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“LAÇOS DE FAMILIA” DE CLARICE LISPECTOR

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“LAÇOS DE FAMILIA” DE CLARICE LISPECTOR

“LAÇOS DE FAMILIA” DE CLARICE LISPECTOR
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Laços de Família

“Laços de Família” é como se chama o primeiro livro de contos da escritora brasileira Clarice Lispector. Publicado no ano de 1960, é considerado o ápice de sua carreira, onde impera o modernismo nos 13 contos ali presentes, sendo considerados por muito o mais belo livro de contos já visto. Segundo Álvaro Lins, Clarice poderia ser lida no mundo inteiro, em qualquer país, sem correr o risco de envergonhar seu país. É considerado na obra um processo de “aprisionamento” dos indivíduos através dos laços de família, como se fossem uma espécie de prisão cotidiana ou doméstica. Considerada por alguns uma leitura perturbadora, é feita o que se pode chamar de dissecação da classe social média do Rio de Janeiro, desnudando-a e a expondo a uma visão descrente e desencantada da união familiar convencional, que parece estar fadada à precariedade, transmitindo uma experiência pessoal forte e intensa, na busca de respostas às questões mais íntimas e comoventes, como se o simples fato de estar no mundo já causasse certa dor. Clarice opta pela técnica de fluxo de consciência para desenvolver suas narrativas, deixando o leitor a par do que acontece no íntimo dos protagonistas, pois os personagens passam a impressão de estarem sempre atados, confinados ao ambiente familiar por laços que, mesmo que não sejam saudáveis, não conseguem desfazer.

Os contos que compõe a obra são:

  • Devaneio e Embriaguez duma Rapariga;
  • Amor;
  • Uma Galinha;
  • A Imitação da Rosa;
  • Feliz Aniversário;
  • A Menor Mulher do Mundo;
  • O Jantar;
  • Preciosidade;
  • Os Laços de Família;
  • Começos de uma Fortuna;
  • Mistérios em São Cristóvão;
  • O Crime do Professor de Matemática;
  • O Búfalo.

Acompanhe resumos de alguns dos importantes contos da obra.

 Amor

Relata a vida de uma pacata mulher chamada Ana. Casada e mãe de dois filhos, possuía uma calma vida doméstica, onde conseguia cuidar de seus entes e de seus afazeres com zelo e esmero. Era uma mulher com grande instinto fraterno e maternal, muito sensível a tudo ao seu redor.

Certo dia, voltando para casa das compras domésticas, avistou um cego que a impressionou grandemente. O bonde freou bruscamente, quebrando todos os ovos que Ana havia comprado. A paz que a moça possuía após duras penas havia desaparecido.

Assim, ela desceu no Jardim Botânico ‘que por sua beleza a fez temer o próprio inferno’. Pode-se fazer um paralelo entre a beleza que salta aos olhos e o cego era privado de avistar, vivendo de fato um inferno em terra.

Finalmente chegou em casa, sentindo-se extremamente mudada. Abraçou o filho intensamente, chegando a assustá-lo, e prontamente foi auxiliar o marido que havia derrubado café. Pegou-lhe a mão carinhosamente e o levou ao quarto para que dormissem.

Uma galinha

Tratava-se de uma galinha pronta para ser abatida para o almoço de domingo. Porém, ao ser apanhada pelo pai da menina que narra a estória, bota um ovo. Imediatamente a criança avisa os familiares que agora a galinha é “mãe”. O pai da menina sente culpa por ter apressado a galinha para o abate, e acaba transformando-a num animal de estimação, sob a pena de que caso ela fosse sacrificada, nunca mais voltariam a alimentar-se de frango. Contudo, certo dia “mataram-na, comeram-na e passaram-se anos”.

A imitação da rosa

Narra a estória de Laura, que ao sair de uma clínica psiquiátrica aguardava o marido Armando e alguns amigos para irem jantar. Enquanto esperava, analisava a si própria como uma mulher imperfeita, sem filhos, de coxas grossas, desinteressante e chata. Olhando para as rosas que o empregado trouxera para a sala, vai se afundando em devaneios, sentindo-se da maneira que se encontrava quando chegou à clínica, totalmente perdida. Finalmente então, chega Armando. “Ela estava sentada com o seu vestidinho de casa. Ele sabia que ela fizera o possível para não se tornar luminosa e inalcançável. Com timidez e respeito, ele a olhava. Envelhecido, cansado, curioso. Mas não tinha uma palavra sequer a dizer. Da porta aberta via sua mulher que estava sentada no sofá sem apoiar as costas, de novo alerta e tranqüila como num trem. Que já partira.”

