Quem mora ou vai viajar pra área endêmica tem prioridade para vacina da febre amarela

Quem mora ou vai viajar pra área endêmica tem prioridade para vacina da febre amarela

Saúde

Em entrevista, médico da família esclarece os pontos que a população tem mais dúvidas a respeito da vacinação da febre a

Anelize Moreira e Leonardo Fernandes |
Rede pública de saúde oferece vacinação contra a febre amarela
Agência Brasil

O Ministério da Saúde atualizou o balanço da febre amarela na terça-feira (23) com relação à doença. Já são 130 casos e 53 mortes confirmadas, de julho do ano passado até 23 de janeiro. As dúvidas mais frequentes sobre a doença são esclarecidas nesta entrevista por Thiago Henrique Silva, médico de família e comunidade e membro da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares.

Saúde Popular: Como está a situação da febre amarela? É para se apavorar?

Thiago Henrique Silva: Na verdade, a febre amarela é uma doença que apenas 10% dos casos são casos mais graves e que as pessoas reconhecerão como febre amarela.

Noventa por cento dos casos vai passar como se fosse qualquer outra virose e você nem vai saber que teve a febre amarela; pode-se apresentar o quadro viral, dor de cabeça, um pouco de febre, um pouco de dor no corpo, um pouco de dor articular, mas vai passar despercebido que foi a febre amarela.

Como 10% não é irrelevante, há um anseio da população para estar se vacinando porque já há casos de morte. É importante fazer a vacinação, mas não partir para o desespero. Devem tomar as vacinas, principalmente, quem vai para a área de risco, mas não com esse desespero todo.

Quem são as pessoas que não podem tomar a vacina?

De acordo com as recomendações da Fundação Oswaldo Cruz, que é o órgão brasileiro ligado ao Ministério da Saúde de controle a epidemias e que fabrica também a vacina, crianças menores de 6 meses de idade, pacientes com imunodepressão de qualquer natureza, ou pacientes que tomam corticóide ou estejam fazendo algum tratamento de imunossupressão. Estas pessoas estão tomando remédios que vão impedir o sistema imune responder àquele vírus vivo atenuado. Se o remédio impede o seu corpo de responder, é contra indicado tomar a vacina.

Outras contraindicações: pacientes que estão fazendo quimioterapia e radioterapia, pacientes que foram submetidos a algum transplante de órgãos – porque parte destes pacientes pós transplantados está tomando também corticóide ou algum remédio pra evitar a rejeição do órgão.

A vacina também não é recomendada para pacientes que tenham algum câncer em atividade ou que possuam histórico de reação anafilática das substâncias que compõem a vacina da febre amarela. A albumina, por exemplo, que está na vacina e é retirada da clara do ovo. Quem tem alergia a clara de ovo ou gelatina bovina também não pode tomar de jeito nenhum.

No caso de portadores do HIV que tem o vírus controlado ou as pessoas com mais de 60 anos. Eles podem tomar, mas antes devem passar por avaliação médica…

Certo. O paciente que tem lupus, por exemplo. Às vezes ele tem que tomar corticóide mas a dose é baixa e não compromete o sistema imunológico. Ou também o paciente que está com uma infecção, gripado, com febre, pneumonia. Estes só devem tomar a vacina quando o quadro infeccioso melhorar. Recomenda-se que mulheres que estão amamentando crianças abaixo de 6 meses – que não podem de jeito nenhum tomar a vacina – ordenhem a quantidade de leite suficiente para 28 dias, que é o período de viremia, ou aguardem pelo menos 15 dias após ter tomado a vacina para voltar a amamentar

Quem já tomou a vacina anteriormente precisa tomar novamente?

Há uma polêmica recente em relação a proteção da vacina para a vida toda. Diante do quadro de epidemia e para quem vai para áreas muito endêmicas, a recomendação é vacinar a cada dez anos. As áreas endêmicas são aquelas onde há casos da doença e de morte, onde o vírus está circulando. A orientação para pessoas que vão pra área que sabidamente tem a febre amarela é tomar a vacina caso não tenha tomado nos últimos 10 anos. A vacina nova, que é fracionada, vai proteger por 8 anos. Então não precisa sair pegando fila de dez horas se a pessoa não vai pra área de risco. Pode esperar um pouco para tomar a vacina.

29 de Janeiro de 201817:15

Via Brasil de Fato

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