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Artigo | Em Contagem (MG), cultura em luto, cultura em luta!

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Articulação

Projeto de lei, proposto por vereadores, pretende extinguir fundações importantes para a cidade

Coletivo Cultura em Luta* |
Com a aprovação do projeto, haverá o retorno da centralização das políticas para os vereadores e outras secretarias
Divulgação

O prefeito Alex de Freitas (PSDB), juntamente com alguns vereadores, tem preparado um ”presente de natal” para a população de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Toda terça-feira, às 9h, acontece uma plenária na Câmara e são votados projetos para o município. No último mês, foi enviado um projeto de lei de “deforma administrativa” (31/2017) que pretende extinguir fundações de extrema importância para o desenvolvimento da cidade, como a Fundação Cultural do Município de Contagem (Fundac); a Fundação de Assistência Médica e de Urgência de Contagem (Famuc); o Centro Industrial de Contagem (Cinco); a Fundação Municipal de Parques e Áreas Verdes de Contagem (Conparq) e o Instituto de Planejamento Urbano do Município de Contagem (Ipucon).

A Fundac foi criada em 2013, como conquista histórica dos artistas, assim como o Fundo Municipal de Cultura, que aprovou desde 2014 mais de 200 projetos culturais locais. O projeto a ser votado nos próximos dias pretende extinguir a fundação e também o Fundo Municipal de Cultura, acabando com a promoção das artes e da cultura na cidade.

A autarquia é tida hoje como a instância capaz de gerar política cultural no município. Com a aprovação do projeto, haverá o retorno da centralização das políticas para os vereadores e outras secretarias. De forma retrógrada, seria a volta da política de favorecimento do pão e circo dos políticos, que passarão a aplicar recursos não na promoção cultural, mas sim nos seus currais eleitorais.

É preciso valorizar a Fundac para realizar debates, colocando em pauta a reabertura dos espaços culturais que estão hoje abandonados, como a da Casa de Cacos, o Cine Teatro, o Museu Nair Mendes, o Centro Cultural do Petrolândia, entre outros. Sendo assim, precisamos recuperar os espaços hoje fechados e criar um plano cultural para a cidade, com descentralização dos recursos e incentivo aos artistas locais. Mas, para isso, precisamos de uma Fundação de Cultura aberta ao diálogo e não sua extinção.

Fechar a Conparq e o Ipucon, por sua vez, traz ainda um retrocesso ambiental e social. Contagem, como outras grandes cidades, sofre com a especulação imobiliária e diminuição das áreas verdes. A proposta do novo plano diretor da cidade é acabar com a Vargem das Flores, desmatando e liberando a instalação de empresas. A prefeitura pretende acabar com a Conparq e o Ipucon para centralizar essas decisões ao seu bem querer.

Precisamos sim de uma reforma administrativa, mas que acabe com os “cabides de empregos” e os altos salários de cargos comissionados, e não da extinção da cultura na cidade. Precisamos valorizar os artistas e os  espaços conquistados por meio de muitas lutas, em respeito a todos os cidadãos contagenses. A cultura de Contagem está de luto, mas estamos em luta. Não aceitaremos fechamento da Fundac, defendemos a expansão da política cultura, social e ambiental, com abertura de diálogos. 

*Cultura em Luta é uma plataforma que envolve organizações e pessoas em todas as esferas da atividade cultural.

20 de dezembro de 201715:01

Via Brasil de Fato

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