“Declaração do secretário sobre mudanças em presídios instigou ataques”, avalia especialista

“Declaração do secretário sobre mudanças em presídios instigou ataques”, avalia especialista

Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Ônibus foram incendiados em Fortaleza (FOTO: Reprodução WhatsApp)

Especialista em segurança pública ouvido pelo Tribuna do Ceará avalia que a declaração do secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, teria instigado uma insatisfação que já existia entre facções criminosas do estado desde dezembro, quando houve o anúncio de sua vinda para atuar no Ceará. Isso teria levado ao estopim das ações criminosas ocorridas desde a noite de quarta-feira (2), na Região Metropolitana de Fortaleza.

O pesquisador Ricardo Moura, do Laboratório de Estuados e Pesquisas Conflituante e Violência (Covio), da Universidade Estadual do Ceará (Uece), analisou a declaração do secretário, que prometeu novos procedimentos na rotina prisional e afirmou não reconhecer facção, incluindo a separação de detentos dos presídios.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Ricardo Moura explica que a fala instigou as ameaças de facções criminosas, que – segundo ele – já existiam antes mesmo da posse do secretário, ocorrida no dia 1º de janeiro. “Na semana do Natal, já estavam circulando os ‘salves’ [ordens se dentro dos presídios] no sentido de que fossem realizados ataques a equipamentos públicos e a locais que pudessem causar transtorno à população e afrontar o governo”.

Na visão do especialista, no momento em que o secretário foi empossado e declarou o não-reconhecimento de facções, a situação de ameaça foi instigada. “Porque o ‘salve’ já tinha a orientação de realizar ataques e já mostrava que eles [integrantes de facção] estavam incomodados com a vinda”.

De acordo com Ricardo, as mensagens começaram a circular no momento em que foi noticiada a chegada do novo secretário. “Já havia um tom de ameaça, indicando a realização desses ataques; e, talvez, os órgãos de segurança já tivessem noção”.

Para o pesquisador da Uece, a comunicação com a sociedade é essencial nesse momento. “Por parte das autoridades, para a população ficar informada e se sentir mais segura”.

Na tarde desta quinta-feira (3), o governador Camilo Santana se manifestou nas redes sociais, anunciando, dentre outras medidas, que pediu apoio da Força Nacional e do Exército, para atuarem em conjunto com as forças cearenses contra as facções que provocaram a onda de terror.

Sem comentar

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSPDS) informou que somente a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) poderia comentar as avaliações do especialista. A Sejus, por sua vez, não retornou até o momento da publicação desta matéria.

O Tribuna do Ceará aguarda nota oficial da SSPDS, com o balanço de ataques, presos e feridos durante os ataques iniciados na noite de quarta-feira, que prosseguem nesta sexta-feira. Somente 30% da frota de ônibus circula na Região Metropolitana de Fortaleza, por medida de segurança.

Confira a cobertura sobre o caso:

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Tribuna do Ceará4 de January de 201910:59Publicado primeiro em TRIBUNA DO CEARÁ

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