Primeiro debate no Ceará é marcado por ausência de Camilo e ataques de Ailton Lopes a adversários

Primeiro debate no Ceará é marcado por ausência de Camilo e ataques de Ailton Lopes a adversários

Participaram do debate General Theóphilo, Hélio Góis e Ailton Lopes. (Foto: Esdras Nogueira / Tribuna do Ceará)

Participaram do debate General Theóphilo, Hélio Góis e Ailton Lopes. (Foto: Esdras Nogueira / Tribuna do Ceará)

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Ceará foi marcado por críticas ao governador Camilo Santana (PT), que se esquivou do encontro com adversários; e pelos questionamentos incisivos de Ailton Lopes (Psol) a General Theóphilo (PSDB) e Hélio Góis (PSL). Os principais embates foram entre o candidato do Psol e o tucano. Os temas que mais geraram discussão foram segurança pública, reforma trabalhista e alianças políticas.

O encontro entre os candidatos foi transmitido ao vivo pelo Sistema Jangadeiro. Esse foi o maior debate multiplataforma já realizado no Ceará, com 11 canais de comunicação, entre TVs, rádios e portais, em transmissão simultânea do debate. Os mediadores foram os jornalistas Fábio Campos e Wanderley Filho, do Focus.Jangadeiro.

Ausente no encontro, o governador Camilo Santana foi alvo de críticas dos adversários durante todo o debate. Hélio Góis, ao falar sobre a segurança pública, fez ataques a Camilo. “O que falta para nosso Estado é coragem. Quem não tem coragem para enfrentar um debate, não tem coragem para enfrentar a criminalidade”, disse.

General Theóphilo criticou “falta de autoridade” do governador e disse que “falta de comando e medo” estão entre as características do petista.

“Camilo não veio porque não tem condições de explicar a aliança que fez com Eunício (Oliveira, do MDB), Gorete (Pereira, do PR) e Genecias (Noronha, do SD)”, disse Ailton Lopes, em referência à base aliada do governador, que reúne apoiadores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT de Camilo.

Embates

Sem o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto, Ailton protagonizou os principais embates, com ataques e questionamentos a posturas políticas e alianças de General Theóphilo e Hélio Góis.

Ailton Lopes protagonizou embates. (Foto: Esdras Nogueiras)

Ailton Lopes protagonizou embates. (Foto: Esdras Nogueiras)

Questionado por Ailton sobre o apoio do PSDB à reforma trabalhista, Theóphilo disse que o candidato do Psol “tem que ler os jornais”, pois as notícias mostram crescimento nos índices de emprego. O tucano ressaltou que quem reclama da reforma são os sindicatos por causa do fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. Theóphilo disse ser contrário apenas no que diz respeito aos direitos das mulheres grávidas.

Ailton replicou que o adversário não conhece a vida da população nem a realidade do Ceará. Ele citou dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) sobre o aumento do desemprego. Em contrapartida, Theóphilo acusou Ailton de citar dados que não são do Estado e atrelou o fechamento do comércio à violência.

O candidato do Psol ainda questionou Theóphilo sobre a relação do PSDB com um ex-secretário do Planejamento Governo da Gestão Camilo, Maia Júnior. O tucano disse que uma de suas primeiras ações foi pedir o afastamento do PSDB do então secretário.

“Quando cheguei, que fiz meu primeiro discurso, dois partidos que nos apoiavam pularam foram: o do Genecias (SD) e do Domingos Neto e Domingos Filho (PSD), porque botei a ética e a moral. E falei para ele (Tasso Jereissati): senador como temos como braço forte do atual governo o Maia Júnior? Não conheço o Maia Júnior, não sei da sua capacidade, mas, na mesma hora, foi obrigado a se licenciar do partido por uma exigência minha”, disse Theóphilo.

General Theóphilo (Foto: Esdras Nogueiras)

Ailton ainda ressaltou que Maia foi secretário de Tasso durante três governos e vice de Lúcio Alcântara. “No meu governo, ele não faz parte”, disse Theóphilo.

Em outro momento, foi questionada a presença de Eunício Oliveira na chapa governista, após disputar como oposição a Camilo em 2010. “Camilo se ausenta covardemente para não prestar contas porque hoje foi a público dizer que Eunício é candidato dele. Antes, foi de Tasso”, atacou Ailton.

Emprego e agrotóxicos
Ailton Lopes também debateu com Hélio Góis sobre a geração de emprego. O candidato do PSL defendeu a diminuição do Estado que, para ele, “gera cabide de emprego”. Ele disse que, se eleito, vai “desburocratizar a abertura de empresas”.