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[su_heading style=”default” size=”13″ align=”center” margin=”20″ class=””]A Ditadura Acabada[/su_heading]

A Ditadura Acabada

A Ditadura Acabada

A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. São os anos da abertura política, momento decisivo na história de nosso país e repleto de acontecimentos, como o fim do AI-5, as manifestações políticas pela anistia e pela volta das eleições diretas para a presidência, os atentados promovidos por aqueles que se opunham à redemocratização, como o episódio da bomba no Riocentro em 1981, e uma crise econômica sem precedentes.Com uma narrativa fluida e pesquisa profunda, Elio Gaspari compõe um painel fascinante de um país em plena ebulição, em que muitos dos protagonistas se mantêm como parte do noticiário atual. No epílogo, denominado “500 vidas”, o autor acompanha o destino de quinhentos personagens que sobreviveram ao fim da ditadura, entre militares e militantes, empresários e sindicalistas, torturados e torturadores. Alguns desses sobreviventes chegaram à presidência da República, como a presa política Dilma Rousseff, o metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva e o professor Fernando Henrique Cardoso. É uma conclusão impactante para uma obra fundamental sobre a história recente do Brasil.
A ditadura acabada estará disponível em duas versões de e-book, uma delas com áudios e vídeos acrescentados pelo autor, ambas contendo mais de trinta documentos históricos.
A Coleção Ditadura, com seus cinco volumes, poderá ser encontrada também em um luxuoso box em versão impressa e digital.

• Conclusão da Coleção Ditadura, que cobre todos os anos do regime militar em cinco volumes. É considerada a obra mais importante sobre o período e fundamental para a compreensão da história recente do país.
• A ditadura acabada é livro inédito de Elio Gaspari, colunista dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, indiscutivelmente um dos jornalistas mais influentes do Brasil.
• Pesquisa fundamentada por extensa documentação do arquivo do autor.
• Epílogo arrebatador que acompanha a trajetória de quinhentos personagens que sobreviveram à ditadura.
• E-books com mais de trinta documentos históricos. Uma das versões também contém áudios e vídeos.
• O site www.arquivosdaditadura.com.br reúne documentos do arquivo do autor e textos que iluminam episódios da vida nacional entre 1964 e 1985.

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Obra sobre democracia digital disponível sob licença CC

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O pesquisador do CTS/FGV e co-coordenador do CC Brasil, Eduardo Magrani, trabalhou em seu mestrado na temática de democracia digital e escreveu o livro Democracia conectada: a internet como ferramenta de engajamento político-democrático, fruto de sua dissertaçãoque trata do debate teórico que envolve o potencial político de plataformas digitais de comunicação e discorre sobre dois casos práticos em que essas tecnologias estiveram no centro do debate na política brasileira: o Marco Civil da Internet e as Manifestações de Junho de 2013.

Democracia Conectada

A obra apresenta um conteúdo instigante e, para os interessados, uma oportunidade de acessar uma visão brasileira sobre democracia digital.

O livro está disponível sob a seguinte licença Creative Commons: Atribuição – Uso Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 3.0 Brasil. Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir da obra para fins não comerciais, desde que atribuam ao autor o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos.

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O RISO FROUXO DO HOMEM INSIGNIFICANTE

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TRAGÉDIAS E COMÉDIAS
“O RISO FROUXO DO HOMEM INSIGNIFICANTE”, REÚNE 50 HISTORIETAS TRAGICÔMICAS QUE PODERIAM SER REAIS..

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[su_heading style=”default” size=”13″ align=”center” margin=”20″ class=””]FUI PROCESSADO , O QUE EU FAÇO ?
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A ARTIGO 19 e o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé lançaram o guia prático “Fui processado. O que eu faço?” destinado a blogueiros e internautas. O documento é uma ferramenta de ampliação da liberdade de expressão online no Brasil.

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Fronteiras de Saberes

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Prefácio

A construção de diálogos interdisciplinares e transfronteiriços entre pesquisadores em realidades complexas se constitui, sem dúvida, num desafio que se impõe às ciências humanas e sociais, em especial à antropologia, à geografia, à ciência política (sub-área políticas públicas), à comunicação, à história, à educação, às ciências da vida, da terra e ambientais, entre tantas. Esses diálogos se fazem necessários e estão a desafiar pesquisadores e instituições localizadas na Tríplice Fronteira Brasil, Peru e Colômbia.

