tipo de ação aumenta a visibilidade dessas doenças, principalmente para a prevenção da transmissão do vírus HIV. Para falar especificamente sobre este tema e as políticas atuais no setor, o  Brasil de Fato conversou com especialistas na área da saúde.

Para a médica infectologista Patrícia Rocha, o processo político atual vivenciado pelo Brasil impacto na aplicação de políticas públicas para o combate da doença: “A política de Aids não está descolada da política de saúde. E é claro que a gente vem sofrendo os reflexos do subfinanciamento do SUS”.

Rocha atende no Serviço de Atenção Especializada em DST/AIDS do Butantã, em São Paulo, e compõe a Rede de Médicas e Médicos Populares. Como ponto positivo observado nos últimos tempos, ela lembra que a chamada PREP, profilaxia pré-exposição, começou a ser disponibilizada no SUS, Sistema Único de Saúde: “É uma medicação que se uma pessoa que não tenha HIV e que tem uma alta chance de se infectar pelo HIV tomar, há uma prevenção. Isso é uma política pública interessante, porque a gente tem populações mais vulneráveis à infecção do que a população geral”.

A médica diz ainda que nos aparelhos específicos de atendimento e tratamento de HIV da gestão municipal, está havendo um sucateamento. No serviço de Atenção Especializada em DST/AIDS, onde ela trabalha, por exemplo, profissionais especializados estão prestes a aposentar e não há previsão de contratação de novos funcionários da área.

“A gente vive diariamente histórias de pessoas que demoraram a se testar, ou já sabiam que estavam positivas e demoraram a chegar no serviço, correndo risco, inclusive, por conta de não consegui lidar, de não querer que abrissem, que soubessem que elas são portadoras”, diz.

Outro problema está relacionado ao tratamento dispensado às pessoas soropositivas. Aline Ferreira, que é psicóloga, negra, soropositva e representante da rede estadual de jovens vivendo com HIV, considera que a Aids é “um estigma de um projeto de sociedade, heteronormativo, higiênico, racista”.

“A aids é uma doença que diz de um projeto de sociedade, heteronormativo, higiênico, racista. Então o estigma da Aids está relacionado a tudo isso e aí é preciso discutir esse projeto de sociedade, para além do HIV em si”. 

De acordo com dados da Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, em 2016, havia 830 mil pessoas vivendo com no HIV no Brasil. Cerca de 48 mil pessoas foram infectadas com o vírus no ano passado e 14 mil morreram por causas relacionadas ao HIV.

Profissionais da saúde recomendam que, diante de relação sexual desprotegida ou compartilhamento de seringas, seja realizado o teste de HIV; Quanto antes o vírus for descoberto, mais cedo poderá ser iniciado o tratamento antirretroviral para evitar que a infecção evolua para a aids. Para a realização do teste, procure o serviço de saúde mais próximo na sua cidade. O serviço é gratuito.

8 de dezembro de 201708:02

Via Brasil de Fato

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