O candidato do PSol fez críticas a um “modelo concentrador de renda” nas gestões de Cid Gomes (PDT), Lúcio Alcântara (PSDB) e Tasso Jereissati (PSDB) no Governo do Estado. Ailton Lopes fez réplica a Góis questionando quem seria impactado com a diminuição da influência do estado. “Não é quem mora na periferia”, ressaltou. Ele defendeu investimento em agricultura familiar, turismo, ciência e tecnologia, dentre outras áreas.

Hélio Góis. (Foto: Esdras Nogueira)

Hélio Góis também foi questionado sobre apoio do PSL ao projeto de lei que altera as regras de fiscalização e aplicação de agrotóxicos. O candidato ligado a Jair Bolsonaro (PSL) disse que desconhecia a lei a prometeu estudá-la. Ele defendeu ações de proteções ao meio ambiente, relacionadas a segurança hídrica e a saneamento básico, mas não se fez menção sobre o o uso de agrotóxicos durante sua resposta.

“Me parece que a média de conhecimento da população está melhor que nesse debate”, atacou Ailton, após Góis ter se esquivado sobre postura do PSL de ser contra apuração de denúncias contra o presidente Michel Temer (MDB). Góis ainda se confundiu ao repetir que Temer havia sido vice do ex-presidente Lula (PT).

General e Hélio evitaram discussões acirradas e ataques entre eles.

Temas

Educação
No primeiro bloco, os candidatos respondiam perguntas temáticas e foram questionados sobre Educação, Saúde e Segurança. Ailton Lopes apresentou propostas como contratação de professores efetivos, revisão do plano de cargos e carreiras e salários.

General Theóphilo defendeu a adoação de um “padrão militar” nas escolas, atualização de professores e investimento em escolas de tempo integral para reduzir a evasão escolar.

Hélio Góis, questionado sobre acesso ao ensino superior, não fez propostas diretas sobre o tema, mas disse que a educação, se eleito, será “tratada logo na infância”. Ele ressaltou a necessidade de “dar acesso aos meior para que o cidadão promova as mudanças na vida”.

Segurança
A discussão sobre segurança pública, em um estado que possui um dos maiores índices de homicídios do Brasil, ficou acirrada. Questionado sobre o que pode ser feito para reverter o cenário, Ailton Lopes atacou o General e o comparou ao vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM).

“Chega de demagogia e populismo. Tem candidato aqui que parece certo candidato que virou vice-prefeito e que dizia que os bandidos tinham 24 horas para sair da cidade, na época, quando era candidato a prefeito. Hoje ele é vice-prefeito e os índices são alarmantes”, disse Ailton, em referência a Moroni Torgan.

Ele afirmou ainda que dizer que se trata de “falta de coragem” é “apelar para populismo”. Ele destacou políticas de prevenção da criminalidade e criticou o investimento em polícia repressiva, como o Batalhão do Raio, uma das principais ações de governo de Camilo.

Uma das propostas do General Theóphilo é reduzir em 50% dos indíces de homicídio no Ceará se eleito. Ele defendeu o investimento em tecnologia para aperfeiçoar a inteligência das polícias no Estado, controlando fronteiras e o tráfico de drogas. “A droga nossa entra pelo litoral, com as duas maiores cidades da droga aqui: Canoa Quebrada e Jericoacoara, com campos de pouso clandestino”, afirmou.

Theóphilo também saiu em defesa da criação de uma secretaria voltada para proteção de mulheres, propôs a criação de um Batalhão Maria da Penha e a adoção de tornozeleira eletrônica para agressores.

“O que falta para nosso estado é coragem”, respondeu Hélio Góis sobre o tema, em crítica ao governador. Ele defendeu instalação de bloqueadores de celular nos presídios e investimento em inteligência e em “material humano”. Ele criticou a diferença entre o total de policiais civis e militares no Estado. Disse ainda que o Governo faz “show pirotécnico” com a polícia.

2° Bloco

Saúde
No debate sobre saúde, Hélio Góis criticou a má gestão do dinheiro público e a construção de hospitais sem garantias de custeio. Ele defendeu o investimento em agentes de saúde e melhores condições de trabalho aos profissionais da área.

General Theóphilo prometeu investir em gestão, com contratação de diretores com dedicação em tempo integral, criar logística de distribuição de medicamentos, contratar mais médicos e fazer parceria com os municípios para investir em atenção primária.

Ailton Lopes criticou o fechamento de leitos em hospitais. Ele defendeu o suporte do Estado aos municípios para organizar a atenção primária e criar uma carreira para o profissional de saúde.

3° bloco

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Jéssica Welma22 de agosto de 201818:45Publicado primeiro em TRIBUNA DO CEARÁ

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