“O mecanismo” para sucumbir o poder que emana do povo

“O mecanismo” para sucumbir o poder que emana do povo

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Objetivo é evitar segundo turno eleitoral com duas opções de projeto.

Jessy Dayane |
A tese principal da série é que o maior problema do Brasil é um “câncer” chamado corrupção.
Divulgação | Netflix

A série O mecanismo do Netflix, lançada na semana passada, promete retratar as investigações da Lava Jato. Com um roteiro frágil, absolutamente parcial e infiel à realidade, a série representa na verdade mais um “mecanismo” de convencimento ideológico, em especial para a juventude, acerca da crise política do país.

A tese principal da série é que o maior problema do Brasil é um “câncer” chamado  corrupção. Paralelamente ao lançamento da série e seu conteúdo, os olhos do Brasil estavam voltados para o TRF4 que, nesta segunda (26) negou o recurso da defesa do presidente Lula no caso do triplex. Reafirmou-se uma condenação sem provas e uma farsa jurídica que é parte do roteiro do golpe.

Assim, a partir de 04 de abril, caso o STF negue o pedido de habeas corpus de Lula, poderá ocorrer a prisão da maior liderança popular do Brasil. Esse é “o mecanismo” para combater a corrupção? A corrupção é a verdadeira razão da prisão?

Desde o golpe de 2016 que destituiu a presidenta Dilma, eleita democraticamente pelo povo brasileiro, estamos vivendo a implementação de um programa que faz o país voltar  a um tempo de miséria, desemprego, aprofundamento da desigualdade social, falta de oportunidades para a juventude, aumento da violência, censura política e cultural, avanço do autoritarismo, submissão total do Brasil aos interesses estrangeiros e total desprezo às necessidades da nação. 

Todos esses retrocessos traduzem as consequências da aprovação da Emenda Constitucional 95, que restringiu drasticamente os gastos sociais por 20 anos, da reforma trabalhista, das privatizações, intervenção militar no RJ e bárbaras mudanças no ensino médio – que agora querem à distância para a juventude pobre, obviamente.

No entanto, para dar continuidade a esse programa, os golpistas precisam vencer a grande batalha de 2018, que são as eleições. Para vencê-la, porém, os golpistas encontram uma pedra no meio do caminho, chamada Luiz Inácio Lula da Silva, o operário e nordestino que lidera todas as pesquisas eleitorais, mesmo depois de uma forte campanha midiática – até da Netflix –  para desconstruir sua imagem e referência.

Embora a maquiagem de todo esse processo seja a desculpa da corrupção, os golpistas sabem que o povo já está bem esperto e atento às verdadeiras intenções do golpe, seja por ciência ou intuição. Pois, na prática, o povo vê que suas condições de vida pioraram desde o golpe que prometeu livrar o país da corrupção e da crise econômica. E a crise só se aprofunda, enquanto o combate à corrupção não toca em Michel Temer e Aécio Neves que tem gravações e provas contundentes de que são corruptos. E serão candidatos em 2018.

Sabemos que a corrupção é um grave problema no Brasil e ela deve ser combatida! Se comprovada, medidas legais devem ser tomadas contra os responsáveis pelos atos.

Porém, o problema gravíssimo da corrupção não pode ser usado como pretexto para ferir o poder que emana do povo! A única forma dos golpistas vencerem a eleição é no “tapetão”, retirando o projeto opositor da disputa e jogando a partida sozinhos. Por isso querem prender o presidente Lula sem provas, apenas com convicções.

Com a possibilidade de prisão do presidente Lula, os golpistas apostam numa dispersão das candidaturas progressistas, o que impossibilitaria, na visão deles, a materialização de uma candidatura com viabilidade eleitoral. 

O objetivo é evitar um segundo turno com duas opções de projeto para o povo decidir: o projeto das elites representando a continuidade do golpe ou o projeto das forças democráticas e populares que represente os interesses nacionais para a maioria. 

Considerando esse raciocínio, a eleição de 2018 é uma disputa política central para todos os lados, tanto para quem trabalha para continuidade do programa do golpe, quanto para quem luta contra os retrocessos que estão sendo impostos pelo mesmo golpe. E nesse sentido, a luta pela garantia da candidatura de Lula e contra sua prisão política e injusta se torna uma questão central para as lutadoras e lutadores do Brasil.

Além da questão das eleições livres e democráticas que está em jogo na possível prisão de Lula, ferir as garantias legais expressas na nossa constituição contra um ex-presidente abre precedentes para colocar em risco o conjunto das organizações e lideranças políticas no país. Soma-se a este fato o aprofundamento do fascismo, do ódio e da intolerância, que já podem ser constatados através das agressões que ocorreram na caravana Lula pelo sul.

Portanto, lutar contra a prisão política de Lula também é lutar pelo direito de fazer política livremente no Brasil e combater a perseguição e cerceamento dos que lutam por um Brasil justo, soberano e democrático!

*Jessy Dayane é militante do Levante Popular da Juventude. Sergipana, Jessy estuda Direito em São Paulo e milita no Movimento Estudantil. Hoje, conduz a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).

28 de Março de 201817:03

Via Brasil de Fato

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