Senegaleses se despedem da Copa felizes com a visibilidade no Brasil

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Senegaleses se despedem da Copa felizes com a visibilidade no Brasil

Futebol

Comunidade africana se reuniu novamente no centro de São Paulo para torcer por sua seleção nesta terça-feira

Júlia Dolce |
Senegaleses celebram no centro de São Paulo, após final do primeiro tempo do jogo contra a Colômbia
Júlia Dolce

Pela terceira vez desde o início da Copa do Mundo de futebol, a comunidade senegalesa foi o centro das atenções em São Paulo. A torcida, que ganhou notoriedade depois que um vídeo da comemoração da vitória no primeiro jogo de Senegal tornou-se viral, na última semana, vibrou novamente nesta quinta-feira (18) e transformou a rua Vitória, no Largo do Arouche, em palco para danças e músicas típicas.

Infelizmente, a alegria não foi suficiente para garantir a vitória: a Seleção Senegalesa de Futebol foi derrotada pelo time da Colômbia com um gol que veio apenas após a metade do segundo tempo. Os Leões de Teranga, apelido do time senegalês, iniciaram a rodada na liderança do grupo, mas, com os resultados de hoje, perderam a vaga nas oitavas de final para o Japão pelo critério de cartões amarelos.

Mesmo com o jogo sofrido, os cerca de cem senegaleses que se reuniram para torcer na capital paulista não se abalaram.

Comemorando e aplaudindo durante a maior parte do jogo, com bandeiras e munhequeiras verdes, amarelas e vermelhas, camisetas do craque Sadio Mané, artilheiro da Seleção e do Liverpool, da Inglaterra, e muito refrigerante (a maioria da população no Senegal é muçulmana, religião que proíbe bebidas alcoólicas), os senegaleses deixaram esta edição da Copa do Mundo se sentindo orgulhosos pela fama conquistada no Brasil.

Para Baba Cisse, Secretário Geral da Associação Senegalesa de São Paulo, os eventos e festas da torcida que teve a ideia de organizar tiveram boa repercussão entre os brasileiros. Há cinco anos vivendo em São Paulo, ele avalia que a divulgação foi bastante positiva para a comunidade de mais de quatro mil senegaleses que vive na cidade.

“Foi ótimo! Estamos ganhando mais espaço. No começo, nem pensamos que íamos bombar na internet, mas o povo brasileiro se juntou na festa, inclusive os negros brasileiros, que puderam nos ter como espelho, porque a cultura senegalesa é muito parecida com a cultura brasileira: as religiões, o ritmo da música, a alegria do povo brasileiro. Os africanos em geral também estão sempre alegres, gostamos de festa. É muito importante a participação de times africanos na Copa, mostra as raízes dos brasileiros e dos negros da diáspora”, afirmou.

A opinião é compartilhada pela senegalesa Amina Ngon, integrante da Associação Senegalesa do Rio de Janeiro, que vive no Brasil há seis anos. “Antes o Senegal não era tão conhecido como Angola, Nigéria e outros países africanos. Agora o povo senegalês está ficando conhecido aqui. Gostamos muito do apoio dos brasileiros”, disse.

Racismo

Apesar do apoio majoritário dos brasileiros à torcida senegalesa, reações racistas também marcaram a passagem do país da África Ocidental na Copa. Internacionalmente, o caso mais divulgado foi o tweet racista do apresentador da BBC e ex-presidente do time inglês Tottenham, Alan Sugar, comparando os jogadores senegaleses a imigrantes que vendem óculos e bolsas nas praias espanholas.

Aqui no Brasil, a imagem racista divulgada por Sugar também foi compartilhada e comparada aos imigrantes que vendem produtos nas rodoviárias e vagões de trem e metrô.

Para os senegaleses, no entanto, as manifestações preconceituosas não ofuscaram o brilho da seleção africana, dos torcedores na Rússia, que também viralizaram com um vídeo que os mostra limpando o estádio após o jogo, ou do técnico Aliou Cissé, estrela que levou a seleção para as quartas de final em 2002 e único treinador negro entre as 32 equipes deste ano.

No início da partida, os senegaleses em São Paulo seguravam cartazes com as hashtags #antiracismo e #respeito. 

Para Baba Cisse, a recente imigração de senegaleses para o Brasil influencia a xenofobia sofrida aqui. Em 2015, os senegaleses representavam o principal grupo de solicitantes de refúgio no país, com 2.164 pedidos, de acordo com dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“A oportunidade de falar sobre a gente é muito boa, para o povo saber que estamos aqui trabalhando, ganhando a vida honestamente. A copa do mundo é importante porque também está sendo uma oportunidade para mostrarmos tudo isso, nossa cultura, nossos objetivos. Chegamos aqui e mostramos para a população que somos africanos e somos pessoas inteligentes. Eu sou formado em comunicação, muitos africanos que estão aqui tem muitos mais diplomas que eu. Ser negro não quer dizer que você é burro”, afirmou.

Quer conhecer mais sobre a comunidade senegalesa em São Paulo?

Associação Senegalesa de São Paulo

Organização sem fins lucrativos com o objetivo de reunir os senegaleses presentes em São Paulo, independentemente da sua religião ou afiliação política, promover a solidariedade e o trabalho em rede entre os membros, contribuir para o desenvolvimento e integração de novos imigrantes senegaleses na sociedade paulistana e estabelecer uma cooperação com outras comunidades étnicas.

Rua Conselheiro Crispiniano, 20 

Restaurante Serigne Fallou

Comida típica senegalesa, localizada no centro de São Paulo.

Avenida São João, 563

Loja Coração da África

Loja de artesanato africano do estilista senegalês Cheikh Gaye Seck, localizada no centro de São Paulo.

Avenida Ipiranga, 250 

28 de junho de 201820:00

Via Brasil de Fato

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