MST do Ceará conquista novos assentamentos e escolas do campo com ação local

MST do Ceará conquista novos assentamentos e escolas do campo com ação local

REFORMA AGRÁRIA

Mesmo com avanço do golpe, MST do Ceará tem conseguido se articular para reforçar direitos de trabalhadores rurais

Camila Maciel e Beatriz Pasqualino |
Segundo o MST, o estado tem cerca de 3 mil famílias acampadas.
Brasil de Fato

A Marcha Nacional Lula Livre carrega muitas histórias de resistência e luta por entre as fileiras que formam o movimento. Apesar dos retrocessos na política agrária após o golpe de 2016, alguns estados têm insistindo em enfrentamentos que levam à garantia de direitos fundamentais nas regiões. Pedro Neto, da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Ceará, conta que foram conquistados avanços como a construção de escolas no campo e compra de áreas para assentar famílias acampadas há mais de dez anos.

“Hoje temos em média dez escolas de nível médio no campo e são estruturas fisicamente boas. Em alguns municípios chega a superar as estruturas de escolas na cidade. Mas não é só isso, a própria política de educação, o método é a pedagogia do MST, da educação do campo e a gente tem conseguido avançar em quase todas as regiões nossas e ainda temos processos de outras para implementar”, contou em entrevista ao Brasil de Fato durante a Marcha Lula Livre.

Uma dessas escolas está sendo construída no Assentamento Nova Canaã, no município de Quixeramobim, que completou 15 anos em julho. Gerlan Cristino da Silva, 38 anos, é morador do assentamento há 7 anos, quando se casou com uma assentada e mudou para lá. Ele avalia que as escolas serão uma oportunidade para jovens que só conseguem estudar até o 9° Ano do Ensino Fundamental na escola rural. “Muitos não vão para a cidade. Preferem ficar aqui e não estudam mais. Agora todo mundo vai sair capacitado já”, comemora o agricultor.

Segundo o MST, o estado tem cerca de 3 mil famílias acampadas. “Algumas áreas ficam no sertão e outras no centro do agronegócio, na região da Chapada do Apodi. Lá também tem acampamento que pega muitos entornos de várias comunidades e essas situações ainda são muito difíceis de ter uma solução pra resolver essas áreas”, relatou Pedro Neto. Ele lembra que, por causa da disputa com grandes produtores de monocultura, esta é umas das regiões mais conflituosas no estado.

Neto destaca ainda que as disputas no estado também estão relacionados à água. “Uma região de semiárido que passou por mais de seis anos de seca e esse conflito por água tem aumentado nas comunidades, especialmente onde são feitas as estruturas para chegar água a todas as produções do agronegócio, passando por comunidades e não deixando nada para elas”, criticou.

Apesar dos conflitos, ele avalia que o MST no estado tem conseguido, por meio do diálogo com outros movimentos e do próprio Poder Público, mediar, impedindo que camponeses sejam mortos. “Tem ameaças, tem companheiros que são constantemente processados, mas a gente, com a nossa organização, tem conseguido evitar isso”, apontou Neto.

Diálogo com a cidade

O dirigente do MST falou também sobre a relação do movimento com a cidade. Para ele, essa integração deve se dar não só pela oferta de produtos agroecológicos, mas também pelo envolvimento com as lutas urbanas. “Especialmente a luta por moradia que no último período tem sido bastante difícil de se fazer quando não há políticas de governo para isso”, apontou.

Em relação à produção de alimentos, o Assentamento Nova Canaã é um exemplo de produção diversificada que só a agricultura é capaz de oferecer. “Feijão, milho, batata, jerimum, melancia, de tudo um pouco”, apontou Gerlan Silva. E, agora, o assentamento terá também uma agroindústria para produção de derivados de leite. “Quixeramobim é a maior bacia leiteira do estado do Ceará e lá são 24 assentamentos e vai o leite todo para a agroindústria para ser fabricado o queijo, iogurte, diversas coisas”, comemorou.

13 de agosto de 201821:30

Via Brasil de Fato

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