Ali, se movimentam e se deslocam cotidianamente uma diversidade de grupos humanos multiétnicos, de nacionalidades diferentes, de origens diversas, que convivem, interagem, negociam, articulam, se manifestam e (re)afirmam suas identidades coletivas e (re)criam relações sociais. Mobilizam-se na defesa de seus territórios, lutam por seus direitos étnicos e suas riquezas naturais. E, mais ainda, revelam consciência de suas fronteiras e dos meios de descrevê-las e ocupá-las que se explicitam e manifestam em suas reivindicações em face aos seus Estados nacionais.

Essas pluralidades de várias formas de vida na Tríplice Fronteira, muitas delas, destaque-se, reconhecidamente milenares, formam uma sociedade transcultural que promove e assegura vários lugares do empírico, portanto, do fazer pesquisa, como mostram os vários escritos desta coletânea. Ela é a materialidade e uma publicização desse diálogo que se (re)encontra e faz interagir diferentes campos disciplinares. Além disso, a coletânea demonstra a concretude de trocas e intercâmbios científicos entre pesquisadores que se identificam e têm objetivos comuns: olhares voltados aos agentes sociais que estão à margem da cena política e dos direitos de cidadania. Mas no espaço e no tempo partilham experiências comuns em defesa ou apropriação do território, dos seus direitos étnicos e na conservação de recursos naturais.

Os vários itinerários de pesquisa abrangem temas sobre sofrimento mental, cultura e identidade construídas localmente com nuances e especificidades, ecologia política e modernidade, biotécnicas transgênicas de frutas amazônicas, dinâmicas territoriais de cidades ribeirinhas, história e memória citadinas, mediações urbanas, discursos globais e suas trampas (armadilhas), conhecimentos tradicionais realizadas por grupos humanos e adaptações ao ambiente, artes e cultura, mitologias e projetos pedagógicos apoiados em paradigmas ecopolíticos, saberes tradicionais e cuidados com a saúde no uso de plantas medicinais, além de formas de trabalho pretéritas que remontam aos séculos XVII e XVIII, tradições e expressões orais, incluindo idioma, expressões artísticas, práticas sociais, ritos e atos festivos, bem como conhecimentos e práticas relacionadas à natureza e ao universo, além de técnicas artesanais tradicionais, mitologias e o pensamento social na Amazônia.

Por fim, a fronteira de saberes apoiada em compreensões metodológicas e empíricas revela as diferenças e desigualdades sociais e, ainda, novas perspectivas de leituras que nos possibilitam compreender, contrapor, desvendar, e, por que não, transformar o emblema mundial que se construiu sobre a Amazônia – uma espécie de ecologia do mundo, um signo da era ambiental ou do chamado capitalismo verde, que desconsidera continuamente multiplicidades e heterogeneidades de formas e manifestações da vida social. A chamada está feita e nos desafia à leitura dos vários campos científicos e experiências profissionais distintas dos pesquisadores das instituições universitárias que subscrevem esta coletânea. Voila!

Profa. Dra. Elenise Faria Scherer

Professora-orientadora e pesquisadora do

Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam)

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A Policia Carioca e a Criminalidade Contemporânea

