Moro, com jeitinho, respeita sua primeira norma: a Lei de Gerson

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“Gosta de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica”.

Com essa frase, o comercial de cigarros que tinha o meio campista da seleção brasileira, Gérson Nunes, ficou famoso por, supostamente, ter utilizado o “jeitinho brasileiro” como arma de publicidade.

Como resposta, a cultura brasileira acabou absorvendo a expressão utilizada (nas palavras de hoje, Gérson virou meme) e criou a tal “Lei de Gerson”, uma maneira de explicar que o brasileiro quer sempre levar vantagem em tudo.

Há, sim, um certo exagero acerca do tal “jeitinho brasileiro”. Exacerbação essa que serve e sempre serviu como arma para nossa elite alimentar, indiscriminadamente, o complexo de vira-latas, um dos pilares para que o povo brasileiro acredite que deve ser colonizado por sua falta de capacidade.

Mas como diz Jessé de Souza, no Brasil (e no mundo) existe sim o jeitinho, praticado por quem pode.

Por exemplo, Sérgio Moro e a Lava-Jato nunca foram apegados a leis, tanto é que o TRF-4 teve que lhes oferecer uma salvaguarda para atropelar a constituição e fazer diversas ações ilegais.

Contudo, aparentemente, o juiz do Paraná achou uma lei para cumprir: a própria Lei de Gerson.

Moro disse, com todas as letras, que deu um “jeitinho” de aumentar o seu salário utilizando um benefício com total desvio de finalidade e, portanto, ilegal como já argumentou Fernando Brito no Tijolaço.

Depois de décadas o Brasil teve, ilegalmente, um reajuste no salário mínimo menor que a inflação do período. Será que os milhões de brasileiros atingidos poderão arrumar outras fontes de dinheiro público para completar sua renda?

Por fim, fico imaginando o que se passa na cabeça do filósofo espanhol Juan Arias (aquele que, em 2010, escreveu que Serra, e não Dilma, seria o verdadeiro candidato de Lula):

“A novidade é que, pela primeira vez, a grande aposta da sociedade brasileira é a da luta contra a corrupção, contradizendo os que ainda defendiam que o Brasil se acomodava a ela, já que era algo característico da idiossincrasia deste país, refletida no famoso jeitinho brasileiro.”

Pausa para rir, enquanto tento descobrir o que vai escrever Arias sobre Moro.

Como é difícil para a direita brasileira encontrar um herói, afinal,  nem mesmo os lunáticos do neoliberalismo conseguem defender um juiz que recebe antiteticamente um auxílio que, sozinho, é maior que o salário de muitos professores e professoras.

Tadeu Porto é editor do Cafezinho e diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense e da Federação Única dos Petroleiros 

Via “O Cafezinho”

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