Durante Fórum Mundial da Água, Alckmin não reconhece culpa por crise hídrica em SP

Durante Fórum Mundial da Água, Alckmin não reconhece culpa por crise hídrica em SP

São Paulo

Pré-candidato à presidência da República, governador de São Paulo foi acusado de omissão pelas Nações Unidas em 2014

José Eduardo Bernardes |
Condenação das Nações Unidas pela crise hídrica em São Paulo é improcedente, diz Geraldo Alckmin
Agência Brasil

A Sabesp, estatal de saneamento e distribuição de água do governo de São Paulo, é uma das patrocinadoras do 8º Fórum Mundial da Água (FMA), que acontece em Brasília até o dia 23 de março. No auge da crise hídrica que atingiu todo o estado paulista entre os anos de 2014 e 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) culpou a empresa e o governador do estado, Geraldo Alckmin, de omissão e falta de comunicação com a população sobre o tamanho da crise.

Questionado pela reportagem do Brasil de Fato se a condenação das Nações Unidas manchava a reputação da empresa, o governador e pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, que participou de uma mesa sobre gestão dos recursos hídricos no FMA na última terça-feira (20), disse que a afirmação é “improcedente”.

“A Sabesp é uma empresa extremamente aberta e a população teve uma resposta maravilhosa em São Paulo. Rapidamente conseguimos equacionar uma seca que foi a maior dos últimos 100 anos”, acredita.

A presidente da companhia à época, Dilma Pena, chegou a pedir dispensa do cargo, após o vazamento de áudios de uma reunião em que ela afirmava que superiores da empresa pediram que a Sabesp não alertasse a população sobre a falta de água. “‘Cidadão, economize água’. Isso tinha de estar reiteradamente na mídia, mas nós temos de seguir orientação, nós temos de seguir orientação, nós temos superiores, e a orientação não tem sido essa. Mas é um erro”, afirma Pena na gravação.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o ex-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, que acompanhou de perto a crise hídrica paulista, explica que “o que aconteceu em São Paulo foi uma retirada completa da autonomia dos órgãos gestores da Sabesp”.

“As questões gerais [da crise] já estavam visíveis no começo de 2014. Há diversos trabalhos apresentados pela Sabesp que são uma vergonha do ponto de vista técnico, impedindo que a gente [ANA] tomasse as medidas com mais antecedência”, afirma.

Geraldo Alckmin era o candidato à reeleição do governo paulista em 2014 – ganhou no primeiro turno com 57,3% dos votos – e segundo Andreu, este foi um dos motivos da omissão sobre os dados da crise para a população do Estado. “A orientação geral era de natureza política. Por exemplo, se falava em redução de pressão, que implicava concretamente em um racionamento de água. Jamais o governo do Estado de São Paulo assumiu publicamente que as pessoas na linha daquela rede, quase sempre pobres, estavam enfrentando racionamento. A condução da crise em São Paulo obedeceu exclusivamente os interesses eleitorais de 2014”, ressalta.

O governo de São Paulo atribui ainda à gestão da estatal a retomada dos níveis dos reservatórios de São Paulo, entre eles o Cantareira, o principal fornecedor de água para a região metropolitana. No auge da escassez de água, o reservatório chegou a ter apenas 3,3% de sua capacidade. Para o ex-presidente da ANA, no entanto, o período chuvoso de 2015 foi a solução para a falta de abastecimento do estado.

“Se trabalhou muito no sentido de esconder a dimensão da crise e depois, com a chegada das chuvas no final de 2015 para 2016, houve a venda de uma solução, dizendo que a crise tinha acabado por conta da competência, do que foi feito, isso também não é verdade. Isso é ruim como mensagem para as pessoas. O que aconteceu é que felizmente houve chuvas”, reforça.

Além da estatal de São Paulo, o Governo do Distrito Federal (GDF), que também enfrenta, desde janeiro deste ano, uma grave crise de abastecimento, injetou grande aporte de recursos para a realização do Fórum Mundial da Água. Empresas como a Ambev, a Coca-Cola e a Nestlé, interessadas na gestão do recurso, também estão presentes entre os patrocinadores do evento.

22 de Março de 201811:31

Via Brasil de Fato

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