César profetizou seu futuro amoroso com Ana em brincadeira de infância

GERAL

César profetizou seu futuro amoroso com Ana em brincadeira de infância   

César casou-se com Ana, mora em Fortaleza, é pai de Rachell e Beatriz, ambas nascidas em cesarianas (FOTO: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Casar-se com uma mulher chamada Ana, ter duas filhas e morar em Fortaleza. Esse era o futuro que o carioca César Raeder de Sousa repetia para si desde os 10 anos de idade. Àquela altura, mal sabia que tudo isso se concretizaria.

No Dia dos Namorados, o Tribuna do Ceará mostra que uma brincadeira de criança pode virar uma bela história de amor.

“Tudo que eu dizia quando era moleque aconteceu. Pensava que se eu me casasse com uma mulher chamada Ana, ficaria ‘César e Ana’, de cesariana. Minhas filhas não nasceriam de parto natural”, explica, aos risos.

Hoje, César mora no bairro Cidade dos Funcionários. Tanto Rachell quanto Beatriz, suas filhas, vieram ao mundo por meio de cesáreas. Com a cearense Ana, ele viveu uma forte história de paixão e companheirismo, interrompida somente pelo falecimento da parceira em setembro passado.

“A partida da Ana foi um momento devastador. Ainda está muito difícil. Não é fácil, não. Mas a vida segue”, avalia o programador aposentado.

César é conhecido entre os amigos e familiares pelo jeito descontraído e brincalhão. Por isso, o programador aposentado pede licença ao luto para contar o que afirma ter sido o grande amor de sua vida.

O começo de tudo

Compromissos de trabalho quase deram fim ao namoro de César e Ana (FOTO: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O primeiro encontro do casal ocorreu no Rio de Janeiro e teve como cenário a Gafieira Estudantina Musical, no final da década de 1980. Na tradicional casa de dança de salão, César já percebeu que sua profecia começava a se realizar.

“Olhei aquela cabecinha e disse: ‘Essa cabeça aqui não é de carioca’. Chamei para dançar, ela disse que se chamava Ana e era cearense. Eu falei: ‘Caraca, olha só a coisa acontecendo’”, relembra.

A estadia de Ana na capital fluminense devia-se ao curso de mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o fim das aulas, ela retornaria ao trabalho na Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. O namoro terminaria ali? Se dependesse de César, não.

“Me perguntei o que eu ainda tinha para fazer no Rio. As coisas estavam se conjugando. Ana, Fortaleza… Chutei o balde. Pedi demissão, me despedi dos amigos, larguei tudo”, conta.

As cesarianas

Em Fortaleza, César precisou se adaptar à diferença climática e descobriu que “o açude ‘sangra’, o pneu fica ‘seco’ e o dedo pode ser ‘desmentido’”. Acima de tudo, aprendeu a ser o pai querido de Rachell e Beatriz.



Para o nascimento da primeira filha, em 1991, Ana pretendia realizar parto normal, mas acabou tendo que recorrer à cesariana. Cinco anos depois, quando o casal menos esperava, outra gravidez aconteceu.

“O médico falou que Ana não poderia ter mais filhos. Quando estávamos em Morro Branco, me deu uma inspiração, que não sei qual foi, a gente ‘se pegou para caramba’ lá e veio a Beatriz”, gargalha César.

No parto da segunda filha, a cesárea foi programada desde o começo da gravidez, já que Ana foi acometida por uma diabetes gestacional. Assim, a brincadeira de César terminava de se tornar realidade.

A partida

Por volta de 2011, César e Ana acabaram se separando. Dali em diante, o companheirismo virou a principal característica da relação a dois. “Ficamos amigos. O que ela precisava, eu estava junto e vice-versa”, destaca o aposentado.

Ele afirma ter se surpreendido com o falecimento de Ana, em decorrência de uma infecção bacteriana, que paralisou seus rins e ocasionou a falência múltipla dos órgãos.

Ana é definida como uma mulher inteligente e amável (FOTO: Reprodução/Arquivo Pessoal)

“Nos últimos exames que ela fez, tava tudo legal. Ela foi para Portugal, voltou, foi para Manaus visitar a Beatriz, e já voltou doente. Em dois dias, a mulher foi embora”, lamenta, com um embargo na voz.

A pedido das filhas, César passou a residir no apartamento em que Ana morava, para evitar que o imóvel fique fechado. Segundo ele, ainda é difícil lidar com as memórias que a casa lhe traz.

“Cada lugarzinho da casa tem uma lembrança dela. Ana era extremamente sedutora, mas quando virava bicho, meu irmão, tinha que sair correndo. Era uma pessoa muito legal, inteligente e amável”, cita, emocionado.

Conselho

A partida de Ana deixou saudade, mas não levou embora o bom humor de César (FOTO: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Aos 57 anos, César afirma que o mais importante em uma relação é o bem-estar. “Por mais que a gente tenha nossas imperfeições, a gente sempre tende ao amor. Ficar bem é fácil, mas a gente complica. Namorem, amem e fiquem bem”, aconselha o dono desta forte experiência de vida.

    William Barros  12 de June de 2019  07:00  

Publicado Primeiro em Tribuna do Ceará

Hits: 2

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *