Sem atendimento nas aldeias, Pataxó ocupam Pólo Base de Saúde no extremo sul da Bahia

Sem atendimento nas aldeias, Pataxó ocupam Pólo Base de Saúde no extremo sul da Bahia

Atendimento médico

“São dois veículos para cobrir 22 aldeias e atender 5 mil indígenas” explica Valmir Pataxó, vice-presidente do Condisi

Renato Santana |
Cacique Aruã Pataxó, em Brasília: povo costuma cumprir agendas na Capital Federal. “Governo não pode dizer que não sabe dos nossos problema”
Guilherme Cavalli/Cimi

A pequena Pataxó apresentava sintomas na noite desta segunda-feira, 5, que não deixaram alternativa aos pais: da aldeia Nova Esperança, a criança deveria ser encaminhada para o hospital de Itamaraju, extremo sul baiano. Sem veículo próprio, a família precisou pagar pelo transporte até o atendimento médico. “São dois veículos para cobrir 22 aldeias. Vivem quebrados. Então não se consegue transportar os pacientes ou levar os médicos às comunidades”, explica Valmir Pataxó, vice-presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígenas (Condisi) da Bahia.

O episódio é utilizado pelo indígena para ilustrar os motivos que levaram cerca de 90 Pataxó a iniciar uma ocupação à sede do Pólo Base de Saúde, em Itamaraju, na manhã de ontem. A mobilização começou logo cedo “e não há previsão de acabar. Pedimos a presença da coordenadora do DSEI (Distrito Especial de Saúde Indígena) e do MPF (Ministério Público Federal) de Teixeira de Freitas. Caso não tenha uma solução, vamos fechar a BR-101 e para isso temos mobilizados cerca de 400 indígenas”, diz Valmir Pataxó. Ficou marcada para sexta-feira, 9, uma reunião com o Conselho Local do Pólo Base e a coordenadora do DSEI, Mônica Corrêa Marapara. A ocupação seguirá normalmente até o encontro, garantem os Pataxó.

Conforme Valmir Pataxó, os 5 mil indígenas dos territórios de Barra Velha, Cumuxatiba (antiga Cahy-Pequi) e Pataxó Hã-hã-hãe de Alcobaça sofrem com problemas que envolvem a falta de transportes, ausência de equipe médica nas áreas, contratos para vigilância e serviços gerais vencidos há cerca de dois anos. “É lixo espalhado para todos os lados, da entrada do Pólo chegando nas salas. Quem trabalha e quem é paciente têm de conviver com isso ou limpar, como acaba acontecendo na maior parte das vezes”, salienta Valmir.

Para o presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia (Finpat), o cacique Aruã Pataxó, a situação beira a inexistência do serviço. Comentando a respeito dos chamamentos públicos em curso para a ampliação da terceirização, como forma de melhorar o serviço, Aruã acredita que o processo é uma “enganação, carta marcada. A Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) contrata quem eles bem entendem, demitem funcionários. Nenhuma consulta aos povos”.

O Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), com sede no Recife (PE), é a conveniada da Sesai que presta serviços de saúde na região. Nas última semanas, uma onda de demissões de funcionários do Pólo Base acabou tornando o serviço ainda mais precário. “Nesta segunda feira, a Sesai, por meio do IMIP, fez demissão de vários funcionários no Pólo Base, 01 médico (Barra Velha) 3 enfermeiras (Bruna, Flávia e Nilzete) e 03 agentes de saúde indígena (Barra Velha) e 01 agente (Coroa Vermelha)” (SIC), denunciou o povo pataxó em carta que circula nas redes sociais.

“Alegou pra gente que as demissões foram por questões técnicas. Mas todos sabem que é perseguição política a funcionários”, destaca Valmir Pataxó

Em sua defesa, o Imip comunicou aos indígenas que recebeu ordens da Sesai, que, por sua vez, “alegou pra gente que as demissões foram por questões técnicas. Mas todos sabem que é perseguição política a funcionários”, destaca Valmir Pataxó. Os municípios de Porto Seguro, Itamaraju e Prado estão no raio de ação do Pólo. São mais de 5 mil indígenas distribuídos em 22 aldeias. Em 2016, os Pataxó estiveram em Brasília e no Ministério da Saúde ouviram que os problemas seriam sanados, além de que 40 viaturas seriam enviadas ao Pólo Base. “Nada disso foi cumprido e estamos aqui para fazer valer o nosso direito”, frisa Luciaria Pataxó.

7 07America/Sao_Paulo Março 07America/Sao_Paulo 201810:46

Via Brasil de Fato

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