LIVROS



Obra sobre democracia digital disponível sob licença CC

 

6.07.16 | admin

O pesquisador do CTS/FGV e co-coordenador do CC Brasil, Eduardo Magrani, trabalhou em seu mestrado na temática de democracia digital e escreveu o livro Democracia conectada: a internet como ferramenta de engajamento político-democrático, fruto de sua dissertaçãoque trata do debate teórico que envolve o potencial político de plataformas digitais de comunicação e discorre sobre dois casos práticos em que essas tecnologias estiveram no centro do debate na política brasileira: o Marco Civil da Internet e as Manifestações de Junho de 2013.

Democracia Conectada

A obra apresenta um conteúdo instigante e, para os interessados, uma oportunidade de acessar uma visão brasileira sobre democracia digital.

O livro está disponível sob a seguinte licença Creative Commons: Atribuição – Uso Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 3.0 Brasil. Esta licença permite que outros remixem, adaptem e criem a partir da obra para fins não comerciais, desde que atribuam ao autor o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos.

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O RISO FROUXO DO HOMEM INSIGNIFICANTE

TRAGÉDIAS E COMÉDIAS
“O RISO FROUXO DO HOMEM INSIGNIFICANTE”, REÚNE 50 HISTORIETAS TRAGICÔMICAS QUE PODERIAM SER REAIS. CLIQUE NA CAPA PARA FAZER O DOWNLOAD.

 
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FUI PROCESSADO , O QUE EU FAÇO ?
 

A ARTIGO 19 e o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé lançaram o guia prático “Fui processado. O que eu faço?” destinado a blogueiros e internautas. O documento é uma ferramenta de ampliação da liberdade de expressão online no Brasil. ( Em PDF – Clique na imagem para baixar )
 
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Fronteiras de Saberes

(Faça o download do livro clicando na foto )

Prefácio

A construção de diálogos interdisciplinares e transfronteiriços entre pesquisadores em realidades complexas se constitui, sem dúvida, num desafio que se impõe às ciências humanas e sociais, em especial à antropologia, à geografia, à ciência política (sub-área políticas públicas), à comunicação, à história, à educação, às ciências da vida, da terra e ambientais, entre tantas. Esses diálogos se fazem necessários e estão a desafiar pesquisadores e instituições localizadas na Tríplice Fronteira Brasil, Peru e Colômbia.

Ali, se movimentam e se deslocam cotidianamente uma diversidade de grupos humanos multiétnicos, de nacionalidades diferentes, de origens diversas, que convivem, interagem, negociam, articulam, se manifestam e (re)afirmam suas identidades coletivas e (re)criam relações sociais. Mobilizam-se na defesa de seus territórios, lutam por seus direitos étnicos e suas riquezas naturais. E, mais ainda, revelam consciência de suas fronteiras e dos meios de descrevê-las e ocupá-las que se explicitam e manifestam em suas reivindicações em face aos seus Estados nacionais.

Essas pluralidades de várias formas de vida na Tríplice Fronteira, muitas delas, destaque-se, reconhecidamente milenares, formam uma sociedade transcultural que promove e assegura vários lugares do empírico, portanto, do fazer pesquisa, como mostram os vários escritos desta coletânea. Ela é a materialidade e uma publicização desse diálogo que se (re)encontra e faz interagir diferentes campos disciplinares. Além disso, a coletânea demonstra a concretude de trocas e intercâmbios científicos entre pesquisadores que se identificam e têm objetivos comuns: olhares voltados aos agentes sociais que estão à margem da cena política e dos direitos de cidadania. Mas no espaço e no tempo partilham experiências comuns em defesa ou apropriação do território, dos seus direitos étnicos e na conservação de recursos naturais.

Os vários itinerários de pesquisa abrangem temas sobre sofrimento mental, cultura e identidade construídas localmente com nuances e especificidades, ecologia política e modernidade, biotécnicas transgênicas de frutas amazônicas, dinâmicas territoriais de cidades ribeirinhas, história e memória citadinas, mediações urbanas, discursos globais e suas trampas (armadilhas), conhecimentos tradicionais realizadas por grupos humanos e adaptações ao ambiente, artes e cultura, mitologias e projetos pedagógicos apoiados em paradigmas ecopolíticos, saberes tradicionais e cuidados com a saúde no uso de plantas medicinais, além de formas de trabalho pretéritas que remontam aos séculos XVII e XVIII, tradições e expressões orais, incluindo idioma, expressões artísticas, práticas sociais, ritos e atos festivos, bem como conhecimentos e práticas relacionadas à natureza e ao universo, além de técnicas artesanais tradicionais, mitologias e o pensamento social na Amazônia.

