O Movimento das Comunidades Populares homenageia quem doa a vida pelos desvalidos

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O Movimento das Comunidades Populares homenageia quem doa a vida pelos desvalidos

Notas acerca das homenagens prestadas pelo MCP ao Pe. João Geisen

Neste final de semana, dias 25 e 26 de novembro próximo passados, o Movimento das Comunidades Populares (a caminho dos seus 50 anos, a celebrar em 2019) houve por bem prestar um tributo criativo a uma das figuras de reconhecida contribuição ao Movimento. Teve lugar em São Lourenço da Mata – PE, com expressiva participação de militantes do MCP vindos da maioria dos Estados do Nordeste, do Maranhão à Bahia, passando por Alagoas, Pernambuco, Paraíba, fazendo-o por meio de atividades criativas, bem conformes ao perfil das práticas e concepções deste Movimento cinquentenário. Ainda que sem ter feito anotações, e assumindo os riscos dos lapsos de memória (omissões, imprecisões, etc.), ouso compartilhar uma breve nota da leitura que pude fazer deste memorável acontecimento, especialmente no que diz respeito às experiências de memória vivenciadas, no domingo.

Os militantes – mulheres e homens – do MCP, em especial os atuantes no Nordeste decidiram, a justo título, prestar uma homenagem a um de seus militantes de referência, Pe. João Geisen, que, ao longo de décadas, atuou vivamente em diferentes atividades e iniciativas protagonizadas pelo MCP, desde os tempos em que este movimento atuava com outros nomes (MER – Movimento de Evangelização Rural; CTI – Corrente de Trabalhadores Independentes; MCL – Movimento de Comissão de Luta). Nascido num pequeno país europeu, Luxemburgo, Padre João Geisen chegou ao Brasil, em tempos de chumbo, e, fixando-se no Nordeste, como Missionário, cuidou de inserir-se no meio do povo e nele criar raízes, por meio do atual MCP. Em consequência de problemas pulmonar, veio a fazer sua grande viagem aos 72 anos, ainda recentemente.

Em seu vasto e reconhecido legado de profeta e pastor chamam a atenção a qualidade e a quantidade de iniciativas que ele inspirou e animou, com amplo reconhecimento do povo dos pobres: seu empenho em fazer prosperar os grandes eixos de atuação do MCP, durante essas décadas, seja no plano organizativo (efetiva contribuição na construção de centros de encontro e de organização dos “debaixo”, no âmbito das lutas por moradia, construção de creches em mutirão), seja no campo formativo e de comunicação (é sempre lembrado com ênfase, seu envolvimento pessoal nas atividades relativas ao Jornal A Voz Das Comunidades). Dentre as várias sedes regionais do MCP, inclusive aquela em que se deu este encontro de homenagem, também contou com a contribuição efetiva deste mesmo militante.

Esta programação de homenagem ao Padre João, iniciada no sábado 24/11 debatendo o tema “Religião Libertadora”, alcançou seu ápice nas atividades realizadas no domingo. Com a participação de cerca de 90 pessoas (pelos nomes que escutei, na apresentação, cheguei a contar 87), a equipe organizadora já estava a postos a acolher, com alegria, os/as que chegavam, oferecendo-lhes o café da manhã e, ao meio dia, um saboroso almoço preparado por Silvia e outras artesãs da culinária, ao preço de 5 reais! Todos acomodados no salão principal do centro de informação, por volta das nove horas, a coordenação deu as boas-vindas aos presentes, e, após indicar a programação do dia, solicitou que, por Estado, por cidade e por área, os presentes fossem se apresentando, dizendo nome e de onde vinham. Assim foi feito. De dezenas de participantes apresentados, arrisco-me a mencionar alguns nomes: Aldo, Augusto, Celerino, Chico Malta, Cosme, Daniel, Dorinha, Edson, Flávio, Francisquinha, Gildo, Guilherme, Gustavo, João Carlos, Luiz Alves, Maria do Carmo, Miriam, Ronaldo, Sílvia, Socorro ,Tiago (MCP),Tiago (CPT), Zezé, Zélia… Estes e tantos outros participantes vinham de diferentes estados e cidades do Nordeste.

Cidades representadas:

Pernambuco: Recife, Olinda, Peixinhos, Vitória, Gravatá, Paulista, São Lourenço, Itambé,

Bahia: Salvador, Feira de Santana

Alagoas: Maceió, Arapiraca

Paraíba: Carrapateira, Itabaiana, Santa Rita, João Pessoa

Maranhão.

