Como reagir a um feedback negativo

Como reagir a um feedback negativo

Pode parecer díficil, mas você precisa enxergar o feedback negativo como um grande presente para a sua carreira.

Muitas pessoas já passaram por isso: o seu chefe marca uma reunião e você sabe que será um momento de tensão. Algo deu errado na última conversa ou o desenrolar do projeto que você era responsável não foi o que ele esperava.

Porém, você pode encarar essa situação com menos ansiedade. Ou melhor, você pode se preparar para ela.

Quando somos confrontados, temos uma resposta imediata e fisiológica: nós ficamos mais tensos, nossa respiração se torna rápida e superficial, e nosso ego fica tão ameaçado que começa a limitar o nosso cérebro de receber a informação que é fornecida.

Nós queremos nos proteger e evitar ouvir críticas mais duras. Mas qual a importância de um feedback negativo? E como lidar com essas críticas?

Talvez, receber um feedback negativo seja conhecido como uma experiência ruim simplesmente porque nós não nos esforçamos para dar um feedback que, por mais que contenha críticas, seja de alguma forma construtivo – e não apenas deixe o profissional desestabilizado ou inseguro – , como sugere um estudo feito em 2017 por pesquisadores da Universidade de Harvard.

No mercado de trabalho, é comum almejar cargos de lideranças. Mas as pessoas que ocupam essa posição precisam entender que a maior de suas responsabilidades é zelar pelo desenvolvimento dos profissionais que fazem parte do seu time. Não basta apenas atingir metas, mas é preciso desenvolver as pessoas que estão ali. E o feedback é uma ótima estratégia nesse processo.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, Cecília Barretto, coach de vida e carreira especializada em neurosciência, listou algumas dicas que vão te ajudar a valorizar um bom feedback.

Quem efetua o feedback

Na hora de dar o feedback, existem algumas técnicas que tornam esse momento mais efetivo. A mais importante delas é usar a ideia da comunicaçãonãoviolenta.

Lembre-se do esquema: fato -> impacto -> pedido/solução
Entenda a seriedade e a responsabilidade daquele momento.
Procure ser específico.
Traga detalhes, fale com clareza, trabalhe em cima de fatos.
Evite dá espaço para interpretações dúbias.

Para isso, é preciso se concentrar nos fatos. Por exemplo, um dos argumentos pode ser o de que o profissional é desatento. Mas o que ele pode efetivamente fazer com essa informação? Não raro, ao ouvir uma crítica, as pessoas ativam os seus mecanismos de defesa e repudiam aquela informação. Acaba, então, que o feedback não funciona.

É preciso evitar rótulos e críticas generalizadas no momento do feedback. Comece a partir de um fato. Por exemplo, durante a conversa com o profissional, relembre o dia em que ele usou o celular na reunião e isso o desconcentrou. É um fato concreto. Você lembra o motivo do seu incomôdo.

Após deixar claro o que aconteceu, comece a analisar as consequência disso. Usar o celular na reunião, por exemplo, atrapalha a produtividade do time, é preciso interromper a reunião para explicar o que já foi dito e o profissional deixa de interagir com os colegas.

Depois disso, uma crítica que antes era generalizada, é transformada em um fato e, depois, em um pedido.

Peça para que o profissional evite usar o celular na reunião, por exemplo. Isso não quer dizer que o problema geral (a desatenção) será solucionado, mas a pessoa vai receber essa informação de uma forma melhor e, a partir disso, entender o que ela pode fazer para evoluir.

Se você é o responsável por efetuar os feedbacks, é preciso prestar atenção nos ciclos formais do seu local de trabalho. Se as reuniões de desempenho são mensais, trimestrais ou semestrais, não importa. Lembre-se que não é preciso esperar esse momento para dar uma dica ao profissional.

“O feedback just in time é fácil e não precisa ser doloroso. Apenas é preciso prestar atenção na hora de comunicá-lo e assim a pessoa terá mais clareza sobre o que melhorar”, defende Barretto.

Quem recebe o feedback

Pode parecer díficil, mas você precisa enxergar o feedback negativo como um grande presente para a sua carreira. Alguns feedbacks são superficiais e não cumprem esse papel, mas um bom feedback pode ser revolucionário.

“Gosto de uma frase que diz: quando eu me aceito, eu consigo mudar. Você não é perfeito. Se você tiver a sorte de alguém te mostrar onde estão seus calos, isso é muito bom para você conseguir evoluir. O feedback vira um monstro porque a gente leva as críticas para o pessoal”, explica a coach.

O mais importante a fazer quando se recebe um feedback negativo é evitar deixar que o emocional comande a situação. Procure não reagir e responder ao feedback de bate e pronto. Se você fizer isso, você estará ativando o seu mecanismo de proteção. Você vai vasculhar sua mente e vai achar uma justificativa para aquilo que lhe foi dito.

Mesmo que você tenha o ímpeto dessa reação, experimente ouvir e pensar, absorver de fato as críticas e avaliar se vale a pena responder aquele feedback. Ao reagimos imediatamente, estamos dando vazão a uma tentativa do nosso emocional de nos proteger e isso acaba nos limitando de entender em quais pontos a gente precisa melhorar.

Caso você tenha recebido um feedback muito vago, ou se algum ponto do que foi dito não ficou muito claro, não tenha medo de perguntar. Peça exemplos e construa estratégias para se desenvolver. Busque direcionar o momento do feedback para que seja algo construtivo para a sua carreira.

É preciso estar de olhos, ouvidos e coração bem aberto para não perder boas oportunidades por não saber reagir a críticas.

Lembre-se: não responda na hora.
Reflita sobre a conversa e as críticas. Caso sinta-se a vontade, compartilhe os pontos principais da conversa com quem você confia e peça opinião.
Não deixe o instinto reagir só porque a informação é diferente e te tira da zona de conforto. Não reaja automaticamente.
Mesmo após refletir sobre o que foi dito, se você achar que as críticas não fazem sentido, peça para ter uma nova conversa. O feedback sempre tem um aprendizado.
Você tem direito de não concordar com o que foi dito, mas procure sempre refletir no que é possível melhorar.

Como começar a prática do feedback

Em um ambiente de trabalho em que o feedback não é valorizado, é preciso lidar com as frustações de forma mais individualizada.

Caso você sinta falta de uma melhor orientação sobre o seu trabalho, solicite formalmente por um feedback. Procure um gestor, alguém com mais experiência, ou até mesmo um colega ou uma pessoa a quem você se reporta.

Crie esse ambiente. O ideal é que parta da própria empresa, e que todos os funcionários passem a valorizar isso. Mas é possível começar de pouquinho em pouquinho, criando esse canal com algumas pessoas.

“É muito importante receber um bom feedback, pois essa é a única forma de se desenvolver. Quem é elogiado 100% do tempo se considera um profissional pronto? Mas isso existe? Ter uma pessoa com experiência e que possa te direcionar vai tornar esse caminho do autoconhecimento mais fácil”, explica Barretto.

Ana Beatriz Rosa

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