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Título:A Policia Carioca e a Criminalidade Contemporânea
Autor(es):Carvalho, Elysio de
Data de publicação:1910
Resumo:Expõe conhecimentos, processos, métodos e noções concernentes à investigação policial, assim como aprecia o universo da criminalidade no Rio de Janeiro, além de apresentar as exigências de organização técnica e profissional da polícia carioca.
Notas:Elysio de Carvalho nasceu em Penedo, AL em 1880. Faleceu em 1925. Foi conhecido anarquista do começo do século XX, movimento ao qual posteriormente abdicou, se reencontrando com o Direito; também foi crítico literário, além de professor e diretor da Escola de Polícia do Rio de Janeiro. Escreveu vários artigos técnicos para o Boletim Policial, periódico ligado à instituição policial carioca. Esta obra, de 1910, foi escrita em um contexto histórico de implantação do regime republicano, onde mudanças de várias ordens se desenvolviam, como as transformações urbanas, com a modernização das cidades. Nesse âmbito, deve-se considerar a passagem do regime de trabalho escravo para o trabalho livre e seus desdobramentos no tocante às formas históricas de controle social. Com o fim da escravidão tornou-se necessária a reforma das instituições de controle social (polícia e justiça). Era o chamado medo branco diante do alargamento do espaço da população afro-brasileira e do aumento em geral da criminalidade urbana. Elysio de Carvalho desenvolveu reflexões sobre a especificidade da criminalidade carioca, com incursões na questão étnica. Com um dos ideólogos da polícia carioca reconheceu a necessidade de uma “polícia científica” em oposição à “polícia empírica”. Também notou a importância de definir uma estratégica de atuação, já que não havia sistematização. O seu pensamento é destaque dentro de uma corrente que se preocupava com a introdução de recursos técnicos e modernos de investigação policial. A atuação mais expressiva desta corrente consistiu na mobilização pela criação da escola de Polícia (1912) e na publicação de uma revista especializada (Boletim Policial).
Assuntos:Criminalidade
Investigação criminal
Investigação policial
Policia, Rio de Janeiro
Editora:Imprensa Nacional
Fonte:CARVALHO, Elysio de. A policia carioca e a criminalidade contemporanea. BDJur, Brasília, DF, 2007. Disponível em: <http://bdjur.stj.jus.br//dspace/handle/2011/9549>.
CARVALHO, Elysio de. A policia carioca e a criminalidade contemporanea. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910.
Tipo:Livro

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 Pedagogia do Oprimido

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FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 38.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004

Paulo Reglus Neves Freire (1922-1997) ou somente Paulo Freire, como é popularmente conhecido, se inscreve entre aqueles educadores empenhados na luta em defesa de uma educação humanizadora. Figura emblemática no cenário educacional brasileiro, Paulo Freire transmite à posterioridade uma produção intelectual relevante, cuja obra Pedagogia do Oprimido, composta de 184 páginas, publicada pela primeira vez em 1967 e atualmente em sua 38ª edição, é uma mostra disso.

No livro em questão, Paulo Freire tece uma interessante discussão sobre a pedagogia de uma perspectiva do oprimido. Ressalta que a luta pela libertação do homem, o qual é, semelhantemente à realidade histórica, um ser inconcluso, se dá num processo de crença e reconhecimento do oprimido em relação a si mesmo, enquanto homem de vocação para “ser mais”. Preconiza um trabalho educativo que respeite o diálogo e a união indissociável entre ação e reflexão, isto é, que privilegie a práxis. Um trabalho que não se funde no ativismo (ação sem reflexão) ou na sloganização (reflexão sem ação) e que não se funde numa concepção de homem como “ser vazio”.

Em correspondência a essa concepção de homem como “ser vazio” e, por isso, dependente de “depósitos” de conhecimento, está, segundo Paulo Freire, a pedagogia de perspectiva opressora, denominada de “educação bancária”. Pautada numa comunicação verticalizada, contrária ao diálogo, serve como instrumento de desumanização e domestificação do oprimido, o qual na sua relação com o opressor hospeda-o em sua consciência. Ao se referir à teoria antidialógica, o autor ressalta que a referida teoria tanto traz a marca da opressão, da invasão cultural camuflada, da falsa “ad-miração” do mundo, como lança mão de mitos para manter o status quo e manter a desunião dos oprimidos, os quais divididos ficam enfraquecidos e tornam-se facilmente dirigidos e manipulados.

É em contraposição a pedagogia opressora que Paulo Freire reforça a imprescindibilidade de uma educação realmente dialógica, problematizadora e marcadamente reflexiva, combinações indispensáveis para o desvelamento da realidade e sua apreensão consciente pelo educando. Ademais, “[…] a educação problematizadora coloca, desde logo, a existência da superação da contradição educador-educandos. Sem esta, não é possível a relação dialógica […] (FREIRE, 2004, p.68)”, não é possível a colaboração entre educador e educando, não é possível conceber um educador-educando, que se educa no diálogo com o outro, e um educando-educador.

Traz à cena a questão do “ato de dissertar” realizado pelo educador, que constitui, e isto tanto dentro como fora da escola e em qualquer nível de ensino, uma prática de dominação, pois se disserta sobre a realidade como se fosse algo estático e sem vida.