 

Fomos brindados, em seguida, por um alegre grupo infanto-juvenil do MCP, com belas coreografias, acompanhadas de músicas do Movimento e alusivas aos nossos principais segmentos das classes populares (povos indígenas, comunidades quilombolas, camponeses e operários), bem como  suas principais bandeiras de lutas. Em sua criativa linguagem artística, aquelas jovens e adolescentes conseguiram traduzir princípios e valores fundamentais ao MCP, tais como o compromisso com a causa libertadora, dos desvalidos, a solidariedade, a partilha, a força do mutirão, cuidados com a saúde popular, moradia, etc.

Após essas belas coreografias, a Coordenação nos brindou com algumas frases do Pe. João, seguidas de comentários feitos pelos que o conheceram mais de perto. Já então, alguns militantes – mulheres e homens – cuidaram de prestar densos depoimentos sobre o legado profético do Pe.l João, a serviço das classes populares. Em encontro anterior, representantes do MCP se haviam reunido para destacarem uma lista em torno de uma dúzia mais de uma dúzia de lições que podem ser extraídas do denso legado de Pe. João, dentre as quais, com minhas palavras, me permito destacar apensa algumas:

– a de ter sido capaz de deixar sua terra, para viver com os empobrecidos do Nordeste brasileiro;

– sua coragem profética de manter-se em defesa e promoção do povo dos pobres, mesmo  tendo que preferir afastar-se da instituição eclesiástica, para seguir fiel ao Projeto do Reino de Deus e Sua justiça;

– em prol das causas do MCP, atuou como seu embaixador junto à gente do seu país (Luxemburgo).

 

E prosseguiam os edificantes depoimentos, por parte de mais de uma dezena de militantes de vários Estados, acerca dos feitos proféticos e solidários do Pe. João.

Após um almoço delicioso, servido  com fartura, tivemos um momento de pausa de espairecimento durante o qual as partilhas individuais seguiam soltas. Por volta das 14 horas, tivemos a retomada das atividades previstas na programação. A certa altura, João Carlos, um dos militantes de referência do Movimento, brindou-nos com uma breve leitura da atual conjuntura. Chamou-nos, não menos, a atenção pelo edificante testemunho que prestou acerca de sua aproximação com padre João. Contou-nos alguns traços marcantes de sua dolorosa experiência como vítima de um grave acidente de ônibus, do qual lhe resultou sério comprometimento dos movimentos. Causou-nos espécie ter-nos compartilhado sua cura completa, sem ter passado por cirurgia. Fato que ele atribui à interseção de figuras como D. Helder e Pe. João. Após o edificante testemunho de João Carlos, passamos a acompanhar a apresentação das “Colunas“ do MCP e dos “Setores” do Movimento. No primeiro momento, por meio de belos “banners”, tivemos a oportunidade de acompanhar os dez eixos que constituem as prioridades do MCP, bem como, em cada um deles, a presença e participação do Pe. João:

Vale a pena sublinhar a importância vital das dez colunas do MCP, principalmente tendo em vista a eficácia das ações concretas desenvolvidas em cada um desses dez eixos, ou colunas, como a ela se refere o Movimento:

– Sobrevivência Popular, Religião Libertadora, Família Comunitária, Escolas Comunitárias, Saúde Popular, Moradia Popular, Esporte Comunitário, Arte Popular, Lazer Alternativo, Infraestrutura Coletiva

 

Relevante, igualmente, é sublinhar a serviço de quem tais eixos, ou colunas, são desenvolvidos. Trata-se, aqui, de revisitar com compromisso e esperança, os principais componentes de nossas classes populares, chamadas de Setores, em função de quem o Movimento se coloca por inteiro, a saber:

– Povos indígenas, comunidades quilombolas, camponeses, operários.

 

Ainda antes do encerramento, tivemos conhecimento, por intermédio de Flávio e equipe, do livro, em fase de conclusão, que se está elaborando acerca da vida, dos trabalhos, e da contribuição do Pe. João Geisen, em sua trajetória como militante do MCP.

O Encontro encerra-se com a caminhada feita pelos participantes com seus “banners”, acompanhados pela pequena urna de cinzas do Pe. João (a serem depositadas na Capela do Instituto) desde o Centro de formação até ao recém-construído Instituto Pe. João, onde se fez uma prece final em homenagem a esta figura.

São Lourenço da Mata/ João Pessoa, 26/11/2018

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Alder Júlio Ferreira Calado26 de November de 201823:03Publicado primeiro em consciencia.net

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