Editorial | Um final de ano movimentado

Editorial | Um final de ano movimentado

Lutas

A mobilização têm sido motivo de esperança e trazido vitórias

Redação |
Manifestação contra a reforma da Previdência
Ricardo Stuckert

Desde que o desgoverno Temer assumiu a direção do país, muitas medidas foram tomadas contra o povo brasileiro, como as privatizações e o desmonte do Estado de direitos. Essas medidas trarão enormes prejuízos, tanto imediatos como de longo prazo.
Mas o povo tem lutado para barrar as reformas. Em abril fizemos a maior greve da nossa história. Voltamos às ruas todas as vezes em que a proposta da reforma da Previdência entrou em pauta no Congresso, e conseguimos que fosse sendo adiada. Nove pessoas do Movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA), do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD) ficaram em greve de fome entre os dias 5 e 14 de dezembro contra o desmonte da aposentadoria. Uma medida corajosa e legítima. Essas reações fizeram com que o governo adiasse novamente a votação para fevereiro de 2018. Uma boa notícia. No entanto, o governo golpista ainda não desistiu, porque precisa responder aos interesses de quem o financia.
Outras duas boas notícias são a prisão do fazendeiro Adriano Chafik, que assassinou cinco trabalhadores sem-terra e a autorização para emissão de posse da fazenda Ariadnópolis no Sul de Minas, que vinha sendo local de conflito.
Julgamento de Lula expõe seletividade e ameaça à democracia
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) julgará, no dia 24 de janeiro de 2018, os recursos do ex-presidente Lula, condenado pelo juiz Sérgio Moro por supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Pela Lei da Ficha Limpa, isso pode tornar Lula inelegível, embora há recursos cabíveis pela defesa. O objetivo da acusação é o caso do tríplex do Guarujá, da construtora OAS, supostamente presenteado a Lula. Porém, não foram apresentadas provas que vinculem Lula à corrupção. Não há documentos, não há registros em cartórios em nome dele. Há apenas convicções políticas, em um roteiro traçado desde a queda de Dilma Rousseff, em 2016.
Não se pode seguir com arbitrariedades presentes na Operação Lava Jato. O trâmite do julgamento tem velocidade inédita: até outubro de 2017, o tempo médio dos processos da Lava Jato, no TRF-4, foi de 14 meses e meio. Lula será julgado em apenas 4 meses. Essas arbitrariedades reforçam a criminalização atual de militantes dos movimentos populares e do povo brasileiro. A proibição da candidatura, baseada em um julgamento parcial, ataca nossa democracia.
A luta e a mobilização têm sido motivo de esperança e trazido vitórias. Como dizia Carlos Marighella: “É preciso não ter medo. É preciso ter coragem de dizer”.

19 de dezembro de 201709:45

Via Brasil de Fato

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