Médicos brasileiros serão convocados para vaga de cubanos, diz ministério

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Médicos brasileiros serão convocados para vaga de cubanos, diz ministério

Médica cubana atende paciente na Bahia.

O Ministério da Saúde afirmou que adotará medidas imediatas para que profissionais brasileiros passem a integrar o Mais Médicos, após a decisão de Cuba de abandonar o programa do Brasil. A ideia é que os brasileiros supram as possíveis vagas deixadas em aberto por profissionais cubanos. Em nota enviada ao HuffPost Brasil, a pasta pediu “tranquilidade” à população.

“A iniciativa imediata será a convocação nos próximos dias de um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos. Será respeitada a convocação prioritária dos candidatos brasileiros formados no Brasil seguida de brasileiros formados no exterior. O Ministério da Saúde reafirma e tranquiliza a população que adotará todas as medidas para que profissionais brasileiros estejam atendendo no programa de forma imediata”, diz a nota.

De acordo com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o contigente de médicos formados no Brasil é suficiente para atender à população.

“Nós estamos formando em torno de 20 mil médicos por ano, e a tendência é aumentar esse número. Nós podemos suprir esse programa com esses médicos”, afirmou em entrevista à imprensa.

Bolsonaro ainda ofereceu asilo aos médicos cubanos que optarem por permanecer no País.

“O programa não está suspenso. Profissionais de outros países podem vir para cá. E, a partir de janeiro, nós pretendemos dar uma satisfação às populações desassistidas. O cubano que pedir asilo aqui vai poder ficar.”

Nesta quarta-feira (14), o Ministério da Saúde de Cuba encerrou o acordo com o Brasil no programa Mais Médicos. Em vigor desde 2013, atualmente 8.332 profissionais cubanos atuam no País. O número é quase metade das vagas disponíveis — o programa disponibiliza, no total, 18.240 vagas.

Desde 2016, no entanto, políticas do Ministério da Saúde buscavam a diminuição de médicos cubanos nos atendimentos. De acordo com a pasta, a prioridade é a de que o atendimento seja feito por brasileiros.

Para isso, outras medidas estão sendo estudadas para ampliar a área de cobertura de medicina básica no País. Uma delas é a negociação com os alunos formados por meio do FIES (Programa de Financiamento Estudantil) para esse tipo de atuação.

“Essas ações poderão ser adotadas, conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo”, afirma o Ministério da Saúde.

Em 2017, o Ministério da Saúde destinou R$ 3,1 bilhões para o programa Mais Médicos. Para 2018, a cifra é de R$ 3,3 bilhões.

Médicos cubanos no Brasil

Os estados de São Paulo e Bahia devem ser os mais impactados com o fim do acordo.

São Paulo é o estado que tem o maior número de médicos cubanos ativos em 2018 — são 1.394 profissionais. Já a Bahia está em segundo lugar e conta com 822 profissionais ativos. Roraima e Amapá compõem o final da lista. Os estados têm 66 e 73 médicos cubanos trabalhando em seus municípios, respectivamente.

Para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o período de transição do programa causa preocupação.

A Opas diz que será responsabilidade do presidente eleito criar as regras para que os médicos cubanos sejam retirados de suas funções, mas sugere que a transição seja feita de forma “gradual”.

Ana Beatriz Rosa

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