Agroecologia: uma outra forma de se alimentar

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Agroecologia: uma outra forma de se alimentar

Momento Agroecológico

Sistema propõe uma nova conexão do homem com a natureza

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Agroecologia é uma ciência multidisciplinar que leva em consideração as questões ecológicas de ecossistema
Gibran Mendes/Fotos Públicas

O discurso que rejeita as mudanças climáticas e seus impactos para todo o planeta vem ganhando cada vez mais força no Brasil. Sobretudo, depois da vitória de Jair Bolsonaro (PSL), que com suas declarações e atitudes, reforça esse movimento.

No entanto, um relatório divulgado recentemente pela ONU, a Organização das Nações Unidas, mostra que essa crise é bem real e avança cada vez mais rápido.

O texto, elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, faz um alerta importante: a humanidade precisa fazer uma profunda mudança na produção de alimentos, na relação com os solos e nos hábitos alimentares, como explica a professora  Michelle Sato Frigo, coordenadora do Núcleo de Estudos de Agroecologia, da Universidade Federal do ABC.

“Os sistemas tradicionais de agricultura precisam ser revistos. Revistos por que? Porque eles não são mais sustentáveis, na verdade eles nunca foram. Eles interferem de uma forma no meio ambiente, a cada vez mais, apenas retirar recursos naturais e não levar em consideração o equilíbrio desse sistema”, diz.

E é nesse contexto que a agroecologia se apresenta como uma saída possível para a crise ambiental que estamos vivendo. Michelle fala que esse sistema propõe uma outra forma de pensar a nossa comida e como a consumimos, mais ampla e que inclui os diferentes processos e necessidades de tempo e lugar.

“Um hall de técnicas que são adaptadas aquele ambiente e que levam em consideração uma série de fatores locais e de percepção local. Então, você tem que ter uma leitura muito própria e muito única de cada agroecossistema”, defende.

Um exemplo é o fato de comermos tomate ou alface todos os dias. A professora lembra que só é possível produzir esses alimentos durante todo ano, modificando alguns processos naturais e isso pode trazer impactos no solo, na água ou no clima de determinado local.

“As pessoas deveriam ter essa lógica de entender que em cada época do ano, existe um alimento a ser consumido e ele é próprio daquela estação. E você ao consumir aquele alimento próprio da estação, você também está contribuindo para uma série de nutrientes que são próprios e necessários ao seu corpo naquela época. Então, o pensar agroecológico é sistêmico e não individualizado da produção agrícola apenas, mas de que o homem faz parte desse ambiente”, fala. 

Se de um lado, nós que vivemos nos grandes centros urbanos, estamos cada vez mais distantes da natureza, existem povos que fazem da sintonia com os elementos e recursos naturais sua única forma de sobrevivência. A professora Michelle fala da importância da experiência que essas populações acumularam ao longo de toda a história e de como a ciência deve aprender e se espelhar na ancestralidade dessas pessoas.

“Então assim, o conhecimento tradicional de ribeirinhos, quilombolas, indígenas, dos mais tipos diferentes de agricultores familiares, ele é essencial para a ciência agroecológica. É através deles que nós vamos reaprender como viver em harmonia com o meio ambiente”, finaliza. 

As mudanças no clima, que já afetam diretamente a vida de centenas de pessoas e animais ao redor do mundo, com grandes episódios de secas, altas temperaturas, queimadas e enchentes, exigem respostas rápidas. Cabe a toda nós cobrar por mudanças de hábitos, ações efetivas e políticas públicas, por parte de governantes, empresas e da sociedade como um todo. 

15 de August de 201909:48


Publicado Primeiro em Brasil de Fato

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