Por fim, a fronteira de saberes apoiada em compreensões metodológicas e empíricas revela as diferenças e desigualdades sociais e, ainda, novas perspectivas de leituras que nos possibilitam compreender, contrapor, desvendar, e, por que não, transformar o emblema mundial que se construiu sobre a Amazônia – uma espécie de ecologia do mundo, um signo da era ambiental ou do chamado capitalismo verde, que desconsidera continuamente multiplicidades e heterogeneidades de formas e manifestações da vida social. A chamada está feita e nos desafia à leitura dos vários campos científicos e experiências profissionais distintas dos pesquisadores das instituições universitárias que subscrevem esta coletânea. Voila!

Profa. Dra. Elenise Faria Scherer

Professora-orientadora e pesquisadora do

Programa de Pós-Graduação Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam)

A Policia Carioca e a Criminalidade Contemporânea

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Título: A Policia Carioca e a Criminalidade Contemporânea
Autor(es): Carvalho, Elysio de
Data de publicação: 1910
Resumo: Expõe conhecimentos, processos, métodos e noções concernentes à investigação policial, assim como aprecia o universo da criminalidade no Rio de Janeiro, além de apresentar as exigências de organização técnica e profissional da polícia carioca.
Notas: Elysio de Carvalho nasceu em Penedo, AL em 1880. Faleceu em 1925. Foi conhecido anarquista do começo do século XX, movimento ao qual posteriormente abdicou, se reencontrando com o Direito; também foi crítico literário, além de professor e diretor da Escola de Polícia do Rio de Janeiro. Escreveu vários artigos técnicos para o Boletim Policial, periódico ligado à instituição policial carioca. Esta obra, de 1910, foi escrita em um contexto histórico de implantação do regime republicano, onde mudanças de várias ordens se desenvolviam, como as transformações urbanas, com a modernização das cidades. Nesse âmbito, deve-se considerar a passagem do regime de trabalho escravo para o trabalho livre e seus desdobramentos no tocante às formas históricas de controle social. Com o fim da escravidão tornou-se necessária a reforma das instituições de controle social (polícia e justiça). Era o chamado medo branco diante do alargamento do espaço da população afro-brasileira e do aumento em geral da criminalidade urbana. Elysio de Carvalho desenvolveu reflexões sobre a especificidade da criminalidade carioca, com incursões na questão étnica. Com um dos ideólogos da polícia carioca reconheceu a necessidade de uma “polícia científica” em oposição à “polícia empírica”. Também notou a importância de definir uma estratégica de atuação, já que não havia sistematização. O seu pensamento é destaque dentro de uma corrente que se preocupava com a introdução de recursos técnicos e modernos de investigação policial. A atuação mais expressiva desta corrente consistiu na mobilização pela criação da escola de Polícia (1912) e na publicação de uma revista especializada (Boletim Policial).
Assuntos: Criminalidade
Investigação criminal
Investigação policial
Policia, Rio de Janeiro
Editora: Imprensa Nacional
Fonte: CARVALHO, Elysio de. A policia carioca e a criminalidade contemporanea. BDJur, Brasília, DF, 2007. Disponível em: <http://bdjur.stj.jus.br//dspace/handle/2011/9549>.
CARVALHO, Elysio de. A policia carioca e a criminalidade contemporanea. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910.
Tipo: Livro

 Pedagogia do Oprimido

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FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 38.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004

Paulo Reglus Neves Freire (1922-1997) ou somente Paulo Freire, como é popularmente conhecido, se inscreve entre aqueles educadores empenhados na luta em defesa de uma educação humanizadora. Figura emblemática no cenário educacional brasileiro, Paulo Freire transmite à posterioridade uma produção intelectual relevante, cuja obra Pedagogia do Oprimido, composta de 184 páginas, publicada pela primeira vez em 1967 e atualmente em sua 38ª edição, é uma mostra disso.

No livro em questão, Paulo Freire tece uma interessante discussão sobre a pedagogia de uma perspectiva do oprimido. Ressalta que a luta pela libertação do homem, o qual é, semelhantemente à realidade histórica, um ser inconcluso, se dá num processo de crença e reconhecimento do oprimido em relação a si mesmo, enquanto homem de vocação para “ser mais”. Preconiza um trabalho educativo que respeite o diálogo e a união indissociável entre ação e reflexão, isto é, que privilegie a práxis. Um trabalho que não se funde no ativismo (ação sem reflexão) ou na sloganização (reflexão sem ação) e que não se funde numa concepção de homem como “ser vazio”.

