Sobrevivente de abordagem policial desastrada diz que PMs já chegaram atirando

Sobrevivente de abordagem policial desastrada diz que PMs já chegaram atirando

Carro em referência a Sobrevivente de abordagem policial em Campos Sales contesta versão dada por Secretaria da Segurança

A abordagem policial deixou um jogador de sinuca morto e dois feridos (FOTO: Reprodução/ Whatsapp)

Um dos sobreviventes do caso da abordagem policial que resultou na morte do jogador de sinuca José Messias Guedes de Oliveira contestou versão divulgada pela Secretaria da Segurança do Ceará (SSPDS), de que ele havia acelerado o veículo durante a ordem de parada de policiais.

Gutiele Pereira de Araújo comenta que não tirou o carro da via em nenhum momento. “Até quando eu tava de cabeça baixa, em fração de segundos, por causa dos disparos, ele ia na minha mão”.

Ele demonstra indignação ao ser questionado pelos policiais sobre a pessoa ferida. “Quando eu falei ‘tem um menino ferido, vamos socorrer o rapaz’, um dos policiais disse ‘De que?’. Me deu uma indignação grande na hora”.

Segundo a SSPDS, os sinais sonoros da viatura foram acionados, mas o grupo não parou e os tiros começaram quando o carro acelerou em direção às viaturas.

O vice-presidente da Federação Paraibana de Sinuca e Bilhar, José Gonzaga, comenta que as investigações devem ser mais intensas para apurar a falha policial. “Até agora são só meras especulações da polícia se autodefendendo de uma falha que eles cometeram baseado em nada. Foi uma chacina, eles atiraram para depois falar”.

De acordo com o delegado da Polícia Civil de Campos Sales, Bruno Fonseca, 17 policiais participaram da ação, mas os tiros foram efetuados por cinco. “O fato está sendo esclarecido, inclusive a instauração do inquérito ficou nesse intuito, se constatado algum excesso ou abuso por parte dos policiais militares deve haver a responsabilidade criminal. Também foi aberto um procedimento administrativo na Controladoria Geral de disciplina (CGD) pra verificar a conduta”.

O Coronel do Exército Walmir Medeiros, especialista em segurança pública, comenta que vários fatores contribuíram para tragédia, mas reforça que deve haver um preparo maior dos profissionais da segurança. “Me pareceu que foi uma soma de fatores que conduziram para o resultado trágico. A polícia tá combatendo uma violência no extremo, e quando a gente opera no extremo a chance de erro é maior”.

O torneio que as vítimas participariam segue até sábado (4), no Maranhão. A organização fará uma homenagem à José Messias durante o evento.

Entenda o caso 

O caso aconteceu na última quarta-feira (1), quando quatro amigos saíram da Paraíba em direção ao Maranhão para participar de um campeonato de sinuca. Durante o percurso, decidiram parar na cidade de Antonina do Norte, próximo a Campos Sales, para abastecer o veículo em um posto de gasolina. O frentista confundiu os tacos de sinuca que estavam dentro do carro com armas e acionou a polícia.

Segundo o delegado da Polícia Civil de Campos Sales, Bruno Fonseca, o veículo não obedeceu aos comandos de abordagem dos policiais. “Os policiais decidiram acompanhar até a entrada da cidade de Campos Sales”, informou em entrevista ao Tribuna do Ceará.

Ao chegar à entrada da cidade, o grupo não parou na barricada e os policiais iniciaram os disparos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os policiais militares fizeram uma vistoria no veículo e não encontraram armas, nem nada de suspeito. O “fuzil” que o frentista teria visto provavelmente seria uma mala com tacos de sinuca dos competidores.

Confira a matéria de Roberta Almeida para Rede Jangadeiro FM:


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Tribuna do Ceará3 de agosto de 201812:46Publicado primeiro em TRIBUNA DO CEARÁ

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