Reitor da UFC nomeado por Bolsonaro defende que escolha não deve ser por eleição direta

GERAL

Reitor da UFC nomeado por Bolsonaro defende que escolha não deve ser por eleição direta   

Cândido Albuquerque foi o candidato menos votado na consulta pública na universidade (FOTO: Arquivo)

Nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro como novo reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), apesar de ter sido o que obteve menos votos em consulta, o professor e advogado Cândido Albuquerque concedeu entrevista à Tribuna Band News FM na manhã desta quarta-feira (21). O novo reitor comenta a manifestação organizada pela comunidade acadêmica em protesto pela decisão, nesta terça-feira (20), o projeto Future-se e sobre corte de gastos.

Após publicação no Diário Oficial de que ele seria o novo reitor da UFC, contrariando o resultado da consulta pública realizada com a comunidade acadêmica onde Custódio Almeida foi o mais votado, estudantes, servidores e professores organizaram uma manifestação, chamada Ato Velório, no bairro Benfica, em Fortaleza.

Sobre a manifestação

“Em primeiro lugar, estava longe de ter 5 mil alunos. Na verdade, o grupo que estava lá reunido, você identificava claramente bandeiras de Lula Livre, CUT, MST, que não são exatamente grupos vinculados à comunidade. Talvez, da comunidade acadêmica, não tivesse 10%. A gente precisa pensar a universidade como mecanismo de resgate das necessidades sociais. O mundo hoje é dividido entre os países que têm tecnologia e os que não têm tecnologia. Nós não temos nenhuma universidade do Brasil entre as 200 melhores do mundo porque nós temos alguns processos que precisam ser modificados. Nenhuma das 250 melhores universidades do mundo faz eleição direta porque esse processo divide. A universidade tem características muito próprias. No mundo todo, os reitores são escolhidos por comitês que identificam um gestor, não numa eleição direta em que há disputa ideológica. Ontem vi as fotos da manifestação, convocada por um vereador que não tem nenhuma relação com a universidade, que é ligado ao movimento de esquerda, inclusive os alunos da Faculdade de Direito, isso é um desrespeito à universidade! Participei de um processo absolutamente legítimo. Sou diretor da Faculdade de Direito há oito anos, e fiz um trabalho reconhecido por todos. Claro que essa consulta, uma mera consulta que foi feita, ela não é vinculativa e ela se tornou disputa ideológica.

No momento, sou reitor de toda a comunidade. Temos que investir mais em pesquisa. Agora, a comunidade precisa respeitar mais a universidade. Não é justo que movimentos que não são vinculados à universidade façam da eleição para reitor um trampolim para disputa ideológica. Isso não é razoável. Nós temos que salvar a universidade desse momento. Nós estamos com uma dificuldade financeira muito grande. Temos um projeto de inovação, de empreendedorismo, para dar aos nossos alunos uma habilidade necessária para enfrentar esse mercado em transformação para os próximos 10 anos. Aqui, no Ceará não se discute o melhor gestor, quem pode gerir melhor… Quem demonstrou nos últimos dez anos gerir melhor uma universidade? Ontem tinha muito mais bandeiras Lula Livre, MST, do que qualquer coisa voltada para a educação.”

Diálogo

“Estou de mãos estendidas. Eu quero diálogo. A universidade precisa dialogar com a sociedade. Nós precisamos ser o vetor de produção do conhecimento no Brasil. A UFC é a principal fonte de pesquisa do Ceará e talvez do Nordeste, e é isso que precisamos realçar. A Faculdade de Direito hoje é considerada uma das melhores entre mais de mil no Brasil. É isso que quero fazer com a UFC. Nós temos que enfrentar a pesquisa com seriedade. Fiquei muito triste quando vi setores da comunidade que não conhecem a administração acadêmica achar que pode fazer o que fizeram ontem… Isso é um desrespeito. A administração acadêmica é uma atividade muito específica e não pode se submeter a eleição direta. Nenhuma universidade no mundo faz isso. Nós vamos tratar nossa universidade com carinho, respeito. Esse é um momento de união. Os servidores não participaram dessa manifestação de ontem. Ontem eu vi um vereador de partido de esquerda convocando. E você basta ir à frente da universidade para ver a ilegitimidade do movimento. Vi que quem participava do movimento, pouquíssimas pessoas, tinham relação com a universidade. Queria conclamar a sociedade cearense a nos unirmos nesse momento. Vamos dar um crédito de confiança para que eu possa mostrar em dois anos o que pode ser feito pela universidade.”

Perguntas dos ouvintes

“O senhor acharia legítimo o último candidato de uma eleição para presidente ser escolhido para governar? Qual seria o peso dos valores democráticos para a construção da legitimidade dentro da universidade?”, perguntou o estudante da UFC Mateus Figueiredo.

“É lamentável que um estudante, portanto universitário, não compreenda a diferença. Por que as universidades como Stanford, Havard, não fazem eleição direta? Porque existem peculiaridades na administração acadêmica que não permitem esse tipo de disputa. Quando o aluno faz essa pergunta, mostra que ele não compreendeu qual é exatamente a função da universidade, qual a missão da universidade, como é que se conduz a administração acadêmica. Será que todas as universidades do mundo estão erradas? Em determinadas instituições, não pode haver eleição direta.”

Future-se

“O programa está em construção e nós precisamos construí-lo. O que não se pode é recusar um modelo em que ainda está para consulta pública. Eu quero participar e quero contribuir para a construção deste programa. Se priorizou muitos anos o ensino em detrimento da pesquisa. Hoje, o que se verifica, é que as universidades estão aderindo o ensino à pesquisa para produzir novos conhecimentos. Nós vamos criar uma Pró-Reitoria de desenvolvimento institucional, empreendedorismo, inovação e internacionalização. Nós não temos um mecanismo dessa ordem institucionalmente. É a maneira de colocar a nossa UFC em evidência no mundo. Temos um corpo docente e discente da maior qualidade. Na hora que a gente tiver um projeto capaz de acolher essa comunidade acadêmica, você vai ver o salto de qualidade. E é isso que a sociedade espera da nossa universidade. É isso que vamos fazer, é isso que estávamos precisando. Nós precisamos salvar a nossa universidade. Eu já tô nomeado, eu vou administrar a universidade. Ela vai dar uma salto de qualidade mesmo com esses grupos contra a minha administração.”

Corte de gastos

“A universidade tem que focar na pesquisa. Nós estamos sofrendo na universidade desde 2014. Desde então, estamos sendo penalizados. Mas a universidade tem se reinventado, tem buscado agências de fomento, sociedade civil. Temos que estabelecer diálogo com o Governo para se aplicar bastante dinheiro nas universidades. Vamos abrir esse canal com coragem, com equilíbrio. Vamos mostrar a importância da universidade. Vamos conseguir. A pesquisa é fundamental. Não existe, hoje, universidade sem pesquisa. Diálogo é fundamental.”

    Tribuna Bandnews FM  21 de August de 2019  12:57  

Publicado Primeiro em Tribuna do Ceará

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