Do Veganuary ao Reducetarianismo: Os movimentos para deixar a carne de lado

Do Veganuary ao Reducetarianismo: Os movimentos para deixar a carne de lado

Há movimentos para inspirar aqueles que querem reduzir o consumo de carne.

Veganuary. A campanha criada na Inglaterra propõe a transformação de hábitos alimentares. E, para isso, encoraja as pessoas a testarem uma dieta vegana por 31 dias durante o mês de janeiro.

O objetivo é cortar todo alimento de origem animal do seu cardápio, bem como a utilização de produtos que incentivem a tortura de animais. De acordo com dados do movimento, mais de 160 mil pessoas se inscreveram na campanha. Os inscritos recebem informações diárias com conteúdos de apoio, como receitas, para encararem o mês vegano.

Mas realmente vale a pena deixar de consumir esse produtos por um período curto como um mês?

Para os porta-vozes do programa, sim. Clea Grady defende que esse tipo de campanha ajuda a divulgar os argumentos dos movimentos em defesa de animais, bem como beneficia a saúde da população.

“Mais de 75% das pessoas que adotaram o veganuary perceberam melhoras na saúde, como emagrecimento, diminuição da pressão sanguínea e estabilização dos níveis de diabete tipo 2″, afirma a campanha.

Porém, de acordo com ONGs especializadas na área, como a Mercy For Animals e a Sociedade Vegetariana Brasileira, os movimentos mais efetivos são aqueles em que reduzir é a palavra de ordem, diferente de proibir o consumo de alimentos de origem animal.

“O impacto de uma pessoa que escolhe fazer uma refeição vegana por semana já é enorme. Se ela consome produtos de origem animal durante 90% do tempo, é claro que os 10% importam e já são um desafio. Para isso, é preciso que existam caminhos de apoio para essa transição”, explica o presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira, Guilherme Carvalho, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Para a World Animal Protection, o teste de um mês pode ser eficiente, desde que a pessoa esteja bem informada.

“O ideal é buscar um profissional de saúde para orientá-lo sobre como estabelecer uma alimentação saudável e equilibrada de acordo com as suas particularidades individuais. Se a pessoa optar por se tornar vegana ou vegetariana, é importante se informar sobre as alternativas existentes à proteína animal”, explica Sônia López, porta-voz da organização.

Lucas Alvarenga, vice-presidente da Mercy For Animals no Brasil, lembra que as pessoas fazem a transição para uma dieta vegetariana em ritmos diferentes. E é realmente necessário respeitar esse tempo.

“Nos últimos dois anos a gente aumentou a quantidade de estabelecimentos e marcas veganas no Brasil. As pessoas estão procurando saber mais sobre o tema, principalmente porque há uma maior preocupação com a origem e os processos de produção dos alimentos”, explica Alvarenga, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Foi pensando nessas pessoas que o americano Brian Kateman assumiu a bandeira e criou a Fundação Reducetariana.

Kateman defende que cada um estabeleça objetivos praticáveis para reduzir a ingestão de produtos de origem animal. Pode ser não comer carne às segundas-feiras, adotar uma dieta vegetariana durante a semana, ou simplesmente excluir o bacon do seu hambúrguer. O objetivo é “conscientemente e gradualmente reduzir [o consumo individual de carne dentro da própria dieta]”, destaca em seu site.

Veganismo e vegetarianismo no Brasil

No País, 8% da população se declara vegetariana, de acordo com dados do Ibope, e o mercado vegano cresce 40% ao ano. Pesquisa realizada pelo Datafolha em 2017 apontou que 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne. Também descobriu que 73% dos brasileiros se sentem mal informados sobre como ela é produzida, e outros 35% têm preocupação de saúde quanto ao consumo do alimento.

Iniciativas como a “Segunda Sem Carne”, “Desafio dos 21 dias” e “Semana Vegana” são convites ao resto da população que ainda mantém hábitos alimentares prioritariamente carnívoros.

“O mercado vegano precisa ser o mais acessível possível para que as pessoas possam ter essa escolha com mais facilidade. Para isso acontecer, a gente não pode depender apenas das pessoas que já optaram por ser 100% veganas. Grande parte da demanda de alimentos veganos é gerada não por veganos estritos, mas por pessoas que querem conhecer mais desse tipo de dieta”, compartilha Carvalho, da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Ana Beatriz Rosa

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