Pastora evangélica diz que ‘fake news’ são contrárias aos valores cristãos

Pastora evangélica diz que ‘fake news’ são contrárias aos valores cristãos

Não darás falso testemunho

Cleusa Caldeira visitou o ex-presidente Lula, nesta segunda

Lia Bianchini |
A pastora Cleusa Caldeira em frente à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo
Foto: Joka Madruga / APT

“A palavra de Deus condena todo tipo de mentira”. A afirmação é de Cleusa Caldeira, pastora da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, de Curitiba. A pastora criticou o método de campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), baseado na disseminação de notícias falsas que ajudam a manipular a opinião pública contra seu oponente Fernando Haddad (PT).

Caldeira visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda (15), na Superintendência da Polícia Federal. Após a visita, a pastora falou às pessoas presentes na Vigília Lula Livre. 

“Nós, crentes, temos que zelar pela verdade. É evidente que podemos discordar dos partidos, das propostas, mas nós temos que julgar as propostas que são apresentadas e não inventar propostas para tirar o eleitor do justo juízo, fomentar o ódio, fomentar a raiva e levar o eleitor a votar de uma maneira cega e raivosa”, afirmou a pastora.

Chamando Bolsonaro de “pseudo candidato forjado em fake news”, Caldeira disse que existe uma parte da comunidade evangélica sendo manipulada pelo discurso moralista no qual se baseiam as notícias falsas disseminadas pela campanha do candidato do PSL. Ela citou como exemplos dessas mentiras o chamado “kit gay” e a suposta militância da chapa petista em prol do aborto.

“O kit gay é uma farsa, é uma mentira, nós não podemos fazer uma afirmação que isso é pecado baseados em uma outra mentira. Essa questão do aborto é uma questão que os opositores estão se apropriando indevidamente do tema, pra dizer que o PT é a favor do aborto. Pecado, na verdade, é mentir”, disse Caldeira.

Nesta segunda, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada do ar de 40 links com fake news que difamavam a candidata a vice-presidência Manuela D’Ávila (PCdoB). A notícia veiculada nesses links ligava D’Ávila a uma conduta ofensiva a pessoas cristãs e atribuía a candidata à entrega de materiais pornográficos a crianças. No dia 8 de outubro, o TSE já havia determinado a remoção de outros 33 links com notícias falsas e difamatórias também relacionadas à conduta moral de Manuela D’Ávila.

Para a pastora Cleusa Caldeira, é preciso retomar uma “ética cristã” de disseminação de verdades, para que, no dia 28, aconteça uma “eleição realmente justa” e que, a partir da apresentação de projetos, o povo “possa votar naquele candidato que melhor representa os anseios de toda a nação”.

“Se você não é a favor do governo petista, então vamos debater as ideias do governo petista. Não é possível seguir criando um monte de mentiras, terrorismo. Na verdade, está se criando um terrorismo sobre a população”, disse Caldeira.

Resistência ao fascismo

Caldeira disse ter levado ao ex-presidente Lula a mensagem de uma frente evangélica que está preocupada com o “futuro da nação e se sente responsável por construir uma nação democrática”.

A pastora disse que se emocionou com a afetuosidade de Lula, que é uma pessoa que “conversa olhando nos olhos” e demonstra estar preocupado com os rumos do país. 

Como mulher negra, Caldeira disse que um dos pontos importantes da conversa com Lula foi a ameaça aos direitos das minorias. Hoje, ainda que consideradas minorias, tanto mulheres quanto pessoas negras são a maioria da população brasileira. As mulheres representam 50,6% da população e as pessoas negras, 54%. 

“Falamos sobre os direitos das minorias, sobre como é importante a gente resistir ao fascismo, porque as minorias vão sofrer muito”, afirmou Caldeira.

15 de October de 201821:33

Via Brasil de Fato

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