Pesquisadores da Unifesp são alvo de inquérito por simpósio sobre maconha

Pesquisadores da Unifesp são alvo de inquérito por simpósio sobre maconha

Segundo a agência reguladora, a inclusão não altera as regras para importação de medicamentos com canabidiol ou outros extratos da maconha.

O 5º Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes aconteceu em maio de 2017Divulgação / Polícia Federal

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está sendo investigado por apologia ao crime, durante o 5º Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes, que ocorreu em maio do ano passado. Eles prestaram depoimento no 16º Distrito Policial (DP), na Vila Clementino, zona sul paulistana, na quarta-feira (21).

O Ministério Público decidiu abrir a investigação porque os organizadores do evento convidaram Geraldo Antonio Baptista para palestrar em uma das mesas. Conhecido como Rás Geraldinho, ele está preso desde 2013, condenado por tráfico de drogas. Geraldinho é fundador de uma igreja de denominação rastafari em Americana, no interior paulista. A filosofia religiosa utiliza a maconha como parte de seus rituais.

Os pesquisadores pediram autorização judicial para que Geraldo pudesse comparecer ao simpósio. A Justiça, no entanto, negou o pedido e o evento aconteceu sem a participação do religioso. Ele deveria falar sobre o uso ritualístico da substância.

Universidade defende pesquisador

Hoje (23) a Unifesp divulgou nota em defesa do professor Elisaldo Carlini, um dos investigados no caso. No comunicado, a instituição destaca o extenso currículo do docente, de 88 anos, que já foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas. Além disso, o texto enfatiza que Carlini foi citado “12 mil vezes em pesquisas científicas nacionais e internacionais” relacionadas ao uso da maconha.

A universidade considerou a intimação do pesquisador como um ataque ao seu trabalho. “Carlini vem sendo criminalizado em função de sua pesquisa sobre drogas medicinais à base de Cannabis sativa, pela qual é internacionalmente reconhecido”, enfatiza a nota.

Outro pesquisador da Unifesp, Renato Filev, que também participou da organização do simpósio, se defendeu e disse que os responsáveis pelo evento agiram de boa fé. “A gente achou que não estava cometendo nenhum tipo de crime, se a gente está pedindo autorização judicial, para o juiz”, ressaltou.

Para Filev, o inquérito acabará sendo arquivado, uma vez que Geraldo sequer chegou a ir ao evento. Para ele, a situação é parte das distorções criadas pela atual legislação de drogas.

“A lei, por mais que tenha vindo em uma tentativa de melhorar a lei anterior, ela de fato piorou. A gente tem um super encarceramento após ela: duas em cada três mulheres estão presas por tráfico. Aumentou em mais de 500% as prisões por tráfico no país. Essa lei de drogas está sendo muito maléfica e pouco discutida”, criticou o pesquisador ao se referir sobre a legislação que entrou em vigor em 2006.

Segundo a agência reguladora, a inclusão não altera as regras para importação de medicamentos com canabidiol ou outros extratos da maconha.

O 5º Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes aconteceu em maio de 2017Divulgação / Polícia Federal

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está sendo investigado por apologia ao crime, durante o 5º Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes, que ocorreu em maio do ano passado. Eles prestaram depoimento no 16º Distrito Policial (DP), na Vila Clementino, zona sul paulistana, na quarta-feira (21).

O Ministério Público decidiu abrir a investigação porque os organizadores do evento convidaram Geraldo Antonio Baptista para palestrar em uma das mesas. Conhecido como Rás Geraldinho, ele está preso desde 2013, condenado por tráfico de drogas. Geraldinho é fundador de uma igreja de denominação rastafari em Americana, no interior paulista. A filosofia religiosa utiliza a maconha como parte de seus rituais.

Os pesquisadores pediram autorização judicial para que Geraldo pudesse comparecer ao simpósio. A Justiça, no entanto, negou o pedido e o evento aconteceu sem a participação do religioso. Ele deveria falar sobre o uso ritualístico da substância.

Universidade defende pesquisador

Hoje (23) a Unifesp divulgou nota em defesa do professor Elisaldo Carlini, um dos investigados no caso. No comunicado, a instituição destaca o extenso currículo do docente, de 88 anos, que já foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e membro do Conselho Econômico Social das Nações Unidas. Além disso, o texto enfatiza que Carlini foi citado “12 mil vezes em pesquisas científicas nacionais e internacionais” relacionadas ao uso da maconha.

A universidade considerou a intimação do pesquisador como um ataque ao seu trabalho. “Carlini vem sendo criminalizado em função de sua pesquisa sobre drogas medicinais à base de Cannabis sativa, pela qual é internacionalmente reconhecido”, enfatiza a nota.

Outro pesquisador da Unifesp, Renato Filev, que também participou da organização do simpósio, se defendeu e disse que os responsáveis pelo evento agiram de boa fé. “A gente achou que não estava cometendo nenhum tipo de crime, se a gente está pedindo autorização judicial, para o juiz”, ressaltou.

Para Filev, o inquérito acabará sendo arquivado, uma vez que Geraldo sequer chegou a ir ao evento. Para ele, a situação é parte das distorções criadas pela atual legislação de drogas.

“A lei, por mais que tenha vindo em uma tentativa de melhorar a lei anterior, ela de fato piorou. A gente tem um super encarceramento após ela: duas em cada três mulheres estão presas por tráfico. Aumentou em mais de 500% as prisões por tráfico no país. Essa lei de drogas está sendo muito maléfica e pouco discutida”, criticou o pesquisador ao se referir sobre a legislação que entrou em vigor em 2006.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-02/pesquisadores-da-unifesp-sao-alvo-de-inquerito-por-simposio-sobre-maconha

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