Ato em Curitiba pede boicote contra Extra e fim do genocídio da população negra

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Ato em Curitiba pede boicote contra Extra e fim do genocídio da população negra

Revolta

Conivente ao assassinato de Pedro Gonzaga, grupo do mercado fatura o equivalente a 5,5% do PIB nacional

Redação |
Gonzaga foi morto pelo segurança Davi Amâncio, por volta do meio-dia, diante da mãe que gritava alertando sobre o estrangulamento do filho.
Pablo A. Souza

Contando com a batucada do Bloco Pretinhosidade, um ato em Curitiba, no domingo (17), fez o Paraná ser parte dos dez estados brasileiros que levaram manifestantes às ruas em protesto contra a rede de supermercados Extra, do Grupo Pão de Açúcar (GPA), por conta do assassinato por estrangulamento do jovem Pedro Gonzaga, de 19 anos, em uma unidade da rede na Barra da Tijuca, área nobre do Rio de Janeiro (RJ), no último dia 14.

Mãe preta em um país onde matam uma mulher a cada 11 minutos e um preto a cada 23 minutos, Aline Castro Farias, também empreendedora e artesã, esteve presente e fala da intimidação do mercado logo na chegada: “Como tinha bloquinho de carnaval no dia, o ato deixou a desejar no número de pessoas, a galera não está muito preocupada com vidas que morrem. Eu fui a primeira a chegar e já tinham três carros da escolta do Extra armados, inclusive com seguranças mulheres armadas. Colocamos pessoas na entrada e na saída em cordão para contar o que aconteceu para quem passava”.

Thalita Bastos, formada em direito e integrante do GER – Grupo de estudos raciais da UFPR, também participou e lamentou a reação de muitas pessoas: “Uma coisa que pude perceber é que muita gente não sabia do caso e muitas não se interessavam em saber, algumas dizendo inclusive que isso não era um crime de racismo”.

Sendo o GPA vice-líder do setor supermercadista no Brasil, que fatura o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, uma das ações de enfrentamento ao caso é o estímulo ao boicote ao espaço. “O mercado Extra não deu nenhum retorno, a única coisa que aconteceu foi que em torno de 30 carros entraram e saíram, deixando de comprar no mercado por conta da história do Pedro Gonzaga. A gente conversou com essas pessoas dizendo que havia outro mercado próximo, que esse era conivente, é um mercado assassino”, afirma Aline.

O caso

Gonzaga foi morto pelo segurança Davi Amâncio, por volta do meio-dia, diante da mãe que gritava alertando sobre o estrangulamento do filho. O segurança diz que o jovem tentou tirar a arma dele e, por isso, foi necessário imobilizá-lo. Imagens do assassinato divulgadas na internet não sustentam a versão do segurança. A polícia considera a hipótese de homicídio doloso, quando há a intenção de matar.

19 de February de 201912:08

Via Brasil de Fato

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