“Nem oposição nem base querem de fato Eunício reeleito”, diz Capitão Wagner

“Nem oposição nem base querem de fato Eunício reeleito”, diz Capitão Wagner

Capitão Wagner foi aliado de Eunício em 2014 e 2016. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Capitão Wagner foi aliado de Eunício em 2014 e 2016. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

As mudanças de posição política do presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) nos intervalos eleitorais estão rendendo problemas com situação e oposição no Ceará. O deputado estadual Capitão Wagner (Pros), aliado do senador em 2014 e em 2016, disse que o ex-apoiador foi “cooptado” pelo governador Camilo Santana (PT) e tenta “enganar o eleitor”. Para Wagner, Eunício perdeu aliados em ambos os lados: “Nem oposição nem base querem de fato Eunício reeleito”.

O presidente estadual do Pros foi entrevistado nesta quarta-feira (15) pelos jornalistas Fábio Campos e Wanderley Filho, no programa Focus.Jangadeiro, na Tribuna BandNews FM. Wagner falou também sobre a desavença política com o presidenciável Ciro Gomes (PDT) e acusou o Governo do Estado de ter vínculo com facções criminosas através de aliados.

Em 2016, quando Wagner perdeu a eleição para a Prefeitura de Fortaleza, sua candidatura era cogitada ao Governo do Estado dois anos depois. À época, o grupo de oposição ainda tinha como referência a candidatura de Eunício para disputar novamente com Camilo em 2018. O projeto do emedebista, assim como o da oposição no Ceará, foram desfeitos quando o senador se reaproximou do então adversário, em 2017.

“Em 2014, a oposição saiu muito fortalecida, a eleição para o governo foi disputada, e o suposto líder da oposição foi o primeiro a ser cooptado. A aproximação que houve foi uma tacada de mestre do governador”, disse Wagner sobre Eunício Oliveira.

Ele reconhece que a oposição perdeu partidos e lideranças, citando como exemplo o PR, partido do qual saiu, com outros políticos, depois de a presidente estadual, Gorete Pereira, anunciar que integraria a base do governo.

“Alguns meses antes, eu presenciei, em Limoeiro do Norte, o Eunício dizer que sairia da política, mas não faria acordo com os Ferreira Gomes, até chamou o Ciro de ‘batedor de carteira’”, ressaltou Wagner.

“Reeleição difícil”

Para o candidato a deputado federal, ao se aliar ao grupo do governador, Eunício “está preocupado somente com a reeleição dele” para “garantir o foro privilegiado”. “Quando ele coloca um adesivo do Lula no peito, mesmo tendo votado pelo impeachment da Dilma, ele está preocupado em dizer pro eleitor que ele é amigo do Lula. Ele continua tentando fazer a política tradicional de enganar o eleitor”, criticou.

Capitão Wagner é candidato a deputado federal em 2018. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Capitão Wagner é candidato a deputado federal em 2018. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

O desgaste do senador não tem sido somente com a oposição. No grupo da situação, lideranças do PDT, como Ciro Gomes e Roberto Cláudio, têm negado apoio ou deixado o nome do senador de fora. No PT, a resistência é mais explícita, com recomendação do diretório nacional para que Camilo se explique sobre o apoio informal ao ex-adversário.

“Nem oposição nem base querem de fato Eunício reeleito. Se Cid e Ciro quisessem ele reeleito, estariam fazendo campanha para ele”, disse Wagner. Ele falou ainda que Eunício “deixou de ser útil” para o grupo político porque, no período eleitoral, não pode liberar verba no Congresso Nacional.

O deputado estadual confessou que desistiu de disputar cargo majoritário em 2018 pela falta de força na oposição. “A quantidade de partidos, que é insuficiente para viabilizar candidatura; e meu apoio a (Jair) Bolsonaro dificultou o PSDB a me apoiar nisso. Eu ficaria sozinho no Pros. Seria uma aposta muito audaciosa, sem ter capacidade de chegar a um interior distante”, ressaltou.

Ciro e facções

Questionado sobre entrevista de Ciro Gomes na Globonews, em que o presidenciável fez críticas a Capitão Wagner, incluindo-no no grupo que chama de “chefe de milícia”; Wagner disse que deve entrar com novo processo judicial contra o candidato.

“O estado do Ceará não tem milícia nesse formato que ele cita, que é o formato do Rio de Janeiro; temos sim facções, e essas facções têm vínculo com o governo do qual ele faz parte”, acusou. Wagner citou supostas ligações de deputados com grupos criminosos.

O deputado voltou a citar o deputado estadual Osmar Baquit, que integra a base do governo, como político ligado à chamada “quadrilha dos pipocas”, que seria responsável por roubo a bancos e a carros fortes no Ceará.

No ano passado, Baquit e Wagner bateram boca e trocaram acusações de envolvimento com práticas ilícitas na Assembleia Legislativa, quando discutiam a abertura da CPI do Narcotráfico.

“O controle do sistema penitenciario está nas mãos das facções. As comunidades mais carentes estão nas mãos das facções. Ele (Ciro) fala tanto em milícia que deveria lembrar que as facções tomaram conta do estado que o irmão dele (Cid) governou por oito anos e o Camilo conseguiu piorar”, disse o deputado estadual.

Confira a entrevista na íntegra:

AO VIVO: Tribuna Bandnews FM – Focus Jangadeiro | 15/08/2018

Wanderley Filho e Fábio Campos entrevistam o deputado estadual Capitão Wagner.

Posted by Tribuna Bandnews FM on Wednesday, August 15, 2018

Jéssica Welma15 de agosto de 201815:45Publicado primeiro em TRIBUNA DO CEARÁ

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