Coluna | Maé vive nas rodas de samba de Curitiba

Coluna | Maé vive nas rodas de samba de Curitiba

Distraídos Cantaremos

Maior sambista do Paraná, falecido em dezembro de 2012, hoje estaria com 90 anos

Ricardo Prestes Pazello |
Em tempos de festa de fim de ano, o melhor mesmo é refazer nossas referências
Divulgação

2017 termina e faz relembrar os 5 anos da partida de Maé da Cuíca, o maior sambista do Paraná. O fim do ano e a morte de Maé, porém, não prenunciam o fim do samba em Curitiba. Ao contrário. Semente plantada, samba curitibano florido.

Ismael Cordeiro é reverenciado por ter sido o fundador da primeira escola de samba do estado (a Colorado), compositor de mão cheia e ainda um dos melhores ritmistas que por aqui já se viu. Além de cuíca, regia com maestria seus batuqueiros, o que o levou a ser reconhecido em plena Mangueira de Cartola, Carlos Cachaça e Nelson Cavaquinho. Como mestre de bateria, levou à vitória um samba de Cláudio Ribeiro e Homero Reboli. O Paraná ganhava o Festival de Novos Compositores da Mangueira de 1977!

Entre 1945 e 2012, o samba paranaense nasceu, cresceu e hoje dá coloridos frutos. Na verdade, o nosso samba surge pobre, operário e periférico. Maé era filho de ferroviário e saiu de Ponta Grossa, onde nasceu, para morar, ainda piá, na vila dos trabalhadores da Rede, a Vila Tassi (na região do viaduto do Capanema). Lá ele chegou a cantar: “A semente que eu plantei demorou mas germinou e o seu fruto muito sambista alimentou”.

De fato, a sentença do sambista – que hoje teria 90 anos – não podia estar mais certa. Hoje, 5 anos depois de se despedir desse mundo, num dia 21 de dezembro, sua marca se faz sentir nos grupos e rodas de samba de Curitiba. A cidade cresceu e seu povo exige cultura, fazendo-a. A expressão popular do samba se enraíza, a partir do legado de Maé, no resgate do Samba do Compositor Paranaense, nas pesquisas do Samba do Sindicatis e da Roda de Samba Maria Navalha (esta dedicada integralmente a compositoras mulheres), na releitura política do Samba da Resistência e na homenagem carnavalesca (à Colorado) do Bloco de Samba Boca Negra, dentre muitas outras iniciativas.

O Paraná é Brasil e, assim sendo, uma das marcas de nossa cultura é o samba. Em tempos de festa de fim de ano, o melhor mesmo é refazer nossas referências. Quem sabe, um dia, ouvimos pelas ruas o povo assobiando a Vila Tassi de Maé! Distraídos cantaremos!

Para ficar por dentro:
– CD com sambas e depoimentos de Maé da Cuíca, acompanhando o livro “Colorado: a primeira escola de samba de Curitiba” (2009), de João Carlos de Freitas.
– Documentário “Maé da Cuíca, Vila Tássi e a Bateria Boca Negra” (2014), de Nivaldo Lopes e Eduardo Prante.
– Blogue do Samba da Tradição
– Perfis das rodas de samba de Curitiba:
Bloco de Samba Boca Negra
Samba do Compositor Paranaense  
Samba do Sindicatis
Roda de Samba Maria Navalha 
Samba da Resistência

*Ricardo Prestes Pazello é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR),  músico amador e militante da Consulta Popular.

22 de dezembro de 201719:32

Via Brasil de Fato

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