Protestos contra retrocessos sociais

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Protestos contra retrocessos sociais

Observatório de conflitos urbanos

Pesquisa mapeia protestos sociais ocorridos em Curitiba no mês de abril

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Professores protestam em Curitiba no 29 de abril, data do “massacre do Centro Cívico”
Divulgação App-Sindicato

Professores protestam na Assembleia Legislativa

O projeto escola sem partido foi pauta de uma audiência no dia 15 de abril na Assembleia Legislativa do Paraná e foi considerado inconstitucional pelo Ministério Público. O evento contou com a presença de professores, que permaneceram amordaçados para demonstrar sua posição contra o projeto. Visto que o programa pretende acabar com debates dentro da sala de aula, o principal argumento discutido foram as consequências que isso trará, como a má formação do senso crítico dos alunos, assim como prejuízos na sua construção acadêmica e social.

Para o presidente da APP Sindicato do Paraná, professor Hermes Silva Leão, a escola deve ser um ambiente de múltiplas opiniões, servindo como espaço para que se possa aprender e questionar sobre política, cidadania, sexualidade e violência. O que contraria a proposta, já que, conforme o deputado Professor Lemos (PT), “esse não é um projeto para garantir uma escola plural, ao contrário, é a ideia de uma escola com um partido único, o partido do governo federal”. Analisando todos esses fatos, o representante do Ministério Público do Paraná, Olímpio de Sá Sottomaior, afirmou que tal proposta fere a Constituição, justamente pelo fato de “amordaçar e perseguir os professores”, reprimindo assim a liberdade de expressão.

Quatro anos do atentado a professores pelo governo Beto Richa

O 29 de abril é mais que uma data para os servidores públicos e trabalhadores da educação no Paraná; é símbolo de luta, que ficou marcado desde 2015, quando o então governador Beto Richa (PSDB) e seu secretário de segurança, Fernando Francischini (PSL), ordenaram uma das operações policiais mais violentas contra professores de toda a História. Os servidores protestavam contra mudanças no regime de previdência do funcionalismo. Mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Quatro anos depois, a data marcou o posicionamento dos servidores para pressionar o atual governador Ratinho Júnior (PSD) contra novas ameaças de congelamento de salários e direitos adquiridos, além do acúmulo de perdas no funcionalismo, que chegam à 17%, devido à falta de reposição da inflação há mais de três anos. O ato, que contou com mais de dez mil pessoas, também foi em protesto à reforma da previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Um ano de prisão do ex-presidente Lula

Para quem queria ver Lula preso, a chegada do presidente a Curitiba, no dia 7 de abril de 2018, representou combate à corrupção. Mas, por outro lado, quem aponta uma série de irregularidades jurídicas no processo voltou a protestar no domingo em que a prisão do ex-presidente completou um ano. A manifestação, organizada por movimentos sociais, políticos e partidos, teve concentração no terminal do Boa Vista e, com a ideia de reforço à vigília, os manifestantes seguiram em passeata até as imediações da sede da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida. No mesmo dia, movimentos contrários apropriaram-se da pauta e se manifestaram, na Boca Maldita, contra o STF e a favor da Lava Jato, apoiando a prisão de Lula.

Agentes penitenciários se juntam à luta

Os agentes penitenciários do Paraná vêm enfrentando uma situação crítica de trabalho. De acordo com o sindicato da classe, o Sindarspen, o número de presos cresce enquanto os de agentes caiu. Das vagas disponíveis, mais de mil estão desocupadas e, para suprir a demanda, seria necessária a contratação de 6.400 agentes.

Em assembleia na Praça Nossa Senhora Salete, no dia 16 de abril, os trabalhadores decidiram aderir à greve do dia 29 de Abril, chamada pelo Fórum de Entidades Sindicais (FES), que pedem reajuste salarial e relembrar o massacre de 2015. Uma liminar da justiça vetou a paralisação total dos agentes com uma multa de 50 mil reais para o sindicato, de tal forma que os trabalhadores de plantão mantiveram as atividades.

Contra ação da Polícia Militar

Familiares e amigos de um jovem de 18 anos que foi morto a tiros em confronto com a polícia na tarde do dia 21 de abril pediram justiça e o esclarecimento do caso, afirmando que a Polícia Militar matou de maneira injusta o jovem e que ele não estava armado. Já representantes da Polícia Militar alegaram que ele estava portando uma arma e disparou contra os policiais. Manifestantes interditaram a BR-277, no Km 71, queimando pneus, o que levou a fila de veículos a se estender por 7 quilômetros. Segundo a polícia, foi aberto procedimento para apurar as circunstâncias do caso.

Cultura contra cortes

Na quarta-feira, 4 de abril, representantes da Frente Única de Cultura, do Sindicato dos Músicos do Paraná, do Sindicato da Indústria Audiovisual do Paraná e artistas de todo o estado se mobilizaram em audiência pública que debateu temas como o Plano Estadual de Cultura e o Fundo Estadual de Cultura. Com argumento de enxugamento da máquina administrativa do Estado, o governador Ratinho Jr, da base aliada de Bolsonaro, fundiu as secretarias de cultura e comunicação. Os manifestantes puseram-se contra a extinção da Secretaria Estadual da Cultura, reivindicando sua permanência e investimentos de pelo menos 1,5% do orçamento.

Esta é a coluna mensal do Observatório dos Conflitos Urbanos de Curitiba, que apresenta o resumo dos principais protestos ocorridos em Curitiba e Região Metropolitana ao longo de cada mês. O Observatório é composto por professores e pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Para saber mais acesse o site http://conflitoscuritiba.blog.br/

6 de May de 201921:29


Publicado Primeiro em Brasil de Fato

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