Discurso de Bolsonaro retoma violência dos colonizadores, analisa escritor

Discurso de Bolsonaro retoma violência dos colonizadores, analisa escritor

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Ivo Queiroz vê ameaças à população negra e à economia brasileira, caso o candidato seja eleito

Lia Bianchini |
“Bolsonaro é um sacerdote do grande capital, um colono, alguém que está desenvolvendo uma política colonialista, entreguista, lesa pátria”
Mauro Calove

A candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) representa o aprofundamento da precarização das condições de vida da população negra brasileira. É o que explica Ivo Queiroz, professor titular aposentado da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e autor do livro Africanidades e democracia.

Para Queiroz, o discurso de Bolsonaro é semelhante ao dos colonizadores do século XV. O escritor retoma o conceito de “colonialidade do poder”, formulado pelo sociólogo peruano Aníbal Quijano, segundo o qual a colonização das Américas introduziu um sistema de poder – ainda hoje presente – baseado na ideia de classificação social por raças.

“Na realidade, o grande compromisso dele [Bolsonaro], ao que tudo indica, é com essa cultura colonizada, essa mentalidade colonialista e, enquanto tal, o colonialista é violento por princípio, é racista, e, com a mulher, ele é extremamente perverso”, explica.

O escritor lembra que “o Brasil mata mais gente negra por ano do que muitas guerras mundo afora” e que a situação deve piorar com a aderência social do discurso de Bolsonaro, que pode radicalizar os ataques à população negra. E citou como exemplo o assassinato de Moa do Katendê, morto com 12 facadas, em uma briga de bar em Salvador, após dizer ser contra Bolsonaro.

“Os adeptos [de Bolsonaro] já se sentem autorizados a usar desses mecanismos que ele apresenta como suas novas soluções para espancar, coagir, estuprar e matar pessoas. Ainda não foi eleito, mas seus fãs já estão protagonizando isso e levantam ameaças”, diz Queiroz.

O discurso colonizador do candidato do PSL não é uma ameaça apenas à população negra, mas também à economia nacional, aponta Queiroz. O escritor lembra que um dos compromissos dos colonos era entregar as riquezas da colônia para a metrópole. Em sua opinião, essa mentalidade pode ser vista nas propostas de Bolsonaro de privatização dos bens públicos brasileiros.

“[Bolsonaro] é um sacerdote do grande capital, um colono, alguém que está desenvolvendo uma política colonialista, entreguista, lesa pátria, ressuscitando toda uma história que já aconteceu. Ele está reeditando isso, a violência do colono, onde a vida do outro vale nada”, afirmou.

O candidato do PSL já respondeu por duas denúncias de racismo. A primeira, por ter afirmado que “não discutiria promiscuidade” ao ser questionado pela cantora Preta Gil, no programa CQC, da Band, sobre como reagiria caso um de seus filhos namorasse uma mulher negra.

Na segunda, por ter falado, no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, que visitou uma comunidade quilombola e “o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”, completando “não fazem nada, eu acho que nem pra procriar servem mais”.

O inquérito envolvendo a cantora Preta Gil foi aberto em 2013 e arquivado em maio de 2015, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Já o pedido de condenação pelas declarações contra a comunidade quilombola, foi julgado improcedente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), em setembro.

Ivo Queiroz esteve na Vigília Lula Livre, em Curitiba, nesta quarta (17), para o lançamento de seu livro Africanidades e democracia.

19 de October de 201815:13

Via Brasil de Fato

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