Acusados no massacre de Pau D’Arco serão ouvidos em audiência pública

Acusados no massacre de Pau D’Arco serão ouvidos em audiência pública

Chacina

O momento mais aguardado é o depoimento de dois policias civis que confrontam a tese do policias militares

Lilian Campelo |
A operação para cumpimento de mandato de prisão realizada pelo policias resultou na morte de 10 trabalhadores rurais em Pau D’Arco, no Pará
Repórter Brasil / Divulgação

Nesta semana os policias civis e militares de estarem envolvidos no assassinado dos 10 trabalhadores rurais na fazenda Santa Lúcia em Pau D’Arco, no sul do Pará, ocorrido em 24 de maio de 2017, serão ouvidos em audiência de instrução e julgamento no Fórum de Redenção.

As audiências tiveram início na primeira semana do mês de abril, nesta foram ouvidas as testemunhas de acusação, na segunda as testemunhas de defesa e na terceira e última semana os acusados. A previsão é que interrogatório dos réus seja finalizado no dia 19, quinta-feira. Andreia Silvério, advogada da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Marabá, explica a importância das audiências nessa fase do processo de investigação sobre o massacre de Pau D’Arco, como ficou conhecido.

“Esse momento de instrução e julgamento ele é importante porque é um momento que pela primeira vez os acusados, as testemunhas todas elas falam diretamente para o juiz. E ele, posteriormente, vai dar a decisão sobre enviar essas pessoas para um tribunal do júri ou não”, afirma.

As audiências de instrução e julgamento é uma sessão pública e conta com a presença e participação dos advogados, testemunhas e auxiliares da justiça.

Pela manhã duas testemunhas da defesa dos policiais foram ouvidas. Em um dos momentos da audiência o promotor de justiça, Leonardo Caldas, questionou a uma delas se era “normal em uma operação [policial] sair mais mortos do que pessoas pressas”, a testemunha respondeu que não.

Outro questionamento feito pelo promotor às testemunhas, ambos policias, foi sobre a importância de uma preparação para a realização de uma operação do porte que estava sendo executado. Em entrevista ao Brasil de Fato o promotor explicou porque insistiu na pergunta.

“Sem levantamento prévio, sem qualquer tipo de planejamento, e os policiais que saíram daqui de Redenção para cumprir o mandado sequer sabiam quem eram os alvos, então é complicado imaginar que uma operação dessa poderia ser exitosa”, argumenta.

A operação que resultou na morte de nove homens e uma mulher e levou 29 policias até a fazenda Santa Lúcia tinha como objetivo o cumprimento de 14 mandados de prisão temporária e preventiva.

À tarde serão ouvidos pelo juiz os 17 policias, sendo quatro civis e 13 policias militares. O momento mais esperado da oitiva é o depoimento do Delegado da Polícia Civil Valdivino Miranda da Silva Júnior, e o investigador Raimundo Nonato de Oliveira Lopes. Ambos procuraram a Policia Federal e o Ministério Público e estão colaborando com a investigação e confrontam a tese apresentada pelos policiais, na qual sustentam que houve confronto entre os PMs e os sem-terra.
 

16 de Abril de 201814:48

Via Brasil de Fato

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