Privatização da Dersa é aprovada em SP; para opositora, objetivo é esconder corrupção

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Privatização da Dersa é aprovada em SP; para opositora, objetivo é esconder corrupção

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Beth Sahão diz que “a Dersa está sendo extinta para evitar uma CPI”; deputados aprovaram projeto por 64 votos a 15

Marcos Hermanson |
Criada em 1969, a Dersa era responsável pela elaboração de projetos de engenharia na área de transportes
Divulgação

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, na sessão ordinária desta terça-feira (10), a extinção da empresa pública estadual Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) por 64 votos a 15. Entre os projetos elaborados pela empresa estão o ainda inconcluso Rodoanel e as rodovias Imigrantes, Ayrton Senna e Bandeirantes, hoje geridas pela iniciativa privada. 

Para a deputada estadual Beth Sahão, que se opôs à privatização, “a Dersa está sendo extinta para evitar a ‘CPI da Dersa’, que mostraria a corrupção no interior dos governos tucanos [do PSDB]. O real motivo não é prejuízo, não é déficit. Pelo contrário, o governo [João Doria (PSDB)] deve para a Dersa e não paga”. A reportagem aguarda dados oficiais para checar o valor do suposto “calote” do governo do Estado à empresa. O Brasil de Fato também aguarda retorno do PSDB para comentar as acusações.

Criada em 1969, a Dersa era responsável pela elaboração de projetos de engenharia na área de transportes, pela gestão do sistema de balsas estaduais e de rodovias construídas por ela própria — atribuição que perdeu em 2006, ano da última concessão realizada pelo governo.

A companhia tem também projetos não executados, cujos prazos para conclusão ficam incerta com a extinção. Entre os exemplos, estão a recuperação de parte da malha ferroviária paulista e a construção de um túnel submarino ligando Santos a Guarujá, projeto cuja elaboração custou R$ 60 milhões.

A empresa ganhou notoriedade recentemente por conta da condenação do ex-diretor Paulo Vieira de Souza em múltiplos esquemas de corrupção que beneficiaram o PSDB em São Paulo. 

Paulo Preto, como era conhecido, está preso desde fevereiro por desvio de dinheiro público, inserção de dados falsos em sistema da administração pública e associação criminosa. 

A forç- tarefa da Lava Jato, responsável pela investigação, aponta que R$ 521 milhões de reais foram desviados das obras do metrô e do trecho Sul do Rodoanel, ambas administradas pela Dersa. 

Funcionários da Dersa ouvidos pelo Brasil de Fato reclamam da ingerência política do PSDB na empresa. Eles apontam que os diretores da companhia são indicados pelo governo e que há muitos anos um funcionário de carreira não ocupa a mesa diretora.

10 de September de 201919:10


Publicado Primeiro em Brasil de Fato

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