As eleições no Ceará já estão definidas?

As eleições no Ceará já estão definidas?

(FOTO: Divulgação)

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A pesquisa Ibope para o Governo do Ceará, divulgada ontem (16), expõe um cenário condizente com as estratégias e circunstâncias do cenário político no Estado.

Camilo Santana (PT) larga com 64% – Candidato à reeleição e mais conhecido pelo eleitorado, governou praticamente sem uma oposição atuante e sistemática (oposição no sentido de grupo minimamente coeso e articulado). Além disso, o governador trabalhou sua candidatura passo a passo, sem criar arestas, para assim construir uma coligação gigantesca que inclui até partidos que estavam na oposição.

General Theophilo (PSDB) parte com 4% – O resultado reflete o desconhecimento do eleitor sobre a candidatura. A oposição, ou parte dela, paga o preço de ter apostado na estratégia de manter o MDB e o PR nas suas fileiras, mas esses partidos aderiram ao governo na última hora. Isso lhe daria mais tempo de propaganda para popularizar o candidato que viria a ser escolhido.

Outro candidatos – É isso. Ailton Lopes (Psol), Hélio Góis (PSL) e Gonzaga (PSTU) empatam com 2%; Mikaelton Carantino (PCO) não pontuou. Indecisos brancos e nulos somam 26%, ou seja, um quarto do eleitorado, dentro da média de outras eleições mais recentes.

A pesquisa Ibope, divulgada ontem, dia 16, foi encomendada pela TV Verdes Mares e registrada no TSE com o número CE-04197/2018. A margem de erro prevista é de 3%.

A eleição está definida?

É preciso ter calma. Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado não é apresentado à lista de candidato, Camilo aparece com 22%. Esse é o voto consolidado, que dificilmente muda de lado. Os outros 42% podem flutuar alguma coisa, a depender da dinâmica, da estrutura e competência das campanhas. Nesse ponto, Camilo também tem vantagem, com mais prefeituras e tempo de rádio e TV.

General Theophilo marcou 1% e os demais não foram citados. É provável que ao ser associado com outros nomes da oposição mais conhecidos, como o senador Tasso Jereissati (PSDB) e o deputado Capitão Wagner (PROS), o candidato cresça, especialmente na capital, onde a violência crescente parece incomodar mais o eleitor. A questão é que o prazo de campanha é curto para tentar criar expectativas melhores.

A eleição no Ceará se assemelha, neste começo, a uma luta entre Davi e Golias. A soberba pode enganar o governo e a falta de tamanho é o ponto fraco da oposição.

De todo modo, se tudo estivesse realmente definido, o governo não teria empanhado esforços para abrigar desafetos pessoais, adversários e ex-críticos, criando constrangimento, inclusive, para a campanha de Ciro Gomes, ao aliar-se com o MDB de Eunício. Pelo visto, optou por não arriscar. Devem ter as suas razões.

Existem pontos que ainda podem influenciar a disputa. Qual o perfil ideal de candidato desejado pelo eleitor médio? Seria, por exemplo, alguém com mais autoridade ou com mais diálogo? Isso pode orientar a comunicação das campanhas. De resto, cabe esperar as próxima pesquisas para verificar o sentido e a intensidade de eventuais curvas de crescimento ou de queda.

Dúvida

Na pesquisa Ibope, há um dado curioso. No questionário apresentado ao eleitor, a primeira pergunta apresentada é esta:

P01) Para começar, como o(a) sr(a) diria que se sente com relação à vida que vem levando hoje? O(A) sr(a) está: 
01( ) Muito satisfeito,
02( ) Satisfeito,
03( ) Insatisfeito, ou
04( ) Muito insatisfeito?
98( ) Não sabe
99( ) Não respondeu

A dúvida é: o que isso tem a ver com eleição e até que ponto um tema paralelo pode induzir o entrevistado a um determinado estado de espírito?

Wanderley Filho17 de agosto de 201815:30Publicado primeiro em TRIBUNA DO CEARÁ

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