Editorial | Mesmo com alguns sinais de avanço, o Congresso segue conservador

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Editorial | Mesmo com alguns sinais de avanço, o Congresso segue conservador

Política

Em PE foram eleitos 25 deputados federais, de 17 partidos diferentes

Da Redação |
Congresso segue conservador
Latuff

Muito foi falado sobre a necessidade de mudanças e de renovação na política nessa última eleição. Alguns elementos importantes nos levam a crer que os resultados foram coerentes com esse “chamado da sociedade”. Na Câmara de Deputados, houve um índice de renovação acima de 50 %; no Senado, dos 32 candidatos à reeleição apenas oito foram eleitos. Alguns conhecidos “caciques políticos” não retornaram a seus cargos. Houve também um número maior de partidos diferentes eleitos, ao mesmo tempo em que partidos tradicionais tiveram um número menor de candidatos eleitos. Importante contudo, perceber que muitos desse considerável número de eleitos pela primeira vez não eram necessariamente figuras novas na política, sendo já experientes em outros cargos.
    Deve chamar a atenção nessa análise, como se já não nos bastasse a derrota sofrida com a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro, o aumento de um para 52 deputados do PSL e quatro inéditos senadores. Junto com o crescimento deste partido, houve a continuação de um aumento de eleitos de partidos de direita, com aspirações conservadoras para as políticas públicas e para os direitos humanos.
    Algumas conquistas seguem com significados importantes, ainda que não o bastante para dar conta da desigualdade de gênero e de raça na política de um modo geral. Mais mulheres e mais negros eleitos, um primeiro senador gay, uma primeira indígena deputada federal, um primeiro deficiente visual eleito. Temos um mapa com alguns sinais de avanços a serem celebrados, mas de forma geral, é importante lembrar que o Congresso segue mais conservador, entendendo ainda que a diversidade alcançada não represente necessariamente a defesa dessas pautas.
    Em Pernambuco, um desafio semelhante se apresenta com a eleição de 25 deputados federais de 17 partidos diferentes, porém com uma renovação menor sendo apenas 10 eleitos pela primeira vez para o cargo diante das 15 reeleições. Deste universo, foi eleito apenas uma mulher – ainda que a segunda mais votada. De modo geral, como o “efeito Bolsonaro” não foi tão forte no estado, também só foram eleitos sete deputados que assumiram posição de base ao governo federal enquanto 10 se apresentam como oposição.
    Existem uma série de pautas que significam grandes retrocessos para o povo brasileiro, e ainda não sabemos bem como se darão as prioridades por dentro do governo. Contudo, sejam elas projetos de ampliação das privatizações e corte de direitos como suposta salvação para crise econômica, ou a insistente pauta devastadora da reforma da previdência, e ainda somando propostas como as de “ideologia de gênero” tão defendidas pela bancada evangélica, teremos grandes desafios.
    Representantes eleitos comprometidos os ideais de defesa dos direitos, da justiça, do respeito para toda a população seguirão com importante papel de travar medidas de enfrentamento aos retrocessos anunciados. Por outro lado, o povo precisará seguir em luta e resistência na defesa e fortalecimento da força social que a bancada de esquerda e progressista precisará para potencializar suas movimentações nesse período.
 

4 de February de 201909:49

Via Brasil de Fato

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