Com obras atrasadas e falta de medicamentos, organizações denunciam sucateamento da s

Com obras atrasadas e falta de medicamentos, organizações denunciam sucateamento da s

Saúde pública

Fortalecimento do Sistema Único de Sáude (SUS) é apontado como alternativa à crise

Juca Guimarães |
Frente Pemanente da Saúde do MT faz denúncia contra má-gestão
SISMA-MT

Obras atrasadas, falta de medicamentos e retenção de verbas ameaçam a saúde pública em Mato Grosso. Para denunciar esta situação, movimentos e sindicatos integrantes do Fórum Permanente da Saúde de Mato Grosso realizaram nesta terça (27) ato em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) em frente à Assembleia Legislativa estadual.

O esfacelamento da saúde no estado é consequência da falta de planejamento e má gestão dos recursos públicos. É o que avalia o médico Reinaldo Gaspar Mota, mestre em saúde coletiva e membro do Conselho Estadual de Saúde do Mato Grosso.

“Faltam leitos, nós temos várias obras paradas. Temos um hospital universitário, o Júlio Muller, para 250 leitos aqui na capital [parado]. Temos R$ 85 milhões já repassados pela União e o estado, simplesmente, não executa o projeto”.

O atraso nos repasses de verbas repercute também no atendimento à população. Em Cárceres, município localizado a 214 km da capital Cuiabá e que possui a 4ª maior criação de gado do Brasil, hospitais não conseguem realizar exames laboratoriais.

“Sem isso, a gente não consegue ter diagnóstico, não consegue ter procedimentos, não consegue levar saúde à população”, alerta Mota.

A implantação de políticas públicas como o programa Mais Médicos do governo federal, apesar de amenizar a situação, não resolveu o problema de falta de pessoal. Segundo levantamento do Fórum Permanente, o governo estadual não abre há 15 anos concurso público direcionado à área de saúde.

O uso abusivo de agrotóxico na produção de soja é outro fator que contribui para a fragilização da saúde pública. Para João Dourado, membro do Conselho Estadual de Saúde do MT e presidente estadual da CUT(Central Única dos Trabalhadores). “O índice de [casos de] câncer aumentou substancialmente no estado em decorrência do agrotóxico. Tudo isso gira em torno de um modelo de agronegócio que pouco beneficia o estado em termos de políticas sociais e ainda contamina os trabalhadores”.

O Fórum Permanente alerta ainda para estudo realizado pelo pesquisador Vagner Sores, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo constatação da pesquisa publicada em 2012, cada dólar gasto em agrotóxico pode gerar aos cofres públicos um investimento adicional de 1,28 dólar com a saúde dos trabalhadores intoxicados.

27 27America/Sao_Paulo Fevereiro 27America/Sao_Paulo 201817:46

Via Brasil de Fato

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