Editora do Brasil de Fato PE é premiada e destaca a importância do jornalismo popular

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Reconhecimento

Monyse Ravenna recebeu, nesta terça-feira (14), o Troféu Mulher Imprensa na categoria Repórter de Jornal ou Revista

Júlia Rohden |
Jornalista e mestre em História Social, Monyse participa do jornal impresso do Brasil de Fato em Pernambuco desde sua fundação
Elisa de Paula/Imprensa Editorial

A editora do jornal impresso Brasil de Fato em Pernambuco, Monyse Ravenna, recebeu na noite desta terça-feira (14) o Troféu Mulher Imprensa na categoria Repórter de Jornal Impresso ou Revista. A premiação aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e homenageou 17 mulheres pela atuação profissional. Ao receber o prêmio, Ravenna destacou a importância de também premiar jornalistas que não atuam em grandes empresas de comunicação, mas em veículos de comunicação popular, como o Brasil de Fato. “Para ter uma democracia mais firme – para ter uma democracia, já que no caso do Brasil a gente não tem – é necessário uma imprensa com pluralidade de opinião e de vozes”, afirmou ao receber o prêmio.

Jornalista e mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Monyse ajudou a fundar o jornal impresso do Brasil de Fato em Pernambuco e atua como editora desde o início da publicação, há dois anos. A jornalista foi a única representante de um veículo nordestino na premiação e dedicou o troféu aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Queria dedicar esse troféu para a primeira presidenta eleita no Brasil, Dilma Rousseff, deposta em um golpe de estado, e também para o presidente Lula. Eu venho de um lugar onde os governos da presidenta Dilma e do presidente Lula fizeram muita diferença na vida do povo. Para ter uma democracia não podemos ter o principal candidato em todas as pesquisas preso. Lula Livre!”, disse. 

O prêmio

O prêmio Troféu Imprensa foi criado há 13 anos pela Revista e Portal Imprensa para valorizar o trabalho de mulheres jornalistas. Na primeira etapa, as profissionais foram selecionadas por um júri do Portal Imprensa. Depois, a votação foi feita on-line por júri popular entre os meses de abril e junho. Monyse concorreu na categoria com outras cinco profissionais de veículos como a Revista Piauí e o jornal Folha de S. Paulo.

Ela venceu com 50% dos votos e avalia que é importante participar de espaços como a premiação. “Seria uma premiação com narrativa única da grande mídia – fora algumas outras mulheres da imprensa alternativa. Acho importante ressaltar o papel das mulheres nas redações, porque ainda vivemos um processo estrutural no mundo do trabalho da exploração e invisibilidade do trabalho das mulheres, mas não pode ser só isso. É preciso pautar outros aspectos, como a democratização da comunicação, como a necessidade de pluralidade de vozes neste contexto de ausência de democracia”, avalia Ravenna.

Ela conta que enfrenta desafios diários enquanto editora do jornal que vão desde o financiamento do impresso até a conquista de confiança por ser uma mulher quem coordena o jornal. “Mesmo em veículos populares, nessa perspectiva de esquerda, a gente lida com machismo cotidianamente. Essa necessidade de desconstrução do machismo nas redações também é uma realidade para nós e precisamos pensar modos e maneiras de combater”, afirma

Gênero, raça e classe

A premiação também homenageou mulheres como Djamila Ribeiro, colunista da Carta Capital, Renata Fan, comentarista na TV Band e Andreia Sadi, repórter da Globo News. Em seu discurso, Djamila Ribeiro dedicou o troféu a todas as mulheres negras. “Sou uma mulher e negra. Se a invisibilidade é grande quando falamos do trabalho de mulheres, quando falamos de mulheres negras é ainda mais difícil”, ressaltou a filósofa autora dos livros O que é lugar de fala? e Quem tem medo do feminismo negro?.

Monyse Ravenna lembrou que a premiação era composta majoritariamente por mulheres brancas que atuam em grandes veículos da região sudeste. Para ela, o feminismo deve considerar as questões de gênero, mas também de raça e classe. “É esse feminismo com perspectiva de raça e classe que eu me identifico. Não adianta a gente só ser mulher e reproduzir uma ideologia neoliberal. Não adianta eu ser mulher, ter minha carreira de sucesso e achar que posso chegar onde eu quiser. Não posso chegar. A sociedade que a gente vive impõem muitos limites de onde podemos chegar”, conclui.

15 de agosto de 201817:00

Via Brasil de Fato

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