Maria da Costa: “Na marcha, sempre voltamos sabendo mais do que quando chegamos”

Maria da Costa: “Na marcha, sempre voltamos sabendo mais do que quando chegamos”

Marcha Lula Livre

Atuante no setor de saúde do MST, Maria sonha em cursar medicina e se especializar em medicina alternativa

Mariana Pitasse |
“Desta vez estamos dando conta de tudo, não precisamos encaminhar ninguém ainda para os hospitais”, explica Maria, do setor de Saúde do MST
José Eduardo Bernardes

Quem se sente indisposto durante o percurso percorrido durante a Marcha Nacional Lula Livre tem apoio no Setor de Saúde, organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Entre os que estão sempre prontos para prestar o auxílio necessário a quem precisar, está Maria Ferreira da Costa, de 47 anos, com suas diferentes combinações de remédios à base de plantas e massagens terapêuticas, conhecida como “fórmulas mágicas” pelos marchantes.

“Toda marcha é uma troca de conhecimento, sempre voltamos sabendo mais do que quando chegamos porque estamos compartilhando conhecimento. Nossa estrutura melhora cada vez por conta disso. As pessoas também estão mais informadas, seguindo nossas orientações. Neste ano estamos dando conta de tudo, ainda não precisamos encaminhar ninguém ainda para os hospitais”, explica Maria, que mora no Assentamento Che Guevara, que fica em Citrolândia, no estado do Mato Grosso do Sul.

Maria começou a estudar as plantas medicinais e primeiros socorros pouco depois de entrar para o MST. Como ela mesma destaca, por acaso. Ela se integrou ao movimento em 2002 e, um ano depois, após passar por diversos setores, foi designada para compor o Setor de Saúde durante outra grande marcha realizada pelo MST em Brasília, em 2003.

“Eu media a pressão e indicava prevenções, mas não medicava. Quando voltei para casa, no final da marcha, a coordenação estadual entendeu que eu levava jeito para a coisa e me indicaram para fazer parte do coletivo estadual de saúde”, acrescenta.

Ao assumir a nova função, Maria se sentiu na obrigação de aprender a ler e escrever. Natural de Rio Brilhante, cidade do interior do Mato Grosso do Sul, Maria tem outros 20 irmãos e por ter que ajudar seus pais desde muito nova, não conseguiu frequentar a escola. 

“Aprendi muita coisa por conta própria e depois comecei a ir as aulas no colégio. Hoje estou prestando a prova do Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), que serve como certificado do Ensino Médio”, explica.

Além disso, Maria teve aulas de informática, fez cursos de especialização em medicina alternativa e produção de fitoterápicos. Também se tornou conselheira municipal de saúde, no início dos anos 2000, para, em seguida assumir uma cadeira no conselho estadual e representar seu estado nas audiências sobre saúde pública.

Maria se autodenomina como educadora popular e não para por aí. “Depois de conseguir o diploma do Ensino Médio, vou cursar faculdade de medicina e me tornar médica, especialista em medicina alternativa. Tenho muito orgulho do que faço e quero poder continuar ajudando as pessoas”, explica animada.

12 de agosto de 201811:30

Via Brasil de Fato

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