Pesquisa do Mais Democracia revela quem são os proprietários do saneamento no Brasil

Pesquisa do Mais Democracia revela quem são os proprietários do saneamento no Brasil

GRUPOS ECONÔMICOS

Setor registra elevada concentração e forte presença de fundos de investimentos e instituições financeiras

João Roberto Lopes Pinto, Mauricio Ferreira e Silvia Noronha* |
Os cinco maiores grupos econômicos atuantes na área de saneamento no Brasil controlam 85,3% do total de contratos
Divulgação

Os cinco maiores grupos econômicos atuantes na área de saneamento no Brasil controlam 85,3% do total de contratos e estão em 87,8% dos 245 municípios que passaram a prestação do serviço para a iniciativa privada, considerando o abastecimento de água e/ou esgotamento sanitário. São elas: BRK Ambiental (ex-Odebrecht Ambiental), Aegea Saneamento e Participações, Grupo Águas do Brasil (Saneamento Ambiental Águas do Brasil – Saab); Iguá Saneamento (ex-Companhia de Águas do Brasil – CAB, então do grupo Queiroz Galvão) e GS Inima Brasil.

A BRK, constituída em 2017 após a compra da Odebrecht Ambiental pelo fundo de investimento canadense Brookfield, lidera o ranking, independente do critério adotado. A empresa detém o maior número de concessões por municípios, de contratos, de população atingida e de volume de investimento previsto. Os dados fazem parte dapesquisa Quem são os Proprietários do Saneamento no Brasil?, elaborada pelo Instituto Mais Democracia (IMD) em parceria com a Fundação Heinrich Böll e divulgada em primeira mão pelo Brasil de Fato.

O universo privado do setor é controlado por 26 grupos que atuam em 245 municípios, possuem 198 contratos, abrangendo 45,6 milhões de pessoas (22% da população).A BRK possui contratos de concessão em 109 dos 245 municípios (44,5%); seguida da Aegea, com 46 municípios ou 18,8%.

Com relação aos acionistas, dois movimentos recentes vêm ocorrendo: o crescimento da participação estrangeira e a financeirização do segmento. A presença de fundos de investimento e instituições financeiras é verificada em 15 dos 26 grupos (58% do total). Já o capital estrangeiro foi identificado em sete empresas (27% do total) e, embora não seja maioria, participa como majoritário ou minoritário de quatro líderes do segmento: Aegea, BRK Ambiental, Grupo Águas do Brasil (Saab) e GS Inima.

Na compra da Odebrecht Ambiental pela Brookfield entrou também como sócio o japonês Sumitomo Mitsui, gigante asiático do mercado financeiro, e foi mantida a participação do FI-FGTS, Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, administrado pela Caixa. Já a Iguá foi criada por Paulo Mattos, operador do mercado financeiro e ex-sócio da GP Investimentos, que montou um fundo de propósito específico para adquirir a CAB, e conta ainda com participação do BNDESPar. Assim, BRK Ambiental e Iguá Saneamento formam duas empresas totalmente controladas por instituições essencialmente financeiras. Já a AEGEA tem 18% do seu capital controlado pelo Fundo Soberano de Cingapura.

O avanço da concentração e financeirização no setor põe em risco a garantia do direito humano ao saneamento, algo que se agrava com a agenda francamente privatista do Governo Temer. O debate e a confrontação desta agenda se fazem ainda mais oportunos por conta dos preparativos para o Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama 2018), evento que se contrapõe ao 8º Fórum Mundial da Água, ambos marcados para março, em Brasília.

* João Roberto Lopes Pinto, doutor em Ciência Política e coordenador do Instituto Mais Democracia. Maurício Ferreira, doutorando em história, e Silvia Noronha, jornalista e especialista em Políticas Públicas, são pesquisadores do Instituto Mais Democracia.

14 de dezembro de 201714:47

Via Brasil de Fato

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