Em correspondência a essa concepção de homem como “ser vazio” e, por isso, dependente de “depósitos” de conhecimento, está, segundo Paulo Freire, a pedagogia de perspectiva opressora, denominada de “educação bancária”. Pautada numa comunicação verticalizada, contrária ao diálogo, serve como instrumento de desumanização e domestificação do oprimido, o qual na sua relação com o opressor hospeda-o em sua consciência. Ao se referir à teoria antidialógica, o autor ressalta que a referida teoria tanto traz a marca da opressão, da invasão cultural camuflada, da falsa “ad-miração” do mundo, como lança mão de mitos para manter o status quo e manter a desunião dos oprimidos, os quais divididos ficam enfraquecidos e tornam-se facilmente dirigidos e manipulados.

É em contraposição a pedagogia opressora que Paulo Freire reforça a imprescindibilidade de uma educação realmente dialógica, problematizadora e marcadamente reflexiva, combinações indispensáveis para o desvelamento da realidade e sua apreensão consciente pelo educando. Ademais, “[…] a educação problematizadora coloca, desde logo, a existência da superação da contradição educador-educandos. Sem esta, não é possível a relação dialógica […] (FREIRE, 2004, p.68)”, não é possível a colaboração entre educador e educando, não é possível conceber um educador-educando, que se educa no diálogo com o outro, e um educando-educador.

Traz à cena a questão do “ato de dissertar” realizado pelo educador, que constitui, e isto tanto dentro como fora da escola e em qualquer nível de ensino, uma prática de dominação, pois se disserta sobre a realidade como se fosse algo estático e sem vida.

É por meio da dissertação, explica Paulo Freire, que o “educador bancário” tenta “depositar”, “encher”, o educando com conteúdos, os quais, comumente, não se relacionam com sua vida, minimizando, e até mesmo anulando, seu potencial criativo, criticidade e pensar autêntico. Ao memorizar o conteúdo narrado, ao “arquivar” os “depósitos”, o educando não está se conhecendo e conhecendo o mundo de modo verdadeiro, não está desenvolvendo sua consciência crítica, daí Freire (2004, p.72) destaca que a educação bancária “[…] servindo à dominação, inibe a criatividade e, ainda, que não podendo matar a intencionalidade da consciência como um desprender-se ao mundo, a ‘domestica’”.

Em oposição à educação bancária, o educador-educando se compromete com um conteúdo programático que não caracteriza doação ou imposição, “[…] um conjunto de informes a ser depositado nos educandos -, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada” (FREIRE, 2004. p. 83-84). Compromete-se com uma programação, com conteúdos, que advêm das colocações do povo, de sua existência, desafiando-o à busca de respostas, tanto em nível de reflexão como de ação. Em outras palavras, uma prática libertadora, requer que o “[…] acercamento às massas populares se faça, não para levar-lhes uma mensagem ‘salvadora’, em forma de conteúdo a ser depositado, mas, para em diálogo com elas, conhecer, não só a objetividade em que estão, mas a consciência que tenham dessa objetividade; […] de si mesmos e do mundo” (FREIRE, 2004, p.86). Desse modo, busca-se juntos, educador e povo, mediatizados pela realidade, o conteúdo a ser estudado.

Acerca do operacionalizar a pedagogia de uma perspectiva do oprimido, é preciso, segundo Paulo Freire, investigar o universo temático do povo. Busca-se, inicialmente, conhecer a área em que se vai trabalhar e se aproximar de seus indivíduos, marcando reunião e presença ativa para coletar dados, de modo a levantar os temas geradores. Estes devem ser organizados em círculos concêntricos, partindo de uma abordagem mais geral até a mais particular. Tal operacionalização demanda, ainda, e isso cabe ao educador dialógico, devolver em forma de problema o universo temático recebido do povo na investigação.

Efetivada essa etapa e com os dados em mãos, realiza-se um estudo interdisciplinar sobre os “achados” nos círculos de cultura, a partir dos quais os envolvidos apreendem o conjunto de contradições que permeiam os temas. Cada envolvido na investigação temática apresenta um projeto de um dado tema, o qual passa por discussão e acolhe sugestões. Os projetos servem, posteriormente, de subsídio à formação dos educadores-educando que trabalharão nos círculos de cultura.

Após elaboração do programa, são confeccionados materiais didáticos em forma de, por exemplo, textos, filmes, fotos, entre outros. São preparadas, também, as codificações de situações existenciais, as quais têm que ser decodificadas pelo educando e promover o surgimento de uma nova percepção da questão tratada, como também o desenvolvimento de um novo conhecimento.

Em retrospecto ao exposto, convém sublinhar que se trata de uma obra que denuncia os limites de uma educação de ajustamento, ao mesmo tempo em que anuncia a possibilidade de uma educação humanizadora, “libertadora”, como diria o autor. Daí a atualidade e relevância de sua leitura pelos educadores das várias áreas do conhecimento, tanto os que estão em processo de formação acadêmica como aqueles que já atuam e, também, demais interessados pelas discussões do campo educacional.

Autor: Benício Passos