Moradores de Córrego do Feijão enterram vítimas e buscam por parentes

Moradores de Córrego do Feijão enterram vítimas e buscam por parentes

Desde 2015, os 400 moradores do Córrego do Feijão, que fica perto de Brumadinho, não viam um enterro de alguém que vivia na pequena comunidade rural. Com o rompimento da barragem da mineradora Vale, são vários todos os dias. A abertura de mais covas é feita às pressas para realização dos sepultamentos no vilarejo, um dos mais atingidos pela tragédia.

Um dos enterros foi o da filha de Alzira Maia. Ela enterrou nesse sábado (2) o corpo da filha Cristina Cruz, que trabalhava na pousada soterrada pela onda de lama de rejeitos. “A minha esperança é que ela podia ter fugido. Não era a hora dela ainda”, conta. “Pelo menos ela teve um enterro digno”, diz. Cristina trabalhava na pousada há mais de dez anos e tinha uma filha e um filho.

Córrego do Feijão, Desabamento ,Barragem de Brumadinho,Cemitério de Brumadinho

Corpos de vítimas do rompimento da barragem são enterrados no cemitério do vilarejo de Córrego do Feijão – Rafael Calado/TV Brasil

Mesmo após o enterro da filha, Alzira continua a ir ao posto de atendimento, montado para dar informações sobre as buscas, resgates e pessoas desaparecidas, em busca de notícias sobre os parentes de amigos e vizinhos.

Assim como o aposentado Wilson Caetano, 64 anos, que fica no local aguardando por informações sobre o filho: o mecânico de manutenção Luiz Paulo Caetano, 31 anos, que prestava serviços para Vale e estava trabalhando no momento que a barragem se rompeu. O aposentado conta que desde o dia 25 de janeiro deixa o local do mesmo jeito: sem nada, sem nenhuma informação

Dona Alzira

Alzira Maia perdeu a filha que trabalhava na pousada destruída e soterrada pela lama de rejeitos – Rafael Calado/TV Brasil

“Eu quero meu filho com vida. Eles não querem entregar nem meu filho morto”, diz.

Wilson Caetano relembra que o filho tomava café na casa dos pais e “brincava com a mãe” antes de sair para o trabalho. O mecânico tinha se casado em novembro do ano passado.

O aposentado relata não ter mais sossego desde a perda do filho. “Ela [Vale] vem e me tira meu filho. Quem vai me devolver ele? Como vou viver o resto da minha vida sem ele?”, desabafa.

Os bombeiros iniciaram hoje (3) o décimo dia de buscas por vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão. De acordo com balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais, 395 pessoas foram localizadas pelas equipes de buscas, 226 continuam desaparecidas e 121 morreram.

 

Desde 2015, os 400 moradores do Córrego do Feijão, que fica perto de Brumadinho, não viam um enterro de alguém que vivia na pequena comunidade rural. Com o rompimento da barragem da mineradora Vale, são vários todos os dias. A abertura de mais covas é feita às pressas para realização dos sepultamentos no vilarejo, um dos mais atingidos pela tragédia.

Um dos enterros foi o da filha de Alzira Maia. Ela enterrou nesse sábado (2) o corpo da filha Cristina Cruz, que trabalhava na pousada soterrada pela onda de lama de rejeitos. “A minha esperança é que ela podia ter fugido. Não era a hora dela ainda”, conta. “Pelo menos ela teve um enterro digno”, diz. Cristina trabalhava na pousada há mais de dez anos e tinha uma filha e um filho.

Córrego do Feijão, Desabamento ,Barragem de Brumadinho,Cemitério de Brumadinho

Corpos de vítimas do rompimento da barragem são enterrados no cemitério do vilarejo de Córrego do Feijão – Rafael Calado/TV Brasil

Mesmo após o enterro da filha, Alzira continua a ir ao posto de atendimento, montado para dar informações sobre as buscas, resgates e pessoas desaparecidas, em busca de notícias sobre os parentes de amigos e vizinhos.

Assim como o aposentado Wilson Caetano, 64 anos, que fica no local aguardando por informações sobre o filho: o mecânico de manutenção Luiz Paulo Caetano, 31 anos, que prestava serviços para Vale e estava trabalhando no momento que a barragem se rompeu. O aposentado conta que desde o dia 25 de janeiro deixa o local do mesmo jeito: sem nada, sem nenhuma informação

Dona Alzira

Alzira Maia perdeu a filha que trabalhava na pousada destruída e soterrada pela lama de rejeitos – Rafael Calado/TV Brasil

“Eu quero meu filho com vida. Eles não querem entregar nem meu filho morto”, diz.

Wilson Caetano relembra que o filho tomava café na casa dos pais e “brincava com a mãe” antes de sair para o trabalho. O mecânico tinha se casado em novembro do ano passado.

O aposentado relata não ter mais sossego desde a perda do filho. “Ela [Vale] vem e me tira meu filho. Quem vai me devolver ele? Como vou viver o resto da minha vida sem ele?”, desabafa.

Os bombeiros iniciaram hoje (3) o décimo dia de buscas por vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão. De acordo com balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil de Minas Gerais, 395 pessoas foram localizadas pelas equipes de buscas, 226 continuam desaparecidas e 121 morreram.

 

Ana Graziela Aguiar – Enviada especial da TV Brasilhttp://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-02/moradores-de-corrego-do-feijao-enterram-vitimas-e-buscam-por-parentesPublicado primeiro em EBC ÚLTIMAS NOTÍCIAS

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