É por meio da dissertação, explica Paulo Freire, que o “educador bancário” tenta “depositar”, “encher”, o educando com conteúdos, os quais, comumente, não se relacionam com sua vida, minimizando, e até mesmo anulando, seu potencial criativo, criticidade e pensar autêntico. Ao memorizar o conteúdo narrado, ao “arquivar” os “depósitos”, o educando não está se conhecendo e conhecendo o mundo de modo verdadeiro, não está desenvolvendo sua consciência crítica, daí Freire (2004, p.72) destaca que a educação bancária “[…] servindo à dominação, inibe a criatividade e, ainda, que não podendo matar a intencionalidade da consciência como um desprender-se ao mundo, a ‘domestica’”.

Em oposição à educação bancária, o educador-educando se compromete com um conteúdo programático que não caracteriza doação ou imposição, “[…] um conjunto de informes a ser depositado nos educandos -, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada” (FREIRE, 2004. p. 83-84). Compromete-se com uma programação, com conteúdos, que advêm das colocações do povo, de sua existência, desafiando-o à busca de respostas, tanto em nível de reflexão como de ação. Em outras palavras, uma prática libertadora, requer que o “[…] acercamento às massas populares se faça, não para levar-lhes uma mensagem ‘salvadora’, em forma de conteúdo a ser depositado, mas, para em diálogo com elas, conhecer, não só a objetividade em que estão, mas a consciência que tenham dessa objetividade; […] de si mesmos e do mundo” (FREIRE, 2004, p.86). Desse modo, busca-se juntos, educador e povo, mediatizados pela realidade, o conteúdo a ser estudado.

Acerca do operacionalizar a pedagogia de uma perspectiva do oprimido, é preciso, segundo Paulo Freire, investigar o universo temático do povo. Busca-se, inicialmente, conhecer a área em que se vai trabalhar e se aproximar de seus indivíduos, marcando reunião e presença ativa para coletar dados, de modo a levantar os temas geradores. Estes devem ser organizados em círculos concêntricos, partindo de uma abordagem mais geral até a mais particular. Tal operacionalização demanda, ainda, e isso cabe ao educador dialógico, devolver em forma de problema o universo temático recebido do povo na investigação.

Efetivada essa etapa e com os dados em mãos, realiza-se um estudo interdisciplinar sobre os “achados” nos círculos de cultura, a partir dos quais os envolvidos apreendem o conjunto de contradições que permeiam os temas. Cada envolvido na investigação temática apresenta um projeto de um dado tema, o qual passa por discussão e acolhe sugestões. Os projetos servem, posteriormente, de subsídio à formação dos educadores-educando que trabalharão nos círculos de cultura.

Após elaboração do programa, são confeccionados materiais didáticos em forma de, por exemplo, textos, filmes, fotos, entre outros. São preparadas, também, as codificações de situações existenciais, as quais têm que ser decodificadas pelo educando e promover o surgimento de uma nova percepção da questão tratada, como também o desenvolvimento de um novo conhecimento.

Em retrospecto ao exposto, convém sublinhar que se trata de uma obra que denuncia os limites de uma educação de ajustamento, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de uma educação humanizadora, “libertadora”, como diria o autor. Daí a atualidade e relevância de sua leitura pelos educadores das várias áreas do conhecimento, tanto os que estão em processo de formação acadêmica como aqueles que já atuam e, também, demais interessados pelas discussões do campo educacional.

Autor: Benício Passos

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A nova mulher e a moral sexual[/su_heading]

16 de dezembro de 2017

A nova mulher e a moral sexual

Alexandra Kollontai, líder revolucionária que fortemente contribuiu para a questão da mulher no seio do movimento comunista.

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Stalin uma Biografia Politica

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Stalin uma Biografia Politica

Isaac Deutscher

Um dos maiores personagens da história. A força vital do socialismo. Um tirano implacável. Um revolucionário cuja política facilitou a ascensão do nazismo. Tudo isso em um só nome: Stalin. Em Stalin – Uma Biografia Politica, Isaac Deutscher, o mais importante biógrafo dos líderes revolucionários russos, não condena nem defende o homem que  despertou tantas paixões. Mas com a ajuda de Clio, a musa da História, invade os corredores do Kremlin para revelar todas as nuances desse homem astucioso, cujo talento quase inigualável para a intriga e as alianças políticas rendeu tantos aliados quanto inimigos.

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[su_heading style=”default” size=”13″ align=”center” margin=”20″ class=””]Suicídio Revolucionário[/su_heading]

O debate entre direita e esquerda é algo que hoje me parece um tanto quanto nublado. Apesar de a maioria dos partidos vigentes auto-intitularem-se de esquerda, é de se duvidar que não tenhamos mais direita. A verdade é que essas denominações andam cada vez mais difíceis e complicadas de explicar.

