Carnaval 2018: resistência e democracia

Carnaval 2018: resistência e democracia

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Poucas manifestações populares no país representam tanto uma resistência cultura

Aristóteles Cardona Júnior |
Maracatu é uma das manifestações que são verdadeiros exemplos de resistência
André Nery/ PCR

Se aproxima mais um carnaval. Há quem passe estes dias de festa trabalhando, há quem queira se jogar na festa como se não houvesse amanhã, e há também os que preferem aproveitar estes dias para descansar, sem muita agitação. Independente de qual seja o caminho dos seus dias de carnaval, uma coisa é inegável: a força e a potência que representa a maior festa popular do mundo.

São muitas as versões para o surgimento do carnaval. Nas antigas Grécia, Roma e Egito, passando pela Idade Média e vindo até os dias atuais. De toda forma, tudo indica que nossa festa de Carnaval seja herança de um conjunto de festividades que ocorriam desde a antiguidade e foram sendo adaptadas e modificadas até o formato atual. E é no Brasil que ela grande potência e se torna a referência que é nos dias de hoje.

Trouxe isso porque é sobre o carnaval de Pernambuco que queria falar um pouquinho. É este vibrante carnaval que me vem à cabeça neste momento. E acho que apesar de todo o momento de crise no qual vive o nosso país, com a democracia estraçalhada e com os direitos sendo atacados por todos os lados, o carnaval Pernambucano tem muito a ver com isso tudo.

Mas por que danado eu estou associando uma coisa tão boa, que é o carnaval, com este momento sombrio de nosso país? Acredito que poucas manifestações populares no país representam tanto uma resistência cultural como a que representa o nosso carnaval. Sejam os Papangus de Bezerros, o Maracatu Rural em Nazaré da Mata, os Caretas em Triunfo, chegando, enfim, aos frevos e marchas em todo o estado, todos estes ritmos e manifestações são verdadeiros exemplos de resistência.

Em um tempo em que cada vez mais ganham espaços as festas com camarotes, espaços “vips”, “tapetes vermelhos” e que limitam o acesso apenas a quem paga caro, o nosso carnaval, como é feito por estas bandas de cá, vai no sentido contrário. É o carnaval das ruas e das pessoas. Que não se paga para entrar e, já por isso, mais democrático. 

Talvez seja disso que este país mais precise. De privilegiar o povo que está nas ruas. Resistência e Democracia. Que o carnaval de 2018 seja mais um grande exemplo de resistência e democracia. E que sigamos com este espírito para o resto ano. Precisaremos. Um bom carnaval a todas e todos!
 

5 de Fevereiro de 201814:01

Via Brasil de Fato

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