Caravana Lula se encerra com grande ato na concha acústica da UERJ, no Rio

 

PELO BRASIL

Na última sexta-feira, o ex-presidente ainda visitou a UFRRJ e uma manifestação de trabalhadores da Cedae

Mariana Pitasse |
Público lotou a concha acústica da UERJ no último dia da caravana Lula, que passou pelos estados do Rio e Espírito Santo
Ricardo Stuckert

“O governo de Lula proporcionou a essa universidade se tornar de preto e de favelado”, discursou, emocionada, a estudante Mayara Gomes, de 23 anos, em meio a aplausos do público, que lotou a concha acústica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), para o ato de encerramento da caravana Lula pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, na última sexta-feira (8).

A multidão era formada, principalmente, por membros da comunidade acadêmica da UERJ, que passa pela mais grave crise de sua história, com salários e bolsas estudantis atrasados há mais de três meses.

Pouco depois de Mayara, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva iniciou sua fala dizendo que não há saída para crise no estado sem a participação efetiva do governo federal. “Não se pode esperar. Quem tem necessidade, tem fome, tem que pagar conta de luz, água, não pode esperar mais um ano. Além da responsabilidade administrativa local e o golpe que tivemos no Brasil, é importante que a gente não perca de vista o significado da Petrobras no Rio, que está sendo afundada”, afirmou, vestindo uma camisa que estampava “UERJ resiste”, em solidariedade aos funcionários, professores e estudantes da universidade.

Antes do ato ter início, Lula conversou com o Brasil de Fato sobre as saídas para a crise na universidade. Em sua fala, o ex-presidente não descartou a possibilidade de federalizar a universidade. “Se tiver uma universidade e o governador acha que não tem como tocar, não tem porque o governo federal não assumir. Se a gente ganhar as eleições, temos que nos reunir com governadores, fazer um estudo aprofundado de cada universidade estadual para ver como estão, para que não se deixe uma casa de ensino fechar nesse país por conta de incompetência”, afirmou.

Na entrevista, Lula ainda garantiu que está preparando um estudo para saber a possibilidade de federalizar o ensino médio no Brasil, considerado por ele um passo gigantesco para educação no país. Ele ainda se mostrou preocupado com a emenda constitucional aprovada por Temer neste ano, que limita o gasto em educação.

“Já estamos vendo institutos com problemas financeiros, laboratórios não estão sendo concretizados, prédios que estavam previstos não estão sendo feitos. Não houve a manutenção da expansão universitária que a gente tanto queria fazer nesse país”, acrescentou.

Essa realidade não é exclusividade das universidades e escolas, como lembra Renata Borguini, 42 anos, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Além dos cortes na pesquisa e no Ministério de Ciência e Tecnologia, na Embrapa a gente também sofreu muito corte. Esse governo ilegítimo nos afetou diretamente. Mas estou aqui por resistência. Acredito que o Lula é o único que tenha a chance de ganhar e de reverter essa situação”, afirmou.

Educação em crise

Um dos temas mais discutidos durante a passagem da caravana Lula pelos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, na última semana, foi a educação. Também como parte da agenda de sexta-feira (8), o ex-presidente visitou a unidade de Nova Iguaçu, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), criada durante a sua gestão.

Lá, foi recebido por reitores da UFRRJ, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e representantes de outros institutos federais do ensino médio e tecnológico. Em sua fala, o reitor da UFRRJ, Ricardo Berbara, falou sobre a importância do governo Lula para democratizar a educação. De acordo com ele, entre 2005 e 2015, a proporção de jovens, entre 18 e 24 anos, matriculados nas universidades brasileiras dobrou, subindo de 10% para 20%. Além disso, cerca de 66% dos estudantes de universidades federais vêm de famílias de até um e meio salário mínimo.

O ex-ministro da educação, Fernando Haddad, que também estava presente no encontro, acrescentou que os governos de Lula e Dilma permitiram o avanço na inclusão da população brasileira na universidade pública. “O constrangimento que eu tive ao estudar na Universidade de São Paulo (USP), em que só tinha brancos e filhos da elite, hoje não é mais o mesmo. O Brasil está dentro da universidade. Está representado”, afirmou.

Ligia Maria Nonato, de 24 anos, estudante do mestrado em Ciências Sociais da UFRRJ, unidade Nova Iguaçu, é uma das que teve sua trajetória de vida diretamente ligada às políticas públicas e programas sociais da área da educação criados pelos governos petistas. “A relação de Lula com o povo e os movimentos sociais mudou a história do país, inserindo o povo pobre na universidade, um espaço que era completamente elitista. Ele vir aqui hoje tem um significado sem tamanho”, disse.

No entanto, os avanços encontram uma barreira depois do golpe de estado instaurado no Brasil. Um exemplo disso são as verbas de investimento nas universidades, que despencaram de R$ 5 bilhões em 2013 para R$ 1 bilhão em 2017. “Conseguiram destruir as conquistas dos trabalhadores. Fernando Henrique Cardoso disse em seu governo que ia acabar com a Era Vargas e não teve coragem, mas Temer está fazendo agora, porque ele não é um presidente, nem sequer golpista, é instrumento do sistema financeiro”, afirmou Lula em seu discurso na UFRRJ.

Privatização da Cedae

Além das passagens pelos institutos de educação e universidades públicas, o ex-presidente também participou de diversos atos nas cidades por onde passou ao longo da Caravana. Entre eles, uma manifestação organizada pela população carioca e funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), em Guandu, na Baixada Fluminense, contra a sua privatização.

As ações da Cedae estão sendo usadas pelo governador do estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), como garantia para um empréstimo de R$ 2,9 bilhões do banco BNP Paribas ao estado do Rio de Janeiro, que tem o governo federal como avalista.

Levado pelos manifestantes até o carro de som, montado em frente a estação de tratamento de Guandu, Lula falou que a crise na Cedae não é de hoje e prestou solidariedade aos trabalhadores. “Se o estado passar a Cedae para o governo federal, ele vai passar para uma multinacional que não se importa com a qualidade da água e da vida da população. Vocês tem que continuar lutando para segurar essa venda, ano que vem vamos disputar as eleições e, se conseguirmos ganhar, convocaremos um plebiscito revogatório de todas as arbitrariedades que estão acontecendo nesse país contra os interesses do povo trabalhador”, garantiu.

Durante os cinco dias em que percorreu os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro, a caravana Lula foi recebida de forma calorosa pela população de mais de nove cidades. Essa é terceira etapa do projeto Lula pelo Brasil que já passou pelo Nordeste e Minas Gerais. Para o primeiro semestre de 2018, o ex-presidente Lula já planeja passagens pelo Sul e Norte do país.

10 de dezembro de 201718:01

Via Brasil de Fato

 

 



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