“Sem fiscalização, o poder legislativo perde sua autonomia”, diz Goura

“Sem fiscalização, o poder legislativo perde sua autonomia”, diz Goura

Eleições 2018

Vereador Jorge Brand, o Goura (PDT), é recordista de pedidos de informação na Câmara de Curitiba

Ana Carolina Caldas |
“Hoje temos 3 nutricionistas atendendo mais de 120 mil alunos da rede municipal de ensino. O ideal seriam 56”, diz Goura
Joka Madruga

Curitibano, nascido em 1979, Jorge Brand, o Goura,  tem seu nome associado ao movimento cicloativista da cidade. Participou da fundação e dirigiu por dois períodos a CicloIguaçu, Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu; foi assessor de Mobilidade da Setran da Prefeitura de Curitiba e foi eleito vereador, com 6.573 votos.

Em entrevista exclusiva para o BdF, Goura conta um pouco de suas lutas políticas e próximos passos:

Brasil de Fato – Você tem se destacado pelo número de pedidos de informações que tem feito à Prefeitura. De que forma tem deixado claro a função da fiscalização em seu mandato?

Uma das ferramentas de fiscalização são os pedidos de informação. A Prefeitura tem obrigação de responder em 15 dias. Um exemplo é a pesquisa que fizemos no Diário Oficial, que é um dos nossos hábitos, e lá descobrimos a contratação pela Prefeitura de um músico gospel por 25 mil reais, sem licitação. Imediatamente enviamos um pedido e divulgamos nas redes sociais e à imprensa. A outra ponta da fiscalização é dar transparência à população que tem o direito de saber. No ano passado fizemos 82 pedidos. Neste primeiro semestre, a Câmara Municipal, como um todo, fez 250 pedidos, sendo que 52 foram feitos por nosso mandato. Além de nos dar subsídios para saber das intenções do Prefeito, nem sempre tão claras, é possível também transformar estas informações em denúncias ao Ministério Público. Sem fiscalização, o poder legislativo perde sua grandeza, sua autonomia e independência.

Entre suas pautas, está o cicloativismo. Como isso pode chegar até os bairros periféricos? Porque muitas vezes é um tema que fica apenas no centro da cidade.

Curitiba é uma cidade bastante favorável à mobilidade por bicicleta, pois 84% do nosso território é plana. No entanto a ação do Prefeito Rafael Greca tem reforçado um desprezo a mobilidade por bicicleta, dando primazia ao automóvel. O que é bastante estranho vindo de um político que fez sua campanha dizendo ser urbanista. Desde 2017 pedimos estudos sobre a viabilidade cicloviária para bairros como o Sitio Cercado, CIC, e o pedido de implantação de ciclofaixa na República Argentina com Winston Churchil, que é caminho prioritário para a Região Sul. Por mais que o movimento cicloativista seja um movimento reconhecido como de classe média, estamos fazendo nosso papel de que isso vá para eixos onde a população de baixa renda se encontra.

A respeito do debate da merenda escolar, em que você defendeu a inserção de alimentos mais saudáveis, quais os avanços e as principais dificuldades encontradas?

O que fizemos foi trazer o debate sobre o contrato com a empresa que oferece a merenda, a Risotolândia. Questionamos o contrato e a abrangência. Cito alguns exemplos: A rede municipal de ensino conta apenas com 3 nutricionistas para mais de 120 mil alunos. O Conselho de Nutrição afirma que o número ideal deveria ser de 56. Entendemos que essa discussão precisa ser mantida até que questões como essa sejam resolvidas. Temos defendido a remunicipalização da merenda, para que as escolas voltem a ter as merendeiras, voltem a ter a comida preparada na escola e também contemplar a agricultura orgânica e familiar. Nossa proposta de fazer uma Comissão Especial para discussão da merenda não foi aceita pelos demais vereadores e seguimos insistindo neste tema.  Vamos ter uma nova licitação deste contrato e estamos cobrando que melhorais e arranjos sejam feitos. Como, por exemplo, excluir açúcar refinado e embutidos na lista.

3 de agosto de 201812:30

Via Brasil de Fato

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