Xicas da Silva utiliza poder do tambor e da música mineira para falar sobre feminismo

Xicas da Silva utiliza poder do tambor e da música mineira para falar sobre feminismo

Resitência

Grupo musical completa 13 anos e leva ao país o espetáculo “Pindorama, Mulheres do Brasil”

José Eduardo Bernardes |
Grupo Xicas da Silva faz apresentação durante inauguração do Armazém do Campo, em Belo Horizonte
Geanini Hackbardt

Com 13 anos de estrada, o grupo musical Xicas da Silva utiliza o poder do tambor e da música negra para falar de tudo um pouco, principalmente de feminismo e ancestralidade. Formado exclusivamente por mulheres, o objetivo do grupo é retomar o cancioneiro local de Minas Gerais e seguir a trilha de músicos que ressaltam a cultura mineira, como Pereira da Viola.

Ao todo, mais de 20 mulheres se revezam no palco do Xicas da Silva, em formações que se renovam durante as apresentações. Pelo caminho, o grupo enfrentou muita resistência, principalmente questionamentos sobre a capacidade que elas teriam de tocar os tambores mineiros.

A cantora e percussionista Iamí Rane lembra que desde o início do grupo, formado no projeto mineiro Bloco Oficina Tambolelê, elas sempre se sentiram desafiadas a levar sua arte à diante.

“Éramos nós, mulheres, tocando tambor e tendo que ouvir aquela piadinha de: ‘ah, você vai aguentar tocar esse tambor’. ‘Vai quebrar a unha tocando o tambor’. ‘Não, você vai dar conta de tocar metade’. Aí a gente fazia o que? ‘Vou tocar o maior instrumento, para mostrar que eu consigo sim, tanto quanto você'”.

O tempo passou, o grupo se tornou referência na cena alternativa mineira e agora, diz Iami, levanta bandeiras maiores do que apenas provar serem capacitadas para tocar tambores.

“A gente se reinventou até nisso. Porque antes, era aí que a gente tinha que ser resistente. E na medida que vão passando os anos, a gente vem trazendo outras questões, não tem como. Já que a gente está ali, trabalhando com o universo feminino, tem coisas que são inerentes a isso”.

As dificuldades, no entanto, não param por aí. Para a integrante Andressa Versi, ainda existe muita desconfiança do público em aceitar mulheres que se dedicam à música regional, principalmente a música mineira de tambor. 

“Quando chega um grupo de mulheres, primeiro as pessoas ignoram, depois as pessoas desconfiam, depois talvez elas comecem a dar uma chance. E quando você toca elas falam: ‘Olha, ela toca, É um grupo de mulheres que fazem até direitinho’. Para depois, quem sabe, assumir que é um grupo bom. Isso está acontecendo com diversos grupos em Belo Horizonte. É realmente esse fortalecimento das mulheres na cena de BH”.

Para Iamí Rane, mesmo com tanto tempo de estrada e resistência, é importante ressaltar a questão negra que dá origem ao nome da banda e à sua formação. 

A gente está com 13 anos, mas a gente nunca pode esquecer de onde a gente saiu. O trabalho do grupo Tambolelê sempre foi esse, de exaltação, de valorização da música negra, mineira, brasileira e assim foi também o nosso processo de formação e que a gente mantém hoje”.

Para comemorar os 13 anos de grupo, o Xicas da Silva tem levado para vários cantos do país o espetáculo “Pindorama, Mulheres do Brasil”. Para conhecer a agenda, acompanhe a banda nas redes sociais.

15 de dezembro de 201717:16

Via Brasil de Fato

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