O debate entre direita e esquerda é algo que hoje me parece um tanto quanto nublado. Apesar de a maioria dos partidos vigentes auto-intitularem-se de esquerda, é de se duvidar que não tenhamos mais direita. A verdade é que essas denominações andam cada vez mais difíceis e complicadas de explicar. Aliás, um artigo muito bom que ajuda e elucidar um pouco o caso é esse aqui. Na época da Ditadura, a distinção entre os opostos era clara. A direita assumiu o poder na figura dos militares e a esquerda tornou-se a resistência ao sistema imposto na época.

Até aqui, as resenhas desse mês sobre o tema Ditadura focaram muito na sistemática dos militares para manterem-se no poder. Falamos de como infiltravam agentes nos movimentos de esquerda, das sessões de tortura que ocorriam nas DOPS e, até mesmo, do planejamento para o golpe.

Na resenha de hoje, o foco será a esquerda e a luta armada. Suicídio Revolucionário é um livro que encontrei enquanto pesquisava mais sobre Mariguella. E decidi resenhá-lo depois de A Ditadura Envergonhada pois o primeiro livro da obra de Elio Gaspari vai até 1968 e Suicídio Revolucionário foca exatamente em como a intensificação da Ditadura nesse mesmo ano causou a evolução da luta armada oposicionista.

Se o objetivo do livro é na estruturação da esquerda, então é razoável focar no PCB (Partido Comunista Brasileiro) que contava com 20 mil associados no ano anterior ao golpe e era o quarto maior partido em número de cadeiras na Câmara dos Deputados.

Quando o Partidão – como o PCB era conhecido – foi considerado ilegal, rapidamente a esquerda se reorganizou. Mas não em uma única frente e, sim, em diversas agremiações menores que começaram, de pouco em pouco, a sair do programa de revolução social que antes defendiam. Exemplo: os movimentos armados assaltavam bancos para, com esse dinheiro, comprarem fazendas. Essas fazendas poderiam ser usadas como base para os sem terra instituindo a tão necessária reforma agrária, ainda que na base mais simples do processo. Só que em essência, o foco central da compra era treinamento de guerrilha. Ou seja, os movimentos lutavam para sobreviver e não estavam mais focados na ideologia central da esquerda. O que era um caminho para a revolução, virou um caminho para a resistência. E essas palavras, aos poucos, tornaram-se antônimos.

Mas e Jango? Ah..Jango estava em cima do muro. Em alguns eventos dizia que não apoiaria as reformas de base exigidas pelos partidos da esquerda e, enquanto estava em outro evento, mudava totalmente o discurso. Poderia ser um caso de sobrevivência política, mas parece ter começado a irritar todo mundo. Quando percebeu que precisaria, invariavelmente, escolher um lado, ele decidiu-se pela esquerda e começou, de fato, um processo de reforma agrária. Porém, veio o golpe e iniciou-se um asfixiamento da esquerda que desmembrou o Partidão em mais ou menos 16 partidos e movimentos menores. Em sete anos, quase todos estariam extintos.

O livro revisa bem as lutas da esquerda e explica o esvaziamento ideológico enfrentado. De luta conta a burguesia e o imperialismo, as alianças revolucionárias passaram a ficar cada vez mais violentas para combater a repressão da ditadura: passaram a combater o efeito, não a causa. Na 2a parte, o autor vai debater com profundidade a ideologia comunista no mundo e suas propostas de revolução, linkando bem com a luta brasileira de resistência, com referências para dar e vender (se você está pesquisando o assunto para qualquer finalidade, o livro pode ser um bom guia).

A introdução do livro é longa, criteriosa e um pouco enfadonha. Mas isso pode ser porque desde que nasci tenho problemas com introduções muito longas e que repetem a palavra imanente a cada 5 frases (precisa mesmo? rs).

Esse é o tipo de livro que precisa de atenção redobrada. Nem tanto pela linguagem acadêmica do autor, mas pelo nível das informações que precisam ser bem processadas e, às vezes, relidas. Tive que fazer várias pesquisas durante a leitura. Então, esteja avisado. É um livro indicado para entusiastas e pesquisadores do assunto. Me ajudou a elucidar um pouco a confusão da esquerda atual (ou do que se diz de esquerda). O debate segue, mas se você procura algo com mais fluência e linguagem acessível (caso você seja mais entusiasta do que pesquisador, por exemplo), ainda indico a obra de Elio Gaspari.

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