Oito em cada dez trabalhadores da EBC já sofreram assédio moral

Oito em cada dez trabalhadores da EBC já sofreram assédio moral

Comunicação

Dado é de pesquisa interna aplicada pela Comissão dos Empregados da Empresa Brasil de Comunicação

Rafael Tatemoto |
Dados são de levantamento conduzido pela Comissão dos Empregados da EBC
Agência Brasil

Uma pesquisa interna realizada pela Comissão dos Empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) apontou que oito em cada dez funcionários sofreram ameaças de demissão, troca de turno ou transferência de departamento por parte das chefias. 

Para Leonel Querino, presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e funcionário da EBC, os casos de assédio moral, que sempre existiram, têm se intensificado desde 2016 e estão relacionados à visão que o governo Michel Temer (MDB) tenta impor à produção jornalística da empresa. 

“É um fenômeno que ganhou força com a a nova gestão da EBC. Com a nova gestão, aumentaram as formas de assédio, principalmente na questão do conteúdo a ser divulgado. Está havendo um grande assédio, uma intromissão no trabalho criativo”, diz. 

O levantamento da Comissão dos Empregados da EBC apontou que 67,7% dos trabalhadores têm a percepção de que sua chefia cria dificuldades de acesso a instrumentos de trabalho; 45,4% disseram que a chefia não divulgam informações úteis ou necessárias e 80,6% afirmaram sofrer constantemente ameaças de demissão, troca de turno ou transferência de departamentos.

Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) determinou que a empresa adote ações concretas contra o assédio moral no ambiente de trabalho. Dados da própria EBC indicam que o número de atestados por transtornos mentais e comportamentais apresentados cresceu nos últimos anos, passando de 162 atestados em 2015 para 252 em 2017.

Censura

Querino cita como exemplo de assédio a perseguição a jornalistas que apresentaram em matérias posições críticas ao discurso oficial em relação à recuperação econômica. Outro caso foi o de programas que trouxeram ativistas feministas.

O sindicalista afirma que há uma tensão entre os funcionários e o governo. O último, inclusive através de medidas legislativas, tem tentando substituir o caráter público da comunicação realizada pela EBC por uma linha mais governamental e estatal. 

“É um tipo de censura. É uma afronta a Constituição cidadã de 1988, que previa o direito à comunicação pública. Praticamente substituiu o caráter público pelo estatal. O que a gente vê é uma afronta aos direitos, descaracterizando tanto juridicamente como na prática. Os trabalhadores, que em sua maioria tem a visão pública, estão sendo assediados”, aponta. 

Funcionários da EBC afirmam que a Ouvidoria interna do órgão não encaminha nem resolve as denúncias formuladas pelos trabalhadores. Há cerca de um ano, a diretoria da EBC se recusou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT relacionado ao tema. 
 

20 de agosto de 201822:45

Via Brasil de Fato

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